Eu estava servindo de psicólogo no MSN para uma amiga, que mora na Austrália, quando alguém parecia arrombar a porta da minha casa. Abri morrendo de medo:
Adalberto: Porra, Lu, assim você me mata do coração!
Lu: Não me fala em coração. Eu não quero mais chorar.
Adalberto: Por quê?
Lu: Era assim que o Ateneu me chamava.
Adalberto: Ué, não era pra você estar num cruzeiro com ele a essa hora?
Lu: É, mas alegria de pobre dura pouco. Sempe sonhei em fazer um cruzeiro romântico. Quando encontro um baratinho, que posso parcelar em dez vezes, o navio inteiro fica com caganeira.
Disfarcei o riso, que saiu involuntário, com um acesso de tosse.
Adalberto: Era o Royal Caribbean, então?
Lu: Essa porra aí mesmo, que eu vou processar.
Adalberto: Mas e o Ateneu?
Lu: O Ateneu quer me matar.
Adalberto: Mas ele não disse que te amava?
Lu: Não fala isso que eu choro.
Adalberto: Mas foi você mesma que me disse isso. Aliás, ele ia te dar uma aliança de noivado lá no cruzeiro. Você me falou alguma coisa assim...
Lu: Só que eu joguei as nossas alianças em alto mar?
Adalberto: Como assim? Desistiu do noivado?
Lu: Não, primo. Você acha que eu ia jogar fora, assim, a minha chance de casar com alguém?
Adalberto: Não. Pelo menos, não em alto mar.
Lu: Ele não quer nem mais olhar na minha cara.
Adalberto: Me conta o que aconteceu. Por que você jogou as alianças fora?
Lu: Eu não joguei as alianças fora!
Adalberto: Não? Então, eu tô maluco!
Lu: Adal, o navio inteiro ficou com caganeira. Os banheiros todos ocupados, eu me segurando e nada de ninguém desocupar. Acabei me cagando toda!
Adalberto: Mentira! E o Ateneu?
Lu: O Ateneu também estava internado num vaso sanitário! Não tô dizendo que o navio todo estava com caganeira?
Adalberto: Mas e aí?
Lu: Aí que eu não tinha como tomar banho, tirei a bermuda cagada e a calcinha, claro, limpei o meu rabo, coloquei um biquini e joguei a roupa suja toda no mar. Não queria que ele me visse daquele jeito.
Adalberto: Tá. E as alianças?
Lu: Estavam no bolso da bermuda!
Adalberto: Por que não enfiaram a porra da aliança no dedo?
Lu: Porque a gente ia guardar. A gente ficou noivo na hora do almoço. Foi lindo...
Adalberto: E por que guardou? Aliança é pra ficar no dedo.
Lu: Mas esse noivado era o de mentirinha!
Adalberto: E existe isso?
Lu: A família dele é cheia de frescura. Noivado, pro pai dele, tem que ser com festa.
Adalberto: E por que vocês não esperaram, então?
Lu: Ai, primo, eu sempre sonhei com um cruzeiro, um amor, um pedido de casamento...
Adalberto: E como você teve coragem de dizer pra ele, que jogou as alianças fora?
Lu: Eu lembrei daquela peça que a gente viu, que a senhorinha joga o anel que ganhou do menino no mar, lembra?
Adalberto: Pra que sempre que ela olhasse pro mar, se lembrasse dele, porque dali, o anel nunca ia sair. "Ensina-me a viver" o nome da peça.
Lu: Mas, na prática, isso não adiantou, primo. Ele quase me arremessou no mar pra eu procurar as alianças!
Adalberto: Ele não é louco de fazer uma coisa dessas!
Lu: Não é louco? Eu precisei de ajuda da segurança navio.
Adalberto: Esse cara não te merece!
Lu: Não! Mas eu mereço ele.
Adalberto: Faz o seguinte, então: liga pro Ateneu e diz que eu dou de presente as alianças novas. Eu não vou ser padrinho? Eu compro, ué.
Lu: Mas aquelas alianças são as dos tataravós do Ateneu. Quando alguém na família casa, tem que ser aquelas merdas!
Adalberto: Aquelas merdas que você jogou fora, com a sua roupa cheia de merda. Que merda!
Brincadeirinha fora de hora.
Lu: Ai, primo, não acho graça nenhuma nisso! Você pode me apresentar aquela sua advogada? Vou descontar a minha raiva toda nesse cruzeiro.
Adalberto: Tá. Amanhã, eu te passo. A minha agenda, com o telefone dela, tá no trabalho.
O telefone tocou. Era a Marjorie.
Lu: O que ela queria?
Adalberto: Perguntou se a gente não queria ir com ela na passeata dos royalties.
Lu: Passeata contra essa navio que eu estava?
Adalberto: Não! Royalties do petróleo são uma coisa. Royal Caribbean é outra. Se bem que tá tudo dando merda.
Na passeata, a Lu tirou foto com a Xuxa, trocou um beijinhos com um deputado estadual (que eu não revelo o nome nem sob tortura) e, ainda, se acabou ao som do MC Créu. Aliás, ela me surpreendeu, dançando na velocidade cinco! No dia seguinte, a ressaca era tanta, que ela nem se lembrou de me pedir o telefone da minha advogada.
sexta-feira, 19 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
Olha só como é que eu... tomei um susto da Ane!
Só faltava a Ane chegar pra gente atacar o pudim acetinado que a Marjorie preparou. É, a Marjorie é daquelas que promove um evento, quando consegue realizar uma proeza dessas. Afinal de contas, cozinha, definitivamente, não é o lugar dela.
Ane: Cheguei!
Sara: Eu já estava quase indo embora. Tenho que preparar a janta do Oswaldo.
Adalberto: Tá toda esbaforida! O que é que aconteceu?
Ane: Eu conto! Mas só se for numa partida de "olha só como é que eu alguma coisa".
Marjorie: Oba! Já estava com saudade de brincar de "olha só como é que eu alguma coisa".
Lu: Tá bom, mas a gente pode brincar de "olha só como é que eu alguma coisa", comendo esse treco que a Marjorie fez?
Adalberto: Mandou bem! Não tô resistindo a esse pudim de azeite!
Lu: É de azeite essa bodega?
Adalberto: É. Pudim azeitinado... Só pode ser de azeite!
Sara: Ih, eu não vou gostar disso, não!
Ane: Também, não! Tô fora.
Marjorie: Bobo! Gente, vocês vão acreditar em Adalberto Monteiro Neto? É pudim acetinado! Não tem nada a ver com azeite! Me admiro você, hein, dona Sara! Acha que eu vou fazer pudim de azeite? E existe isso?
Sara: Sei lá, vocês são tudo doida!
Marjorie: Porra, mas o dia que eu fizer um pudim de azeite, me interna!
Adalberto: Hum, bom!
Lu: Tu não merecia comer, não! Cretino, safado!
Marjorie: É! Cospe fora! Cospe!
Adalberto: De jeito nenhum, ó, engoli!
Sara: Tá ótimo mesmo, prima.
Ane: Tá mesmo. Bonzão!
Lu: Me dá a receita depois?
Marjorie: Tá. É moleza de fazer. E no melhor é que ele não vai ao forno.
Sara: Não?
Marjorie: Não. Ele endurece na geladeira.
Ane: É bom que não corre o risco de queimar nunca, gente!
Marjorie: Por isso que eu amei isso! Esse é o pudim da minha vida.
Sara: Gente, eu tenho que ir.
Adalberto: Espera! Vamo começar o "olha só como é que eu sou alguma coisa"!
Lu: Quem começa?
Marjorie: A Ane! Tô morrendo de curiosidade pra saber o que aconteceu com ela.
Lu: Vai, então, Ane!
Ane: Tá bom. Olha só como é que eu... sou desprendida de certos pudores: saí do trabalho mais cedo prum open house de uma amiga. Quando cheguei lá, estava todo mundo pelado, e eu achei que eu estava num ensaio do Spencer Tunick. Obviamente, não era.
Lu: Quem é esse homem?
Adalberto: É aquele cara que faz foto de um montão de gente pelada.
Lu: Babado...
Ane: Eu me senti obrigada a aderir...
Marjorie: Hã! Não acredito!
Sara: Meu Deus!
Ane: Calma! Não foi fácil, assim, como vocês pensam. Eu tive que ficar de pilequinho. Aliás, pilecão, porque eu apaguei e, quando acordei, vi estava com-ple-ta-men-te sem roupa!
Ane ria sozinha, enquanto eu, Marjorie, Lu e Sara ficamos de queixo caído. Houve uma tentativa pra tentar quebrar o choque:
Sara: Sou eu agora. Olha como é que eu... não sou uma dona-de-casa perfeita: aprendi uma torta de chocolate no programa da Ana Maria Braga. Só que, em vez de açúcar, eu coloquei sal. O Oswaldo faltou me matar...
Eu, Lu e Marjorie ainda estávamos de queixo caído, com o que a Ane acabara de contar.
Marjorie: Peraí, Sara, a brincadeira acabou. Ane, vai agora fazer um exame de corpo de delito!
Adalberto: Vai agora fazer um exame de sangue!
Lu: Vai agora fazer um teste de gravidez na farmácia!
Ane: Ai, gente!
Marjorie: Ai, gente, não! Você não tem noção do risco em que você se meteu, não, é?
Lu: Aí, depois, vão dizer: tadinha, morreu cedo. Tadinha nada! Só faz merda!
Sara: Se eu conto uma coisa dessa pro Oswaldo, ele me proíbe de andar com vocês.
Ane: A brincadeira pra mim acabou. Tô indo pra casa. Tchau!
Uma semana depois, estávamos todos no mesmo lugar, brindando à vida e à saúde da Ane, com um bom vinho e o tal do pudim acetinado como acompanhamento. Ela não estava grávida nem com AIDS. Ufa!
Ane: Cheguei!
Sara: Eu já estava quase indo embora. Tenho que preparar a janta do Oswaldo.
Adalberto: Tá toda esbaforida! O que é que aconteceu?
Ane: Eu conto! Mas só se for numa partida de "olha só como é que eu alguma coisa".
Marjorie: Oba! Já estava com saudade de brincar de "olha só como é que eu alguma coisa".
Lu: Tá bom, mas a gente pode brincar de "olha só como é que eu alguma coisa", comendo esse treco que a Marjorie fez?
Adalberto: Mandou bem! Não tô resistindo a esse pudim de azeite!
Lu: É de azeite essa bodega?
Adalberto: É. Pudim azeitinado... Só pode ser de azeite!
Sara: Ih, eu não vou gostar disso, não!
Ane: Também, não! Tô fora.
Marjorie: Bobo! Gente, vocês vão acreditar em Adalberto Monteiro Neto? É pudim acetinado! Não tem nada a ver com azeite! Me admiro você, hein, dona Sara! Acha que eu vou fazer pudim de azeite? E existe isso?
Sara: Sei lá, vocês são tudo doida!
Marjorie: Porra, mas o dia que eu fizer um pudim de azeite, me interna!
Adalberto: Hum, bom!
Lu: Tu não merecia comer, não! Cretino, safado!
Marjorie: É! Cospe fora! Cospe!
Adalberto: De jeito nenhum, ó, engoli!
Sara: Tá ótimo mesmo, prima.
Ane: Tá mesmo. Bonzão!
Lu: Me dá a receita depois?
Marjorie: Tá. É moleza de fazer. E no melhor é que ele não vai ao forno.
Sara: Não?
Marjorie: Não. Ele endurece na geladeira.
Ane: É bom que não corre o risco de queimar nunca, gente!
Marjorie: Por isso que eu amei isso! Esse é o pudim da minha vida.
Sara: Gente, eu tenho que ir.
Adalberto: Espera! Vamo começar o "olha só como é que eu sou alguma coisa"!
Lu: Quem começa?
Marjorie: A Ane! Tô morrendo de curiosidade pra saber o que aconteceu com ela.
Lu: Vai, então, Ane!
Ane: Tá bom. Olha só como é que eu... sou desprendida de certos pudores: saí do trabalho mais cedo prum open house de uma amiga. Quando cheguei lá, estava todo mundo pelado, e eu achei que eu estava num ensaio do Spencer Tunick. Obviamente, não era.
Lu: Quem é esse homem?
Adalberto: É aquele cara que faz foto de um montão de gente pelada.
Lu: Babado...
Ane: Eu me senti obrigada a aderir...
Marjorie: Hã! Não acredito!
Sara: Meu Deus!
Ane: Calma! Não foi fácil, assim, como vocês pensam. Eu tive que ficar de pilequinho. Aliás, pilecão, porque eu apaguei e, quando acordei, vi estava com-ple-ta-men-te sem roupa!
Ane ria sozinha, enquanto eu, Marjorie, Lu e Sara ficamos de queixo caído. Houve uma tentativa pra tentar quebrar o choque:
Sara: Sou eu agora. Olha como é que eu... não sou uma dona-de-casa perfeita: aprendi uma torta de chocolate no programa da Ana Maria Braga. Só que, em vez de açúcar, eu coloquei sal. O Oswaldo faltou me matar...
Eu, Lu e Marjorie ainda estávamos de queixo caído, com o que a Ane acabara de contar.
Marjorie: Peraí, Sara, a brincadeira acabou. Ane, vai agora fazer um exame de corpo de delito!
Adalberto: Vai agora fazer um exame de sangue!
Lu: Vai agora fazer um teste de gravidez na farmácia!
Ane: Ai, gente!
Marjorie: Ai, gente, não! Você não tem noção do risco em que você se meteu, não, é?
Lu: Aí, depois, vão dizer: tadinha, morreu cedo. Tadinha nada! Só faz merda!
Sara: Se eu conto uma coisa dessa pro Oswaldo, ele me proíbe de andar com vocês.
Ane: A brincadeira pra mim acabou. Tô indo pra casa. Tchau!
Uma semana depois, estávamos todos no mesmo lugar, brindando à vida e à saúde da Ane, com um bom vinho e o tal do pudim acetinado como acompanhamento. Ela não estava grávida nem com AIDS. Ufa!
quarta-feira, 3 de março de 2010
O dia em que a Ane achou que talvez e não parou de rimar
Eu estava terminando de estender a roupa no varal num desses sábados de chuva, de março, quando a Ane me ligou:
Ane: Oi.
Adalberto: Oi.
Ane: Tá podendo falar?
Adalberto: Tô.
Ane: Tá com uma voz estranha...
Adalberto: Eu estava lavando roupa... Deve ser por isso.
Ane: Ai, Adal, tô numa crise existencial...
Adalberto: Rimou!
Ane: O quê?
Adalberto: Adal com crise existencial.
Ane: É sério!
Adalberto: Quer sair, vir pra cá, fazer alguma coisa diferente?
Ane: Acho que talvez...
Adalberto: Achar já é não é ter certeza. Achar que talvez, então...
Ane: Sei lá, pode ser...
Adalberto: Agora, você trocou seis por meia-dúzia!
Ane: Pra você ver como eu não tô muito certa. Sem resposta concreta.
Adalberto: Rimou de novo!
Ane: Para! Que saco! Você tá muito chato!
E ela não para de rimar...
Adalberto: Desculpa, meu amor! Mas então?
Ane: Vamos.
Adalberto: Sair?
Ane: É. Não é isso que você quer?
Rimou de novo!
Adalberto: Foi a minha sugestão. Pra onde podemos ir?
Ane: Não sei. Quem convida é que manda.
Adalberto: Vamos dar uma caminhada na Pista Cláudio Coutinho?
Ane: Ah, não. Nada de exercício aeróbico por hoje, primo. Hoje é sábado! Quero fazer alguma coisa diferente...
Adalberto: Então, fala, ué. Você disse que quem convida é que manda e, quando eu sugiro alguma coisa, você não quer fazer...
Ane: Ai, primo, você tá tão grosso...
E ela, sem rimar, estava tão chata!
Adalberto: Não é isso. Eu só tô tentando te ajudar. O que eu não posso é adivinhar o que você quer fazer. Posso passar aí pra te pegar, e você vai pensando no que a gente vai fazer?
Ane: Não. Não quero essa responsabilidade pra mim. Ainda mais hoje, que eu tô meio assim...
Ih, pronto! Voltou com tudo! Prendi o riso.
Adalberto: Então, o que a gente faz?
Ane: Nada. Fica cada um na sua e a amizade continua.
Depois dela encher a minha paciência pra nada, não resisti:
Adalberto: Rimou!
Ela bateu com o telefone na minha cara! Melhor assim. A Ane só funciona quando tem certeza.
Ane: Oi.
Adalberto: Oi.
Ane: Tá podendo falar?
Adalberto: Tô.
Ane: Tá com uma voz estranha...
Adalberto: Eu estava lavando roupa... Deve ser por isso.
Ane: Ai, Adal, tô numa crise existencial...
Adalberto: Rimou!
Ane: O quê?
Adalberto: Adal com crise existencial.
Ane: É sério!
Adalberto: Quer sair, vir pra cá, fazer alguma coisa diferente?
Ane: Acho que talvez...
Adalberto: Achar já é não é ter certeza. Achar que talvez, então...
Ane: Sei lá, pode ser...
Adalberto: Agora, você trocou seis por meia-dúzia!
Ane: Pra você ver como eu não tô muito certa. Sem resposta concreta.
Adalberto: Rimou de novo!
Ane: Para! Que saco! Você tá muito chato!
E ela não para de rimar...
Adalberto: Desculpa, meu amor! Mas então?
Ane: Vamos.
Adalberto: Sair?
Ane: É. Não é isso que você quer?
Rimou de novo!
Adalberto: Foi a minha sugestão. Pra onde podemos ir?
Ane: Não sei. Quem convida é que manda.
Adalberto: Vamos dar uma caminhada na Pista Cláudio Coutinho?
Ane: Ah, não. Nada de exercício aeróbico por hoje, primo. Hoje é sábado! Quero fazer alguma coisa diferente...
Adalberto: Então, fala, ué. Você disse que quem convida é que manda e, quando eu sugiro alguma coisa, você não quer fazer...
Ane: Ai, primo, você tá tão grosso...
E ela, sem rimar, estava tão chata!
Adalberto: Não é isso. Eu só tô tentando te ajudar. O que eu não posso é adivinhar o que você quer fazer. Posso passar aí pra te pegar, e você vai pensando no que a gente vai fazer?
Ane: Não. Não quero essa responsabilidade pra mim. Ainda mais hoje, que eu tô meio assim...
Ih, pronto! Voltou com tudo! Prendi o riso.
Adalberto: Então, o que a gente faz?
Ane: Nada. Fica cada um na sua e a amizade continua.
Depois dela encher a minha paciência pra nada, não resisti:
Adalberto: Rimou!
Ela bateu com o telefone na minha cara! Melhor assim. A Ane só funciona quando tem certeza.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
O velório do tio Altair, a vida alheia em pauta e o risco iminente
Fui ao velório de um ex-vizinho, o tio Altair. A emoção vivida lá seria bem menor, se não tivesse levada as minhas primas.
Marjorie: A filha da Ivone parece mais velha que a mãe. Imensa de gorda, olha lá.
Lu: Cadê?
Marjorie: Ali, do lado da tia Neide.
Adalberto: Minha mãe tá chorando tanto.
Ane: Coitadinha. O tio Altair foi padrinho do casamento dela e do tio Beto, né?
Adalberto: É. Meu pai também adorava ele. Foi ele que arrumou para o meu pai o trabalho na Caixa Econômica.
Sara: Foi, Adal?
Adalberto: Foi.
Sara: É muito sofrido perder alguém tão legal, né?
Lu: É. Mas também é sofrido ter que ver o Leonel com aquela mocreia ali.
Adalberto: Você ainda gosta dele?
Lu: Ele foi o meu primeiro amor. Eu perdi a minha virgindade pra ele.
Adalberto: Quando foi?
Lu: Como assim?
Adalberto: Em que ano?
Lu: Sei lá. Deve ter sido em mil novescentos e...
Ane: Não fala! Esse cachorro vai calcular a idade que você se perdeu.
Pior que era isso mesmo o que eu ia fazer.
Lu: Adalberto Monteiro Neto, desde quando o senhor é bom em Matemática?
Dei um sorriso amarelo, sem graçao...
Lu: Me perdi com 13 anos. Pronto, te poupei de um trabalho.
Fiz cara de que a informação não era relevante. Mas, por dentro, fiquei estarrecido.
Ane: Eu, com 14.
Marjorie: Eu, com 16.
Sara: Ganhei! Eu me perdi com 18.
Lu: Ganhou? Você perdeu foi tempo, minha filha. Quem ganhou fui eu, que estou na atividade há mais tempo.
Adalberto: A vitória pertence aquele que acredita nela, e aquele que acredita nela por mais tempo. Pearl Harbor!
Marjorie: E você ainda acredita, prima?
Sara: No quê?
Marjorie: Na sua vitória.
Sara: Não sei.
Lu: Então, a vitória é minha, porque eu acredito nela.
Ane: A vitória é toda sua, Lu.
Marjorie: Olha ali aquele garotinha.
Sara: Ai, que fofa.
Marjorie: Fofa? Ela descobriu que aquele menino espirra toda vez que alguém põe a mão no nariz dele e não para de maltratar o coitado. Olha lá!
Ane: Que garota maldita!
Sara: Por que é que trazem criança para enterro? Enterro não é lugar de brincadeira.
Lu: É lugar de encontrar as pessoas que a gente não vê há séculos, ver como a gente tá bem melhor do que elas e meter o malho.
Adalberto: Verdade. Só isso que acontece aqui.
Sara: O que será que devem estar falando da gente, hein?
Lu: Que nós somos as mais lindas desse velório e que estamos acompanhadas por um gato, não é, primo?
Adalberto: Eu não tenho dúvidas de que vocês são as mais lindas daqui.
Ane: E eu, de que você é o cara mais gato.
Adalberto: Obrigado, lindona, mas a opinião de vocês tende a ser favorável a mim. E ai de você se não fosse assim.
Marjorie: A concorrência também é favorável a você, meu bem. Olha ali o Júlio César, o Tadeu, o Rogério, o Maicon, o Leonel, o Henrique e o Matias. Esses são os melhores daqui. Agora, você acha que algum deles está melhor do que você?
OK, a concorrência era favorável a mim. Mesmo assim, fiquei com o ego inflado.
Lu: É claro que não.
Sara: Adal, você, definitivamente é o galã desse velório.
Marjorie: E merecia ganhar uma coroa de flores por isso.
Adalberto: Estou fora.
Lu: Gente, eu também estou fora.
Marjorie: Como assim? Ninguém está falando de você.
Lu: A Marissérgia!
Ane: Aquela que descobriu que o marido ficou com você?
Lu: É mas ela acha que ele ficou com você!
Ane: Hã?
Lu: Ele sempre troca os nossos nomes.
Marjorie: Então, quem está em risco aqui é a Ane.
Ane: Ah, mas se ela vier tirar satisfação comigo, eu boto ele de frente com a Lu, e ele vai ter que falar na minha cara se fui eu mesma que fiquei com ele.
Lu: Aí, quem fica em risco sou eu.
Sara: Gente, vamos embora, porque essa história vai feder.
Lu: Vamos, porque só quem pode feder aqui hoje é o defunto!
Adalberto: É melhor. O cortejo já está para sair mesmo... Não quero ficar mais.
Marjorie: A tia Neide vai ficar?
Adalberto: Vai. Ela vai de carona com a tia Gorete e o tio Sonzinho.
Lu: Gente, vamos logo, senão vocês vão ter que arrumar um espaço para mim no caixão do tio Altair. A Marissérgia vai me matar se me vir aqui.
De lá, elas deram a ideia de irmos para um pé sujo beber. As pessoas que foram ao enterro do tio Altair voltaram a ser alvo dos nossos comentários felinos. Só perdoamos a minha mãe, o meu pai e o tio Altair.
E olhe lá!
Marjorie: A filha da Ivone parece mais velha que a mãe. Imensa de gorda, olha lá.
Lu: Cadê?
Marjorie: Ali, do lado da tia Neide.
Adalberto: Minha mãe tá chorando tanto.
Ane: Coitadinha. O tio Altair foi padrinho do casamento dela e do tio Beto, né?
Adalberto: É. Meu pai também adorava ele. Foi ele que arrumou para o meu pai o trabalho na Caixa Econômica.
Sara: Foi, Adal?
Adalberto: Foi.
Sara: É muito sofrido perder alguém tão legal, né?
Lu: É. Mas também é sofrido ter que ver o Leonel com aquela mocreia ali.
Adalberto: Você ainda gosta dele?
Lu: Ele foi o meu primeiro amor. Eu perdi a minha virgindade pra ele.
Adalberto: Quando foi?
Lu: Como assim?
Adalberto: Em que ano?
Lu: Sei lá. Deve ter sido em mil novescentos e...
Ane: Não fala! Esse cachorro vai calcular a idade que você se perdeu.
Pior que era isso mesmo o que eu ia fazer.
Lu: Adalberto Monteiro Neto, desde quando o senhor é bom em Matemática?
Dei um sorriso amarelo, sem graçao...
Lu: Me perdi com 13 anos. Pronto, te poupei de um trabalho.
Fiz cara de que a informação não era relevante. Mas, por dentro, fiquei estarrecido.
Ane: Eu, com 14.
Marjorie: Eu, com 16.
Sara: Ganhei! Eu me perdi com 18.
Lu: Ganhou? Você perdeu foi tempo, minha filha. Quem ganhou fui eu, que estou na atividade há mais tempo.
Adalberto: A vitória pertence aquele que acredita nela, e aquele que acredita nela por mais tempo. Pearl Harbor!
Marjorie: E você ainda acredita, prima?
Sara: No quê?
Marjorie: Na sua vitória.
Sara: Não sei.
Lu: Então, a vitória é minha, porque eu acredito nela.
Ane: A vitória é toda sua, Lu.
Marjorie: Olha ali aquele garotinha.
Sara: Ai, que fofa.
Marjorie: Fofa? Ela descobriu que aquele menino espirra toda vez que alguém põe a mão no nariz dele e não para de maltratar o coitado. Olha lá!
Ane: Que garota maldita!
Sara: Por que é que trazem criança para enterro? Enterro não é lugar de brincadeira.
Lu: É lugar de encontrar as pessoas que a gente não vê há séculos, ver como a gente tá bem melhor do que elas e meter o malho.
Adalberto: Verdade. Só isso que acontece aqui.
Sara: O que será que devem estar falando da gente, hein?
Lu: Que nós somos as mais lindas desse velório e que estamos acompanhadas por um gato, não é, primo?
Adalberto: Eu não tenho dúvidas de que vocês são as mais lindas daqui.
Ane: E eu, de que você é o cara mais gato.
Adalberto: Obrigado, lindona, mas a opinião de vocês tende a ser favorável a mim. E ai de você se não fosse assim.
Marjorie: A concorrência também é favorável a você, meu bem. Olha ali o Júlio César, o Tadeu, o Rogério, o Maicon, o Leonel, o Henrique e o Matias. Esses são os melhores daqui. Agora, você acha que algum deles está melhor do que você?
OK, a concorrência era favorável a mim. Mesmo assim, fiquei com o ego inflado.
Lu: É claro que não.
Sara: Adal, você, definitivamente é o galã desse velório.
Marjorie: E merecia ganhar uma coroa de flores por isso.
Adalberto: Estou fora.
Lu: Gente, eu também estou fora.
Marjorie: Como assim? Ninguém está falando de você.
Lu: A Marissérgia!
Ane: Aquela que descobriu que o marido ficou com você?
Lu: É mas ela acha que ele ficou com você!
Ane: Hã?
Lu: Ele sempre troca os nossos nomes.
Marjorie: Então, quem está em risco aqui é a Ane.
Ane: Ah, mas se ela vier tirar satisfação comigo, eu boto ele de frente com a Lu, e ele vai ter que falar na minha cara se fui eu mesma que fiquei com ele.
Lu: Aí, quem fica em risco sou eu.
Sara: Gente, vamos embora, porque essa história vai feder.
Lu: Vamos, porque só quem pode feder aqui hoje é o defunto!
Adalberto: É melhor. O cortejo já está para sair mesmo... Não quero ficar mais.
Marjorie: A tia Neide vai ficar?
Adalberto: Vai. Ela vai de carona com a tia Gorete e o tio Sonzinho.
Lu: Gente, vamos logo, senão vocês vão ter que arrumar um espaço para mim no caixão do tio Altair. A Marissérgia vai me matar se me vir aqui.
De lá, elas deram a ideia de irmos para um pé sujo beber. As pessoas que foram ao enterro do tio Altair voltaram a ser alvo dos nossos comentários felinos. Só perdoamos a minha mãe, o meu pai e o tio Altair.
E olhe lá!
Bronco-machão, fofo-bacaninha, sua derivações e a amizade das primas
Depois que me falaram que mulher só é amiga de mulher, que não é sua concorrente no quesito homem, entendi o porquê das minhas primas se darem tão bem. Estávamos num jantar megadespretensioso no La Fiorentina, no Leme, quando a Lu, que voltava do banheiro, deu o pontapé inicial pro assunto esclarecedor:
Lu: Gente, parecia que eu nunca mais ia parar de mijar... Também bebi tanta Coca Zero...
Ane: Ai, Lu, mulher não mija. Faz xixi!
Lu: Ai, eu, sei. Mas desde que eu comecei a ficar com o Ruy, peguei o hábito de falar assim, que nem ele...
Ane: O Ruy é aquele PM, que você ficou numa blitz?
Marjorie: Como assim?
Lu: Ele mandou eu encostar... O meu carro estava com o documento atrasado, e como eu não tinha um centavo pra dar de propina pro cara, eu dei pra ele!
Só ela e a Ane riram...
Marjorie: Meu Deus!
Adalberto: Uma senhora propina!
Ane: Mas é bom que fique claro que, se ela não quisesse, eu me encarregaria desse trabalho árduo.
Sara: Esse Ruy, hein! Devia ser bom.
Lu: Ah, nem fala, prima! O cara era muito bom! Foi muito bom, enquanto durou...
Adalberto: Mas já que o Ruy foi dessa pra uma melhor, é hora de uma mudança de hábito. Mulher faz xixi e homem mija. Tá combinado assim?
Lu: Está bem, Adal. Você adora me criticar.
Adalberto: Não é isso.
Sara: Primo, sabia que, às vezes, eu também me pego dizendo que vou ao banheiro mijar. Por causa do Oswaldo! Ele não acha feio comigo...
Marjorie: Porque ele é homem bronco-machão...
Sara: Eu gosto de homem bronco-machão.
Lu: Eu já gosto de quem parece fofo-bacaninha, mas é bronco-machão.
Sara: Ah, não! Pra mim, o cara tem que parecer bronco-machão e ser bronco-machão!
Marjorie: Eu já gosto do fofo-bacaninha genuíno.
Ane: E eu prefiro o que parece bronco-machão, mas que na verdade é fofo-bacaninha.
Adalberto: Mas o Ruy era o quê, então?
Lu e Ane: Bronco-machão.
Adalberto: Bronco-machão puro?
Lu: Puríssimo!
Ane: O cara é policial, né, primo?
Sara: Então, vocês precisam rever os seus conceitos, porque acabaram de falar que preferem outro estilo de homem.
Lu: A gente prefere, bonita, mas pra evitar uma multa, qualquer coisa tá valendo.
Blitz policial à parte, elas nunca vão brigar entre si por causa de homem. E que a amizade entre as minhas primas seja eterna, enquanto durarem as diferenças do sexo masculino!
Lu: Gente, parecia que eu nunca mais ia parar de mijar... Também bebi tanta Coca Zero...
Ane: Ai, Lu, mulher não mija. Faz xixi!
Lu: Ai, eu, sei. Mas desde que eu comecei a ficar com o Ruy, peguei o hábito de falar assim, que nem ele...
Ane: O Ruy é aquele PM, que você ficou numa blitz?
Marjorie: Como assim?
Lu: Ele mandou eu encostar... O meu carro estava com o documento atrasado, e como eu não tinha um centavo pra dar de propina pro cara, eu dei pra ele!
Só ela e a Ane riram...
Marjorie: Meu Deus!
Adalberto: Uma senhora propina!
Ane: Mas é bom que fique claro que, se ela não quisesse, eu me encarregaria desse trabalho árduo.
Sara: Esse Ruy, hein! Devia ser bom.
Lu: Ah, nem fala, prima! O cara era muito bom! Foi muito bom, enquanto durou...
Adalberto: Mas já que o Ruy foi dessa pra uma melhor, é hora de uma mudança de hábito. Mulher faz xixi e homem mija. Tá combinado assim?
Lu: Está bem, Adal. Você adora me criticar.
Adalberto: Não é isso.
Sara: Primo, sabia que, às vezes, eu também me pego dizendo que vou ao banheiro mijar. Por causa do Oswaldo! Ele não acha feio comigo...
Marjorie: Porque ele é homem bronco-machão...
Sara: Eu gosto de homem bronco-machão.
Lu: Eu já gosto de quem parece fofo-bacaninha, mas é bronco-machão.
Sara: Ah, não! Pra mim, o cara tem que parecer bronco-machão e ser bronco-machão!
Marjorie: Eu já gosto do fofo-bacaninha genuíno.
Ane: E eu prefiro o que parece bronco-machão, mas que na verdade é fofo-bacaninha.
Adalberto: Mas o Ruy era o quê, então?
Lu e Ane: Bronco-machão.
Adalberto: Bronco-machão puro?
Lu: Puríssimo!
Ane: O cara é policial, né, primo?
Sara: Então, vocês precisam rever os seus conceitos, porque acabaram de falar que preferem outro estilo de homem.
Lu: A gente prefere, bonita, mas pra evitar uma multa, qualquer coisa tá valendo.
Blitz policial à parte, elas nunca vão brigar entre si por causa de homem. E que a amizade entre as minhas primas seja eterna, enquanto durarem as diferenças do sexo masculino!
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Um Adalberto incomoda muita gente...
Há uns dois meses e meio, mais ou menos, eu estava tomando uma cachaça na Academia da Cachaça do Leblon com uns amigos, quando a Lu me ligou desesperada, sentindo pontadas fortes no coração. Apesar do falatório e da quinta cachaça que eu tinha tomado... Quinta? Não lembro. Enfim, eu consegui entender que a Lu estava sentindo pontadas fortes coração. Fui correndo pegar o carro. Nem lembro se paguei a conta. A Marjorie estava no Vegetariano Social Clube com um cara:
Marjorie: Adal!
Adalberto: A Lu tá morrendo!
Marjorie: O quê?
Adalberto: Você tá bem pra dirigir?
Marjorie: Não, mas ele tá. Demógenes, esse é o meu primo Adalberto.
Adalberto: Vamos, gente, é urgente!
Senti uma vontade louca de cantar a musiquinha, que sempre me vem à cabeça, quando conheço alguém com um nome fora do comum, como o meu. Enquanto corríamos pro carro, tentei esconder que estava rindo. Não cabia...
Marjorie: Tá rindo de que, seu louco?
Adalberto: Lembrei de uma besteira.
Marjorie: O quê?
Cheguei o mais próximo que podia do ouvido dela pra evitar que o carinha ouvisse:
Adalberto: "Um Adalberto incomoda muita gente // Um Adalberto e um Demógenes incomodam, incomodam muito mais".
Marjorie: Você tá proibido de voltar a beber nessa vida!
Sabe quando você ouve uma música podre e depois não consegue mais tirar ela da cabeça? Putz... Fui fazendo o sonzinho da música do "elefonte incomoda muita gente" do Leblon até Del Castilho, na casa Lu. É que tinham momentos em que eu abstraía completamente o que a gente estava indo fazer. O movimento gostosinho do carro e a cachaça faziam isso comigo... As tosses e os pigarros da Marjorie eram o que me traziam pra realidade.
Marjorie: É aqui. Estaciona ali, Demo.
Demo? Depois, ela não queria que eu risse...
Adalberto: Você sobe lá?
Marjorie: Subo. Vamos lá comigo, Demo.
Quando eles saíram do carro, vi que a Marjorie também ia ter um ataque do coração se visse o que eu estava vendo.
Adalberto: Jojô, volta aqui. Rápido! Demógenes o apartamento é o 406. Pega ela lá! Ela tá sozinha em casa.
Marjorie: O que foi, seu retardado? Tenho medo de quando você me chama assim.
Adalberto: E eu tenho medo da sua menstruação. Olha aqui o banco do carro.
Marjorie: Hã! Mas eu tô com absorvente e o Tampax.
Adalberto: Porra! Entra aí.
Marjorie: Pra onde a gente vai?
Adalberto: Vou esconder o carro do Demógenes ali no posto, você vai ficar limpando o banco e eu vou dizer que você sofreu um sequestro relâmpago.
Marjorie: Tá maluco?
Adalberto: Quer que ele veja o carro assim, todo cagado?
Marjorie: Não. Hoje é o nosso primeiro encontro.
Saí do carro, correndo pra frente do prédio da Lu. Fiquei um tempão lá embaixo esperando. O efeito da cachaça já tinha ido pro caralho. Eu acho... Esperei mais cinco minutos e resolvi subir. A Lu estava na maior discussão com o Demógenes. Será que eles desceram e não me viram lá embaixo? Será que ela achou que o Demógenes fez alguma coisa comigo e com a Marjorie? Arrombei a porta!
Lu: Adal!
Adalberto: Você tá bem?
Lu: Estava até esse cretino chegar.
Adalberto: Como assim? Você não estava sentindo pancadas fortes no coração?
Lu: Era de amor, primo. Você é tão inteligente e não entende uma metáfora?
Adalberto: Depois da quinta cachaça, eu não entendo mais nenhuma figura de linguagem. Não é só metáfora, não.
Aliás, quando eu fico bêbado, eu costumo falar inglês.
Lu: Tira esse cretino daqui! Foi ele que me sacaneou naquela viagem a Ouro Preto. Lembra que eu te falei?
Adalberto: Eu, não. O cara é legal, veio de Leblon pra cá, teve boa vontade de te pegar aqui... Pena que roubaram o carro dele e ainda levaram a Marjorie junto.
Lu: Mentira!
O Demógenes nem falou nada. Saiu varado. Foi confirmar a informação de um bêbado.
Lu: Vou ligar pra polícia!
Adalberto: Não! Liga pra Marjorie!
Lu: Por quê?
Adalberto: Porque é mentira. Você já tinha matado a charada! A gente escondeu o carro do Demógenes ali, no posto da esquina, porque ela sujou o banco do carro dele todo de mestruação.
Lu: Ai, que nojo.
Adalberto: Liga pra ela e manda ela suspender a limpeza. Diz que o cara não vale a pena.
Lu: Limpeza de quê?
Adalberto: Deixa que eu ligo. Alô, Jojô, para de limpar o banco do carro desse filho da puta. A Lu tá bem e tem altas histórias pra te contar dele. Parece que ele não presta... Sei lá, traz o carro de volta, diz pra ele que você, realmente, sofreu um sequestro relâmpago, mas apagou o bandido com uma gravatada, quando ele estava dirigindo e recuperou o carro... O sangue no banco? Sei lá. Fala que o teu anel cortou o pescoço do bandido, que ele desmaiou no teu colo e sujou a tua calça e o banco do carro. Pronto, vem logo! Beijo! Sua cagada!
Adalberto: Tadinha, ela estava limpando o banco do carro com um creme antirrugas e os guardanapos do Vegetariano Social Clube.
Lu: Ainda bem que, até hoje, a gente tem essa mania de levar guardanapo de restaurante pra casa, né primo.
Adalberto: Seja em Nova Iguaçu ou em Paris! Que fique bem claro!
Ficamos rindo da desgraça da Marjorie e de outras desgraças alheias. E, quando ela entrou no apartamento da Lu, já estávamos com a musiquinha na ponta da cabeça:
Lu e Adalberto: "Um Adalberto incomoda muita gente // Um Adalberto e um Demógenes incomodam, incomodam muito mais // Um Adalberto, um Demógenes e um ataque cardíaco da Lu incomodam, incomodam, incomodam muita gente // Um Adalberto, um Demógenes, um ataque cardíaco da Lu e uma menstruação da Marjorie incomodam, incomodam, incomodam, incomodam muito mais".
Marjorie: Adal!
Adalberto: A Lu tá morrendo!
Marjorie: O quê?
Adalberto: Você tá bem pra dirigir?
Marjorie: Não, mas ele tá. Demógenes, esse é o meu primo Adalberto.
Adalberto: Vamos, gente, é urgente!
Senti uma vontade louca de cantar a musiquinha, que sempre me vem à cabeça, quando conheço alguém com um nome fora do comum, como o meu. Enquanto corríamos pro carro, tentei esconder que estava rindo. Não cabia...
Marjorie: Tá rindo de que, seu louco?
Adalberto: Lembrei de uma besteira.
Marjorie: O quê?
Cheguei o mais próximo que podia do ouvido dela pra evitar que o carinha ouvisse:
Adalberto: "Um Adalberto incomoda muita gente // Um Adalberto e um Demógenes incomodam, incomodam muito mais".
Marjorie: Você tá proibido de voltar a beber nessa vida!
Sabe quando você ouve uma música podre e depois não consegue mais tirar ela da cabeça? Putz... Fui fazendo o sonzinho da música do "elefonte incomoda muita gente" do Leblon até Del Castilho, na casa Lu. É que tinham momentos em que eu abstraía completamente o que a gente estava indo fazer. O movimento gostosinho do carro e a cachaça faziam isso comigo... As tosses e os pigarros da Marjorie eram o que me traziam pra realidade.
Marjorie: É aqui. Estaciona ali, Demo.
Demo? Depois, ela não queria que eu risse...
Adalberto: Você sobe lá?
Marjorie: Subo. Vamos lá comigo, Demo.
Quando eles saíram do carro, vi que a Marjorie também ia ter um ataque do coração se visse o que eu estava vendo.
Adalberto: Jojô, volta aqui. Rápido! Demógenes o apartamento é o 406. Pega ela lá! Ela tá sozinha em casa.
Marjorie: O que foi, seu retardado? Tenho medo de quando você me chama assim.
Adalberto: E eu tenho medo da sua menstruação. Olha aqui o banco do carro.
Marjorie: Hã! Mas eu tô com absorvente e o Tampax.
Adalberto: Porra! Entra aí.
Marjorie: Pra onde a gente vai?
Adalberto: Vou esconder o carro do Demógenes ali no posto, você vai ficar limpando o banco e eu vou dizer que você sofreu um sequestro relâmpago.
Marjorie: Tá maluco?
Adalberto: Quer que ele veja o carro assim, todo cagado?
Marjorie: Não. Hoje é o nosso primeiro encontro.
Saí do carro, correndo pra frente do prédio da Lu. Fiquei um tempão lá embaixo esperando. O efeito da cachaça já tinha ido pro caralho. Eu acho... Esperei mais cinco minutos e resolvi subir. A Lu estava na maior discussão com o Demógenes. Será que eles desceram e não me viram lá embaixo? Será que ela achou que o Demógenes fez alguma coisa comigo e com a Marjorie? Arrombei a porta!
Lu: Adal!
Adalberto: Você tá bem?
Lu: Estava até esse cretino chegar.
Adalberto: Como assim? Você não estava sentindo pancadas fortes no coração?
Lu: Era de amor, primo. Você é tão inteligente e não entende uma metáfora?
Adalberto: Depois da quinta cachaça, eu não entendo mais nenhuma figura de linguagem. Não é só metáfora, não.
Aliás, quando eu fico bêbado, eu costumo falar inglês.
Lu: Tira esse cretino daqui! Foi ele que me sacaneou naquela viagem a Ouro Preto. Lembra que eu te falei?
Adalberto: Eu, não. O cara é legal, veio de Leblon pra cá, teve boa vontade de te pegar aqui... Pena que roubaram o carro dele e ainda levaram a Marjorie junto.
Lu: Mentira!
O Demógenes nem falou nada. Saiu varado. Foi confirmar a informação de um bêbado.
Lu: Vou ligar pra polícia!
Adalberto: Não! Liga pra Marjorie!
Lu: Por quê?
Adalberto: Porque é mentira. Você já tinha matado a charada! A gente escondeu o carro do Demógenes ali, no posto da esquina, porque ela sujou o banco do carro dele todo de mestruação.
Lu: Ai, que nojo.
Adalberto: Liga pra ela e manda ela suspender a limpeza. Diz que o cara não vale a pena.
Lu: Limpeza de quê?
Adalberto: Deixa que eu ligo. Alô, Jojô, para de limpar o banco do carro desse filho da puta. A Lu tá bem e tem altas histórias pra te contar dele. Parece que ele não presta... Sei lá, traz o carro de volta, diz pra ele que você, realmente, sofreu um sequestro relâmpago, mas apagou o bandido com uma gravatada, quando ele estava dirigindo e recuperou o carro... O sangue no banco? Sei lá. Fala que o teu anel cortou o pescoço do bandido, que ele desmaiou no teu colo e sujou a tua calça e o banco do carro. Pronto, vem logo! Beijo! Sua cagada!
Adalberto: Tadinha, ela estava limpando o banco do carro com um creme antirrugas e os guardanapos do Vegetariano Social Clube.
Lu: Ainda bem que, até hoje, a gente tem essa mania de levar guardanapo de restaurante pra casa, né primo.
Adalberto: Seja em Nova Iguaçu ou em Paris! Que fique bem claro!
Ficamos rindo da desgraça da Marjorie e de outras desgraças alheias. E, quando ela entrou no apartamento da Lu, já estávamos com a musiquinha na ponta da cabeça:
Lu e Adalberto: "Um Adalberto incomoda muita gente // Um Adalberto e um Demógenes incomodam, incomodam muito mais // Um Adalberto, um Demógenes e um ataque cardíaco da Lu incomodam, incomodam, incomodam muita gente // Um Adalberto, um Demógenes, um ataque cardíaco da Lu e uma menstruação da Marjorie incomodam, incomodam, incomodam, incomodam muito mais".
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
O passeio antropológico à Via Show
Fomos eu, Ane, Lu e Marjorie ao aniversário da Babi, uma amiga das meninas da época em que a gente passava as férias de verão em Cabo Frio. Há mil anos atrás. Ela teve a coragem de comemorar a data na Via Show, em São João de Meriti. Mas como eu e as minhas primas já estávamos a fim de fazer um passeio antropológico há tempos, isso veio a calhar.
Adalberto: De que você tá rindo?
Marjorie: Da roupa daquela menina. Deve ser um vestido de casamento velho, que não serve mais.
Ane: O legal é que ela passou creme no cabelo molhado e, agora, está pingando uma água xexelenta nas costas dela.
Lu: Parece água de poço.
Marjorie: Que nojo.
Ane: Gente, olha a Babi dançando!
Adalberto: Ela se joga, né?
Lu: Muito! Sempre foi porra louca essa aí.
Marjorie: Porra louca sou eu. Aquilo ali foi porra louca até os 10 anos.
Ane: Dos 10 aos 20, virou piranha.
Marjorie: E dos 20 até hoje, ela tá vivendo a fase de rampeira de beira de estrada.
Adalberto: Ou seja, ano que vem, ela começa uma nova fase na vida dela?
Lu: Se ela estiver viva até lá, sim.
Ane: Mas vai ser para uma fase que a nossa mente não consegue alcançar.
Marjorie: Que nada! O pansexualismo está aí, querida! Acho que ela parte para essa nova empreitada.
A Lu, que se entretia com um cara, com quem se esfregava ardentemente, resolveu se manifestar:
Lu: Gente, ela só está se divertindo.
Adalberto: E, pelo visto, você também.
Marjorie: Gente, eu estou vendo isso? A Lu tá ficando com esse afrodescendentezinho de cabelo loiro?
Adalberto: Pois é. Eu também só vi isso agora.
Ane: Será que a origem dele é duvidosa?
Marjorie: Não sei. Só sei que duvidosa rima com perigosa.
Adalberto: Olha o preconceito!
Marjorie: Rima não é preconceito, Adal. É um dos elementos da poesia.
A gente mal começou a rir, quando um cara puxou o cabelo da Ane:
Ane: Ai!
Marjorie: Seu louco! Larga o cabelo dela!
Eu tive que segurar a bolsa da Marjorie, que já ia sendo arremessada na cabeça do rapaz.
Adalberto: Tá drogada? Quer morrer?
Passado o susto inicial, Ane já estava em plena harmonia com o suposto agressor.
Marjorie: Essa aí não tem vergonha na cara, né?
Adalberto: Deixa ela. Ninguém que ela conhece, tirando a gente, está vendo isso. Vamos dançar essa música do MC Marcinho, que é a melhor coisa que a gente faz.
E quando, finalmente, a Marjorie conseguiu transcender e se acabar no funk, o Celsinho Carmona, um de seus clientes mais importantes, tropeçou nela. Isso mesmo! Justo na hora que ela tinha acabado de rever todos os seus conceitos e foi com tudo até o chão. Detalhe: eu também estava nesse barco.
Marjorie: Celsinho!
Foi a única coisa que ela conseguiu proferir.
Celsinho: O que você está fazendo aqui no chão, menina?
Na minha opinião, a pergunta deveria ser: "O que você está fazendo aqui na Via Show, sua louca?"
Marjorie: Minha bolsa caiu.
Celsinho: Tudo bem?
Ela não se preocupava em outra coisa, a não ser se explicar.
Marjorie: Eu vim aqui pro aniversário de uma amiga, mas já estou louca pra ir embora.
Celsinho: Ah, legal.
Marjorie: É uma amiga de Cabo Frio.
Celsinho: Legal.
Era o máximo que ele conseguia responder. E continuava acrescentando novas informações sobre o nosso passeio antropológico.
Marjorie: A gente conheceu ela, quando íamos passar as férias de verão em família na Região dos Lagos. O pai dele tinha casa lá. Esse que é o meu primo Adalberto, que eu tanto falo.
Celsinho: Ah, legal! Tudo bem, Adalberto?
Adalberto: Tudo bem?
Celsinho: Vocês vieram sozinhos?
Adalberto: Nós?
Eu olhei pra trás, e vi que a Lu e a Ane continuavam atracadas aos seus respectivos e, antes de pensar em qualquer resposta...
Marjorie: Viemos sozinhos! Eu e o Adal só! Mais ninguém!
Celsinho: Legal! Eu vim fazer uma pesquisa de estilo para um filme, ambientado na favela.
Marjorie: Você já estava aqui há muito tempo?
Celsinho: Nossa, eu abri isso aqui praticamente.
O desespero bateu e Marjorie não conseguiu esconder a preocupação. Será que o Celsinho viu a gente descendo até o chão?
Marjorie: Jura que você chegou cedo aqui?
Celsinho: Para você ter uma noção, o bilhete da minha cerveja foi o de número 1.
A Marjorie deu uma risada muito da sem graça e tratou de mudar logo o rumo da prosa.
Marjorie: Vocês topam sair? Para mim, isso aqui já deu.
Celsinho: Vamos, sim. Eu só ia me despedir dos filhos da minha empregada doméstica, mas eles estão ali num beijo tão caloroso com umas meninas danadinhas, que eu não vou atrapalhar. Olha ali que baixaria, gente!
Eram os meninos mal encarados que estavam ficando com a Lu e a Ane!
Marjorie: E mesmo que você tentasse atrapalhar, eu não ia deixar. Deixa os meninos amarem, Celsinho! Vamos.
A Marjorie puxou o Celsinho pelo braço, como se ele fosse seu amigo há 300 anos. Eu segui eles dois até um determinado ponto e, sorrateiramente, fingi que me perdi. Sabia que a Marjorie ia entender que eu não podia deixar as minhas primas naquele lugar sozinhas com aqueles rapazes medonhos. Ela, com certeza, se encarregou de dar uma boa desculpa pro Celsinho, por eu ter sumido.
No mais, continuei me divertindo com tudo o que estava vendo por lá e, no meio da multidão, eu parecia apenas mais um.
Adalberto: De que você tá rindo?
Marjorie: Da roupa daquela menina. Deve ser um vestido de casamento velho, que não serve mais.
Ane: O legal é que ela passou creme no cabelo molhado e, agora, está pingando uma água xexelenta nas costas dela.
Lu: Parece água de poço.
Marjorie: Que nojo.
Ane: Gente, olha a Babi dançando!
Adalberto: Ela se joga, né?
Lu: Muito! Sempre foi porra louca essa aí.
Marjorie: Porra louca sou eu. Aquilo ali foi porra louca até os 10 anos.
Ane: Dos 10 aos 20, virou piranha.
Marjorie: E dos 20 até hoje, ela tá vivendo a fase de rampeira de beira de estrada.
Adalberto: Ou seja, ano que vem, ela começa uma nova fase na vida dela?
Lu: Se ela estiver viva até lá, sim.
Ane: Mas vai ser para uma fase que a nossa mente não consegue alcançar.
Marjorie: Que nada! O pansexualismo está aí, querida! Acho que ela parte para essa nova empreitada.
A Lu, que se entretia com um cara, com quem se esfregava ardentemente, resolveu se manifestar:
Lu: Gente, ela só está se divertindo.
Adalberto: E, pelo visto, você também.
Marjorie: Gente, eu estou vendo isso? A Lu tá ficando com esse afrodescendentezinho de cabelo loiro?
Adalberto: Pois é. Eu também só vi isso agora.
Ane: Será que a origem dele é duvidosa?
Marjorie: Não sei. Só sei que duvidosa rima com perigosa.
Adalberto: Olha o preconceito!
Marjorie: Rima não é preconceito, Adal. É um dos elementos da poesia.
A gente mal começou a rir, quando um cara puxou o cabelo da Ane:
Ane: Ai!
Marjorie: Seu louco! Larga o cabelo dela!
Eu tive que segurar a bolsa da Marjorie, que já ia sendo arremessada na cabeça do rapaz.
Adalberto: Tá drogada? Quer morrer?
Passado o susto inicial, Ane já estava em plena harmonia com o suposto agressor.
Marjorie: Essa aí não tem vergonha na cara, né?
Adalberto: Deixa ela. Ninguém que ela conhece, tirando a gente, está vendo isso. Vamos dançar essa música do MC Marcinho, que é a melhor coisa que a gente faz.
E quando, finalmente, a Marjorie conseguiu transcender e se acabar no funk, o Celsinho Carmona, um de seus clientes mais importantes, tropeçou nela. Isso mesmo! Justo na hora que ela tinha acabado de rever todos os seus conceitos e foi com tudo até o chão. Detalhe: eu também estava nesse barco.
Marjorie: Celsinho!
Foi a única coisa que ela conseguiu proferir.
Celsinho: O que você está fazendo aqui no chão, menina?
Na minha opinião, a pergunta deveria ser: "O que você está fazendo aqui na Via Show, sua louca?"
Marjorie: Minha bolsa caiu.
Celsinho: Tudo bem?
Ela não se preocupava em outra coisa, a não ser se explicar.
Marjorie: Eu vim aqui pro aniversário de uma amiga, mas já estou louca pra ir embora.
Celsinho: Ah, legal.
Marjorie: É uma amiga de Cabo Frio.
Celsinho: Legal.
Era o máximo que ele conseguia responder. E continuava acrescentando novas informações sobre o nosso passeio antropológico.
Marjorie: A gente conheceu ela, quando íamos passar as férias de verão em família na Região dos Lagos. O pai dele tinha casa lá. Esse que é o meu primo Adalberto, que eu tanto falo.
Celsinho: Ah, legal! Tudo bem, Adalberto?
Adalberto: Tudo bem?
Celsinho: Vocês vieram sozinhos?
Adalberto: Nós?
Eu olhei pra trás, e vi que a Lu e a Ane continuavam atracadas aos seus respectivos e, antes de pensar em qualquer resposta...
Marjorie: Viemos sozinhos! Eu e o Adal só! Mais ninguém!
Celsinho: Legal! Eu vim fazer uma pesquisa de estilo para um filme, ambientado na favela.
Marjorie: Você já estava aqui há muito tempo?
Celsinho: Nossa, eu abri isso aqui praticamente.
O desespero bateu e Marjorie não conseguiu esconder a preocupação. Será que o Celsinho viu a gente descendo até o chão?
Marjorie: Jura que você chegou cedo aqui?
Celsinho: Para você ter uma noção, o bilhete da minha cerveja foi o de número 1.
A Marjorie deu uma risada muito da sem graça e tratou de mudar logo o rumo da prosa.
Marjorie: Vocês topam sair? Para mim, isso aqui já deu.
Celsinho: Vamos, sim. Eu só ia me despedir dos filhos da minha empregada doméstica, mas eles estão ali num beijo tão caloroso com umas meninas danadinhas, que eu não vou atrapalhar. Olha ali que baixaria, gente!
Eram os meninos mal encarados que estavam ficando com a Lu e a Ane!
Marjorie: E mesmo que você tentasse atrapalhar, eu não ia deixar. Deixa os meninos amarem, Celsinho! Vamos.
A Marjorie puxou o Celsinho pelo braço, como se ele fosse seu amigo há 300 anos. Eu segui eles dois até um determinado ponto e, sorrateiramente, fingi que me perdi. Sabia que a Marjorie ia entender que eu não podia deixar as minhas primas naquele lugar sozinhas com aqueles rapazes medonhos. Ela, com certeza, se encarregou de dar uma boa desculpa pro Celsinho, por eu ter sumido.
No mais, continuei me divertindo com tudo o que estava vendo por lá e, no meio da multidão, eu parecia apenas mais um.
Assinar:
Postagens (Atom)
