A Lu me ligou ontem com um certo desespero na voz.
Adalberto: O que foi que aconteceu?
Lu: Promete não contar para ninguém?
Adalberto: Algum dia eu traí a sua confiança?
Lu: Adal, o babado agora é sério. caso de polícia.
Adalberto: Ai, meu Deus. Não sei se eu quero saber.
Mentira. Eu estava morrendo de curiosidade, mas me utilizei de métodos da Psicologia.
Lu: Como assim? Só você pode me ajudar, primo.
Adalberto: Será? Você mesma estava com dúvidas se ia me contar ou não. Acho melhor deixar para lá.
Lu: Não, Adal. Eu preciso falar isso com você agora.
Essa foi a deixa para eu parar de me fazer de difícil.
Adalberto: Então, fala agora.
Lu: Eu estou por trás do caso "Laptop Carolina Dieckman".
Adalberto: Ã?
Lu: Isso mesmo que você ouviu.
Adalberto: Como assim?
Lu: Eu coloquei o meu laptop para consertar no mesmo lugar que ela. E detalhe: eles são idênticos. Têm os mesmos adesivos da Hello Kitty, escondendo a marca do computador, inclusive.
Adalberto: E por que você enviou as fotos dela para o tal site inglês? Eu sei que você acha a pobre coitada metida a besta, mas isso também é golpe baixo.
Lu: Está maluco, garoto? Eu jamais faria isso com ela. Até porque ela pode fazer bem pior comigo. Você não tem ideia do que tem no meu laptop.
Adalberto: O seu laptop está com ela?
Lu: Não. Está comigo. Eu destroquei os computadores no mesmo dia, mas acabei salvando as fotos dela no meu pen drive.
Adalberto: E quem mandou para o site inglês?
Lu: O Italvino.
Adalberto: Aquele do New Beatle preto?
Lu: Não. O Italvino é o do New Beatle prata.
Adalberto: Como ele fez isso?
Lu: Eu contei para ele das fotos nuas e ele me roubou.
Adalberto: Como?
Lu: Não sei. Eu não vi, primo. Ele mesmo disse que não queria ver nenhuma Carolina Dieckman nua, porque eu sou bem melhor que ela.
Adalberto: E você acreditou?
Lu: Que Vai à merda, primo. O meu homem tem que me achar melhor do que a Carolina Dieckman, que a Juliana Paes, que a Deborah Secco e que a Taís Araújo juntas!
Adalberto: Eu não estou falando disso, sua desligada. Como você pode confiar num cara que só pensa em dinheiro? E que tem fama de que não vele nada! E que sacaneou todas as ex-mulheres! É claro que ele ia querer ver as fotos da Carolina Dieckman para ter noção do suborno, que ele fazer para a garota.
Lu: Agora, ele está ferrado.
Adalberto: E você também.
Lu: Eu sei, Adal. Me ajuda. Me tira dessa.
Adalberto: Tiro. Vamos agora tomar um chope e relaxar.
Lu: Como assim? Eu estou quase sendo presa e você me chama para tomar um chope, primo?
Adalberto: Ué, o que não tem remédio, remediado está, baby. Vamos encher a cara até conseguir rir disso tudo.
Lu: Sabe que não é uma má ideia. Me pega aqui em casa?
Adalberto: Em quinze minutos.
Lu: Estou te esperando, então. Beijo.
No terceiro chope, a gente já estava fazendo piada disso tudo. A Lu teve até a cara de pau de dizer que acha que tem o corpo parecido com o da Carolina Dieckman. Coitada. O que umas doses de álcool no sangue não fazem com a pessoa...
Essa história, no entanto, ainda não tem um fim. O caso ainda corre na Justiça. A boa notícia é que, ontem, a atriz foi prestar depoimento na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e, em nenhum momento, citaram o nome da Lu. Nem o do Italvino.
Por ora, a única coisa que podemos fazer é rezar. E beber, claro!
terça-feira, 8 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Credibilidade do carioca arruina Projeto Pegação de Ane
Na terça-feira, foi feriado do Dia do Trabalhador e choveu pacas no Rio. Mesmo assim, fui com a Ane à praia.
Ane: Adal, não é muita loucura nossa ir à praia, debaixo desse temporal?
Adalberto: Loucura é esse tempo, que discrimina o trabalhador.
Ane: Primo, a Natureza sabe o que faz.
Eu concordo com essa máxima. Mas, como eu estava de ovo virado, quis discordar de tudo o que vinha pela frente.
Adalberto: Ane, a Natureza não sabe de bosta nenhuma!
Ane: Ih, que pessoa amarga.
Chegamos à praia e constatamos que não éramos os únicos loucos. Havia dois loucos se banhando no mar gélido de Ipanema.
Ane: Aquele lá não é o seu amigo espanhol, que veio morar no Brasil há pouco tempo?
Adalberto: O Miguel?
Ane: Isso.
Adalberto: Ih, é ele mesmo. Vamos lá.
Ane: Mas a água não está gelada?
Adalberto: Melhor essa água gelada do que ficar dentro de casa.
Mergulhamos. E quase morremos congelados.
Adalberto: Ane, você está se afogando?
Ane: A minha batata da perna ficou dura, e eu estou sentindo muita dor.
Adalberto: Isso é cãibra.
Ane: Então, me tira daqui! Eu não estou conseguindo me mexer!
O Miguel e o outro espanhol, que eu não conhecia, me ajudaram a salvar a Ane de um princípio de afogamento. Enquanto carregávamos a minha prima para a areia, o Miguel cuidou das apresentações.
Miguel: Adal, esse é o meu amigo José Luis Fernández, de Madri. Veio passar férias no Rio.
Adalberto: Muito prazer, querido. Depois que a gente terminar de carregar a minha prima, eu aperto a sua mão.
José Luis: Claro.
Colocamos a minha prima deitada na areia e uma pergunta mudou todo o rumo da prosa.
José Luis: Ela está afogada? Eu sei fazer respiração boca-a-boca.
Adalberto: Não. É só uma cãibra.
Levei um beliscão e mudei o discurso.
Adalberto: Olha, José Luis, acha que ela se afogou, sim.
O Miguel ficou me olhando com cara de "como assim, ela não está com cãibra?", mas eu o ignorei solenemente e continuei com a ajuda à prima necessitada.
Adalberto: Você tem como fazer uma respiraçãozinha boca-a-boca nela? Coisa rápida.
Quando eu minto, apelo para os diminutivos. Não sei, parece que ameniza.
José Luis: Claro.
A Ane, inexperiente em receber respiração boca-a-boca, acabou colocando a língua onde não devia. E o espanhol espertinho não demonstrou o mínimo de estranheza. Afogou a minha prima de saliva madrilenha.
Miguel: Eles estão se beijando?
Adalberto: Parece que sim, Miguel.
Quando deu por si que a cena do beijo já estava ficando meio over, José Luis resolveu disfarçar.
José Luis: Acho que, agora, ela está bem.
Adalberto: Você acha? Eu tenho certeza.
Ane: Mi español, você salvou a minha vida. Eu te amo.
Adalberto: Como assim? Gente, ela fica doida depois que se afoga e fala coisas sem sentido. Vamos embora, Ane.
Ane: Mentira. Gente, eu não estou louca. Miguel, passa lá em casa depois para tomar um cafezinho. vai com ele José Luis.
José Luis: Claro.
Miguel: Pode deixar, queridinha. A gente vai, sim. Em duas horas estaremos na sua casa.
Passou-se duas, três, quatro e nada dos espanhóis.
Adalberto: Estranho... Os espanhóis são tão cartesianos. Se você marca com eles às oito e dezessete, você pode ter certeza que eles vão estar às oito e dezessete no lugar combinado.
Ane: Então, será que o José Luis não gostou de mim?
Adalberto: Não sei. Pode ser tudo, Ane.
Depois de meia-hora, ouvindo as possibilidades que saíam da cabeça neurótica da Ane, resolvi ligar para o Miguel, para saber o que aconteceu.
Miguel: Alô.
Adalberto: Miguel, a gente está esperando vocês até agora aqui na casa da Ane. Você disse que iam chegar em duas horas, e até agora nada.
Miguel: Ah, dessa vez era verdade?
Adalberto: Como assim?
Miguel: Eu já fui convidado para uns dez cafezinhos, desde que vim morar no Brasil. Mas, quando chegava na casa das pessoas no horário combinado, ou não tinha ninguém pronto muito menos cafezinho ou não tinha ninguém em casa. Não confio mais nos cariocas.
Adalberto: E o José Luis.
Miguel: Foi sair com uma menina.
Adalberto: Ah, está ok.
E desliguei o telefone, assim, sem contestá-lo à altura.
Quem ele pensa que é? E quem ele pensa que eu sou? E a minha prima? Esse tal de José Luis pensa que é fácil sair beijando, assim, na praia e depois desaparece?
Eu devia ter enumerado um monte de defeitos dos espanhóis. Mas nada me veio à cabeça. Vai ver eles não têm defeitos. Ou os defeitos deles são tão pequenos que passam despercebido.
Adalberto: Ane, eu devia ter dito alguma coisa nesse sentido! Que eles são tão insignificantes, tão pequenos, que não se destacam nem pelos seus defeitos.
Ane: Adal, mas isso é bem coisa de carioca, primo. Achar que é O CARA, porque tem defeitos maiores que os outros. Isso é um erro, primo.
Pior é que mais uma vez, eu concordo com a Ane. Mas, como eu ainda estava de ovo virado, respondi como um carioca, no maior sentido pejorativo, que essa palavra pode ter.
Adalberto: Verdade. É um erro. Mas eu não tenho dúvidas que nós cariocas somos OS CARAS.
E não me apedrejem por isso! Eu só estava fora de mim...
Adoro todas as naturalidades do Brasil e do mundo.
Ane: Adal, não é muita loucura nossa ir à praia, debaixo desse temporal?
Adalberto: Loucura é esse tempo, que discrimina o trabalhador.
Ane: Primo, a Natureza sabe o que faz.
Eu concordo com essa máxima. Mas, como eu estava de ovo virado, quis discordar de tudo o que vinha pela frente.
Adalberto: Ane, a Natureza não sabe de bosta nenhuma!
Ane: Ih, que pessoa amarga.
Chegamos à praia e constatamos que não éramos os únicos loucos. Havia dois loucos se banhando no mar gélido de Ipanema.
Ane: Aquele lá não é o seu amigo espanhol, que veio morar no Brasil há pouco tempo?
Adalberto: O Miguel?
Ane: Isso.
Adalberto: Ih, é ele mesmo. Vamos lá.
Ane: Mas a água não está gelada?
Adalberto: Melhor essa água gelada do que ficar dentro de casa.
Mergulhamos. E quase morremos congelados.
Adalberto: Ane, você está se afogando?
Ane: A minha batata da perna ficou dura, e eu estou sentindo muita dor.
Adalberto: Isso é cãibra.
Ane: Então, me tira daqui! Eu não estou conseguindo me mexer!
O Miguel e o outro espanhol, que eu não conhecia, me ajudaram a salvar a Ane de um princípio de afogamento. Enquanto carregávamos a minha prima para a areia, o Miguel cuidou das apresentações.
Miguel: Adal, esse é o meu amigo José Luis Fernández, de Madri. Veio passar férias no Rio.
Adalberto: Muito prazer, querido. Depois que a gente terminar de carregar a minha prima, eu aperto a sua mão.
José Luis: Claro.
Colocamos a minha prima deitada na areia e uma pergunta mudou todo o rumo da prosa.
José Luis: Ela está afogada? Eu sei fazer respiração boca-a-boca.
Adalberto: Não. É só uma cãibra.
Levei um beliscão e mudei o discurso.
Adalberto: Olha, José Luis, acha que ela se afogou, sim.
O Miguel ficou me olhando com cara de "como assim, ela não está com cãibra?", mas eu o ignorei solenemente e continuei com a ajuda à prima necessitada.
Adalberto: Você tem como fazer uma respiraçãozinha boca-a-boca nela? Coisa rápida.
Quando eu minto, apelo para os diminutivos. Não sei, parece que ameniza.
José Luis: Claro.
A Ane, inexperiente em receber respiração boca-a-boca, acabou colocando a língua onde não devia. E o espanhol espertinho não demonstrou o mínimo de estranheza. Afogou a minha prima de saliva madrilenha.
Miguel: Eles estão se beijando?
Adalberto: Parece que sim, Miguel.
Quando deu por si que a cena do beijo já estava ficando meio over, José Luis resolveu disfarçar.
José Luis: Acho que, agora, ela está bem.
Adalberto: Você acha? Eu tenho certeza.
Ane: Mi español, você salvou a minha vida. Eu te amo.
Adalberto: Como assim? Gente, ela fica doida depois que se afoga e fala coisas sem sentido. Vamos embora, Ane.
Ane: Mentira. Gente, eu não estou louca. Miguel, passa lá em casa depois para tomar um cafezinho. vai com ele José Luis.
José Luis: Claro.
Miguel: Pode deixar, queridinha. A gente vai, sim. Em duas horas estaremos na sua casa.
Passou-se duas, três, quatro e nada dos espanhóis.
Adalberto: Estranho... Os espanhóis são tão cartesianos. Se você marca com eles às oito e dezessete, você pode ter certeza que eles vão estar às oito e dezessete no lugar combinado.
Ane: Então, será que o José Luis não gostou de mim?
Adalberto: Não sei. Pode ser tudo, Ane.
Depois de meia-hora, ouvindo as possibilidades que saíam da cabeça neurótica da Ane, resolvi ligar para o Miguel, para saber o que aconteceu.
Miguel: Alô.
Adalberto: Miguel, a gente está esperando vocês até agora aqui na casa da Ane. Você disse que iam chegar em duas horas, e até agora nada.
Miguel: Ah, dessa vez era verdade?
Adalberto: Como assim?
Miguel: Eu já fui convidado para uns dez cafezinhos, desde que vim morar no Brasil. Mas, quando chegava na casa das pessoas no horário combinado, ou não tinha ninguém pronto muito menos cafezinho ou não tinha ninguém em casa. Não confio mais nos cariocas.
Adalberto: E o José Luis.
Miguel: Foi sair com uma menina.
Adalberto: Ah, está ok.
E desliguei o telefone, assim, sem contestá-lo à altura.
Quem ele pensa que é? E quem ele pensa que eu sou? E a minha prima? Esse tal de José Luis pensa que é fácil sair beijando, assim, na praia e depois desaparece?
Eu devia ter enumerado um monte de defeitos dos espanhóis. Mas nada me veio à cabeça. Vai ver eles não têm defeitos. Ou os defeitos deles são tão pequenos que passam despercebido.
Adalberto: Ane, eu devia ter dito alguma coisa nesse sentido! Que eles são tão insignificantes, tão pequenos, que não se destacam nem pelos seus defeitos.
Ane: Adal, mas isso é bem coisa de carioca, primo. Achar que é O CARA, porque tem defeitos maiores que os outros. Isso é um erro, primo.
Pior é que mais uma vez, eu concordo com a Ane. Mas, como eu ainda estava de ovo virado, respondi como um carioca, no maior sentido pejorativo, que essa palavra pode ter.
Adalberto: Verdade. É um erro. Mas eu não tenho dúvidas que nós cariocas somos OS CARAS.
E não me apedrejem por isso! Eu só estava fora de mim...
Adoro todas as naturalidades do Brasil e do mundo.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Uma estrela nunca paga a conta
Ontem, eu estava quase dormindo, quando a Lu me ligou.
Adalberto: Fala, gatona.
Lu: Está ocupado?
Adalberto: Não. Já estava me preparando para dormir.
Lu: Primo, eu estou muito mal. O Neneco disse que eu sou muito escandalosa para ele.
Adalberto: E você acha ruim ser escandalosa?
Lu: O Neneco acha que sim.
Adalberto: E quem é o Neneco na noite londrina?
Lu: Ah, Adal, para!
Adalberto: Não, não é assim, "para". Quando alguém te falar, que não está satisfeito por alguma coisa, que está em você, você lamenta e pensa: quem é essa pessoa na noite londrina? Quem é esse cara de pau no inverno da Sibéria? Quem é esse babaca no Planeta dos Macacos? Você vai ver que, em algum lugar, essa a pessoa não é nada. Mas você, sim, em todos esses lugares que eu falei, tem que ser ou fazer de tudo para ser alguma coisa. Senão, meu bem...
Lu: Ai, primo, os seus discursos motivacionais são ótimos, mas eu tenho preguiça para esse papo de consultor de RH.
Adalberto: Então, valeu. Vamos para um bar encher a cara e falar merda, então? Você me fez perder o sono.
Lu: Eu?
Adalberto: É, Dona Lu. Você me tira o sono!
Lu: Estou dentro.
Eu já tinha parado de marcar com pauzinhos com a caneta sobre a toalha de papel da mesa, quando o tal do Neneco resolveu passar na frente do bar, onde eu estava enfiando o pé na jaca com a Lu.
Lu: Adal! Adalberto: O quê?
Lu: Para tudo!
Adalberto: Por que "para tudo"? Isso inclui parar de beber?
Lu: O Neneco vai passar atrás de você agora. Disfarça. Estou muito escandalosa?
Adalberto: Não. Mas vai ficar agora.
Lu: Como assim?
No bar tinha uma musiquinha ao vivo cafona. E naquele exata momento, o cantor cantava o refrão de Evidências, do Chitãozinho e Xororó... A Lu ovula por essa música. Levantei impetuosamente e fiz um apelo motivacional mais eficaz.
Adalberto: Canta comigo se não você vai comer todas as porcarias do mundo!
O efeito foi melhor do que um discurso longo de um consultor de RH. Ela levantou imediatamente e cantou comigo aos berros.
Adalberto e Lu: "E nessa loucura de dizer que não te quero// Vou negando as aparências// Disfarçando as evidências// Mas pra que viver fingindo// Se eu não posso enganar meu coração?// Eu sei que te amo!// Chega de mentiras// De negar o meu desejo // Eu te quero mais que tudo // Eu preciso do seu beijo// Eu entrego a minha vida// Pra você fazer o que quiser de mim// Só quero ouvir você dizer que sim!// Diz que é verdade, que tem saudade// Que ainda você pensa muito em mim// Diz que é verdade, que tem saudade// Que ainda você quer viver pra mim".
E o tiro acertou o alvo. O cara de pau foi tirar satisfação com a minha prima.
Neneco: Você é ridícula mesmo. É por essas e outras, que eu não estou com você.
Lu: Ah, é mesmo? E quem é você na noite londrina? E no inverno da Sibéria? E no Planeta dos Macacos? Bom, eu acho que, em qualquer desses lugares, você é um babaca. Mas eu estou cagando para você. Sabe por quê? Eu sou a rainha por onde quer que eu passe. Vamos, Adal.
E fomos embora, assim, deixando o Neneco com uma mistura de cara de paisagem, surpresa e espanto.
No carro, resolvi lembrar à Lu, que nós não tínhamos pagado a conta. E o comentário dela também foi bem motivacional.
Lu: Adal, uma estrela nunca paga a conta.
Gostei...
Adalberto: Fala, gatona.
Lu: Está ocupado?
Adalberto: Não. Já estava me preparando para dormir.
Lu: Primo, eu estou muito mal. O Neneco disse que eu sou muito escandalosa para ele.
Adalberto: E você acha ruim ser escandalosa?
Lu: O Neneco acha que sim.
Adalberto: E quem é o Neneco na noite londrina?
Lu: Ah, Adal, para!
Adalberto: Não, não é assim, "para". Quando alguém te falar, que não está satisfeito por alguma coisa, que está em você, você lamenta e pensa: quem é essa pessoa na noite londrina? Quem é esse cara de pau no inverno da Sibéria? Quem é esse babaca no Planeta dos Macacos? Você vai ver que, em algum lugar, essa a pessoa não é nada. Mas você, sim, em todos esses lugares que eu falei, tem que ser ou fazer de tudo para ser alguma coisa. Senão, meu bem...
Lu: Ai, primo, os seus discursos motivacionais são ótimos, mas eu tenho preguiça para esse papo de consultor de RH.
Adalberto: Então, valeu. Vamos para um bar encher a cara e falar merda, então? Você me fez perder o sono.
Lu: Eu?
Adalberto: É, Dona Lu. Você me tira o sono!
Lu: Estou dentro.
Eu já tinha parado de marcar com pauzinhos com a caneta sobre a toalha de papel da mesa, quando o tal do Neneco resolveu passar na frente do bar, onde eu estava enfiando o pé na jaca com a Lu.
Lu: Adal! Adalberto: O quê?
Lu: Para tudo!
Adalberto: Por que "para tudo"? Isso inclui parar de beber?
Lu: O Neneco vai passar atrás de você agora. Disfarça. Estou muito escandalosa?
Adalberto: Não. Mas vai ficar agora.
Lu: Como assim?
No bar tinha uma musiquinha ao vivo cafona. E naquele exata momento, o cantor cantava o refrão de Evidências, do Chitãozinho e Xororó... A Lu ovula por essa música. Levantei impetuosamente e fiz um apelo motivacional mais eficaz.
Adalberto: Canta comigo se não você vai comer todas as porcarias do mundo!
O efeito foi melhor do que um discurso longo de um consultor de RH. Ela levantou imediatamente e cantou comigo aos berros.
Adalberto e Lu: "E nessa loucura de dizer que não te quero// Vou negando as aparências// Disfarçando as evidências// Mas pra que viver fingindo// Se eu não posso enganar meu coração?// Eu sei que te amo!// Chega de mentiras// De negar o meu desejo // Eu te quero mais que tudo // Eu preciso do seu beijo// Eu entrego a minha vida// Pra você fazer o que quiser de mim// Só quero ouvir você dizer que sim!// Diz que é verdade, que tem saudade// Que ainda você pensa muito em mim// Diz que é verdade, que tem saudade// Que ainda você quer viver pra mim".
E o tiro acertou o alvo. O cara de pau foi tirar satisfação com a minha prima.
Neneco: Você é ridícula mesmo. É por essas e outras, que eu não estou com você.
Lu: Ah, é mesmo? E quem é você na noite londrina? E no inverno da Sibéria? E no Planeta dos Macacos? Bom, eu acho que, em qualquer desses lugares, você é um babaca. Mas eu estou cagando para você. Sabe por quê? Eu sou a rainha por onde quer que eu passe. Vamos, Adal.
E fomos embora, assim, deixando o Neneco com uma mistura de cara de paisagem, surpresa e espanto.
No carro, resolvi lembrar à Lu, que nós não tínhamos pagado a conta. E o comentário dela também foi bem motivacional.
Lu: Adal, uma estrela nunca paga a conta.
Gostei...
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Barata da vizinha é um caso de vida ou morte
A Marjorie me ligou ontem, dizendo que precisava de uma ajuda minha urgentemente. Eu estava fazendo uma caminhada na Praia de Ipanema com a Ane.
Marjorie: É um caso de vida ou morte, Adal.
Adalberto: Como assim?
Achei estranho. A Marjorie não é de fazer tempestade em copo d´água nem dilúvio em tampinha de xarope, como diz a Lu.
Marjorie: Adal, vem aqui pelamordedeus! Eu estou cheia de coisa para fazer na fábrica e não posso sair de casa. Você está com a chave daqui de casa?
Adalberto: Estou. Mas o que é que está acontecendo?
E ela bateu o telefone na minha cara. Ou a ligação teria caído por outro motivo? Isso me deixou muito preocupado.
Adalberto: Vamos correr. Aconteceu alguma coisa com a Marjorie.
Ane: Aconteceu? O quê?
Adalberto: Não, vamos pegar um táxi.
Ane: Ah, não, Adal. Vamos correr.
Adalberto: Ane, é coisa séria.
Ane: Adal, daqui de Ipanema para o Leblon é um pulo.
Adalberto: Ela disse que era um caso de vida ou morte.
Ane: Eu tenho menos de um mês para voltar a caber no longo preto, que eu comprei para ir no casamento da Paty.
Adalberto: Qual Paty?
Ane: A tua amiga do Martins.
Adalberto: Ela te convidou?
Ane: Convidou.
Adalberto: E você vai?
Ane: Vou.
Adalberto: Mas você não gosta dela.
Ane: E daí?
Adalberto: Táxi!
A viagem custou sete reais. Eu estava tão louco, que dei cinquenta e não pedi troco.
Quando chegamos ao prédio da Marjorie, decidimos subir de escada, porque o elevador não estava no térreo e, sobretudo, porque tinha uma carinha com um perfume da Uruguaiana esperando para subir.
A Ane teve uma motivação mais nobre para subir de escada.
Ane: Assim, a gente compensa o tempo que ficou sem caminhar na praia.
Não mandei ela ir à merda, porque não tinha fôlego para subir os quatro andares da Marjorie de escada e falar ao mesmo tempo.
Quando finalmente chegamos, vimos que o carinha do perfume da Uruguaiana estava tocando a campainha da casa da Marjorie.
Adalberto: Querido, é muito urgente?
Carinha do perfume da Uruguaiana: Por quê?
Eu não estava com saco de explicar para o carinha do perfume da Uruguaiana o porquê. Fora que eu estava quase desmaiando, por causa do cheiro forte do perfume da Uruguaiana.
Abri a porta e uma barata voadora foi direto para o nariz do dele. Desesperado, assustado e com medo, ele caiu no chão. Bateu feio com a cabeça. E a barata continuou lá, amarradona em cima do nariz do pobre coitado.
Deliberadamente, a Ane pisou no nariz do carinha do perfume da Uruguaiana e esmagou a barata, cheia daquele líquido marrom xexelento, na cara do infeliz.
Fui correndo para ver o que tinha acontecido com a Marjorie.
Adalberto: Prima!
Marjorie: Adal, eu estou aqui no quarto.
Adalberto: Abre a porta!
Marjorie: Só depois que você matar uma barata nojenta, que voou da casa da vizinha para cá.
Adalberto: Ah, então a barata da vizinha era o caso de vida ou morte, que eu tinha para resolver?
Marjorie: Era, Adal. Desculpa, mas para mim, isso é um caso de vida ou morte.
Adalberto: Tudo bem. Mas saiba você que nesse caso, o caso foi de desmaio e morte.
E quase que automaticamente a porta se abriu.
Marjorie: Como assim?
Adalberto: Vai lá fora ver. A Ane está lá.
Marjorie: Ela se assustou com a barata?
Adalberto: Ela, não.
Mas o carinha do perfume da Uruguaiana, que a Marjorie estava esperando para sair, sim. A
Marjorie: Gente, eu não acredito no que estou vendo.
Adalberto: E eu não acredito que você mentiu para mim, dizendo que estava cheia de trabalho na fábrica, só para eu vir aqui te salvar de uma barata.
Marjorie: Adal...
Adalberto: Está desculpada pela mentira. Mas não por sair com um carinha que fede a perfume da Uruguaiana.
Marjorie: Ele fede a perfume da Uruguaiana?
Adalberto: Porra!
Ane: Vamos levar ele para o quarto?
Marjorie: Não! Com essa barata espatifada na cara dele, não. Aliás, nem sem ela. Eu não quero mais ficar com ele.
Adalberto: Só por causa da barata? Lavou está limpo, prima.
Ane: Também acho.
Marjorie: Comigo, não. Eu faço a correlação. Não vou conseguir encostar no rosto dele, sabendo que uma barata já passou por ali.
Ane: Antes uma barata do que outra mulher.
Marjorie: Eu preferia outra mulher. Não, gente! Não dá. Fora que ele ainda fede a perfume da Uruguaiana.
Adalberto: Isso, realmente, é uma falha grave.
Ane: Então, o que a gente faz com ele?
Marjorie: Leva ele embora daqui. E quando ele acordar, vocês podem dizer para ele esquecer que eu existo, por favor?
Adoro as frases prontas de novela, que as minhas primas usam!
Ane: Deixa comigo, Jojô. Eu e o Adal levamos ele. Vamos, primo.
Quando o carinha do perfume da Uruguaiana acordou, ele estava deitado na cama da Ane, limpinho. E nem foi preciso ela dizer para ele esquecer que a Marjorie existia...
Marjorie: É um caso de vida ou morte, Adal.
Adalberto: Como assim?
Achei estranho. A Marjorie não é de fazer tempestade em copo d´água nem dilúvio em tampinha de xarope, como diz a Lu.
Marjorie: Adal, vem aqui pelamordedeus! Eu estou cheia de coisa para fazer na fábrica e não posso sair de casa. Você está com a chave daqui de casa?
Adalberto: Estou. Mas o que é que está acontecendo?
E ela bateu o telefone na minha cara. Ou a ligação teria caído por outro motivo? Isso me deixou muito preocupado.
Adalberto: Vamos correr. Aconteceu alguma coisa com a Marjorie.
Ane: Aconteceu? O quê?
Adalberto: Não, vamos pegar um táxi.
Ane: Ah, não, Adal. Vamos correr.
Adalberto: Ane, é coisa séria.
Ane: Adal, daqui de Ipanema para o Leblon é um pulo.
Adalberto: Ela disse que era um caso de vida ou morte.
Ane: Eu tenho menos de um mês para voltar a caber no longo preto, que eu comprei para ir no casamento da Paty.
Adalberto: Qual Paty?
Ane: A tua amiga do Martins.
Adalberto: Ela te convidou?
Ane: Convidou.
Adalberto: E você vai?
Ane: Vou.
Adalberto: Mas você não gosta dela.
Ane: E daí?
Adalberto: Táxi!
A viagem custou sete reais. Eu estava tão louco, que dei cinquenta e não pedi troco.
Quando chegamos ao prédio da Marjorie, decidimos subir de escada, porque o elevador não estava no térreo e, sobretudo, porque tinha uma carinha com um perfume da Uruguaiana esperando para subir.
A Ane teve uma motivação mais nobre para subir de escada.
Ane: Assim, a gente compensa o tempo que ficou sem caminhar na praia.
Não mandei ela ir à merda, porque não tinha fôlego para subir os quatro andares da Marjorie de escada e falar ao mesmo tempo.
Quando finalmente chegamos, vimos que o carinha do perfume da Uruguaiana estava tocando a campainha da casa da Marjorie.
Adalberto: Querido, é muito urgente?
Carinha do perfume da Uruguaiana: Por quê?
Eu não estava com saco de explicar para o carinha do perfume da Uruguaiana o porquê. Fora que eu estava quase desmaiando, por causa do cheiro forte do perfume da Uruguaiana.
Abri a porta e uma barata voadora foi direto para o nariz do dele. Desesperado, assustado e com medo, ele caiu no chão. Bateu feio com a cabeça. E a barata continuou lá, amarradona em cima do nariz do pobre coitado.
Deliberadamente, a Ane pisou no nariz do carinha do perfume da Uruguaiana e esmagou a barata, cheia daquele líquido marrom xexelento, na cara do infeliz.
Fui correndo para ver o que tinha acontecido com a Marjorie.
Adalberto: Prima!
Marjorie: Adal, eu estou aqui no quarto.
Adalberto: Abre a porta!
Marjorie: Só depois que você matar uma barata nojenta, que voou da casa da vizinha para cá.
Adalberto: Ah, então a barata da vizinha era o caso de vida ou morte, que eu tinha para resolver?
Marjorie: Era, Adal. Desculpa, mas para mim, isso é um caso de vida ou morte.
Adalberto: Tudo bem. Mas saiba você que nesse caso, o caso foi de desmaio e morte.
E quase que automaticamente a porta se abriu.
Marjorie: Como assim?
Adalberto: Vai lá fora ver. A Ane está lá.
Marjorie: Ela se assustou com a barata?
Adalberto: Ela, não.
Mas o carinha do perfume da Uruguaiana, que a Marjorie estava esperando para sair, sim. A
Marjorie: Gente, eu não acredito no que estou vendo.
Adalberto: E eu não acredito que você mentiu para mim, dizendo que estava cheia de trabalho na fábrica, só para eu vir aqui te salvar de uma barata.
Marjorie: Adal...
Adalberto: Está desculpada pela mentira. Mas não por sair com um carinha que fede a perfume da Uruguaiana.
Marjorie: Ele fede a perfume da Uruguaiana?
Adalberto: Porra!
Ane: Vamos levar ele para o quarto?
Marjorie: Não! Com essa barata espatifada na cara dele, não. Aliás, nem sem ela. Eu não quero mais ficar com ele.
Adalberto: Só por causa da barata? Lavou está limpo, prima.
Ane: Também acho.
Marjorie: Comigo, não. Eu faço a correlação. Não vou conseguir encostar no rosto dele, sabendo que uma barata já passou por ali.
Ane: Antes uma barata do que outra mulher.
Marjorie: Eu preferia outra mulher. Não, gente! Não dá. Fora que ele ainda fede a perfume da Uruguaiana.
Adalberto: Isso, realmente, é uma falha grave.
Ane: Então, o que a gente faz com ele?
Marjorie: Leva ele embora daqui. E quando ele acordar, vocês podem dizer para ele esquecer que eu existo, por favor?
Adoro as frases prontas de novela, que as minhas primas usam!
Ane: Deixa comigo, Jojô. Eu e o Adal levamos ele. Vamos, primo.
Quando o carinha do perfume da Uruguaiana acordou, ele estava deitado na cama da Ane, limpinho. E nem foi preciso ela dizer para ele esquecer que a Marjorie existia...
sábado, 14 de abril de 2012
Ovo de Whey Protein faz a diferença na Páscoa
Fiquei a semana todo ansioso para chegar o domingo de Páscoa. Minhas primas estavam vindo almoçar comigo e iam trazer um ovo de chocolate imenso, que elas compraram juntas. Eu adoro chocolate e mal podia esperar.
Eu não comprei nada para elas, porque estavam todas em dieta. Fiquei com a imcumbência de fazer o almoço, que eu não fiz, claro. Comprei tudo num buffet baratinho da mãe de uma amiga minha.
No domingo, quando elas chegaram lá em casa, abri a porta com a maior expectativa do mundo e...
Adalberto: Ovo de Whey Protein...
Ane: Não gostou?
Adalberto: Não.
Aquilo era uma ignorância quase do meu tamanho e com metade do meu peso. Eu cabia lá dentro confortavelmente.
Ane: A ideia foi minha.
Adalberto: Porra, Ane...
Lu: Boa tarde, ingratidão.
Adalberto: Ingratidão nada.
Marjorie: Ingratidão, sim. Achei que a nossa presença fosse mais importante, que um ovo de Páscoa.
Claro que não!
Sara: Adal, quer que eu veja se tem como trocar?
Lu: Que trocar? Está maluca? Ele vive tomando esse negócio para ir para a academia... Está fazendo doce.
Adalberto: Não é doce. Eu só queria poder chutar o balde na Páscoa.
Ane: Da próxima vez, eu compro um Kinder Ovo.
Adalberto: E eu vou adorar.
Lu: Mas é para criança.
Adalberto: E daí? As besteiras que são feitas para as crianças são as melhores.
Marjorie: Isso é verdade.
Sara: Adal, o que a gente faz com esse ovo, então?
Adalberto: Coloca ali na sala, Sarita. Ele é tão grande que, pelo menos, serve para enfeitar.
Ane: Ah, seu cachorro!
Lu: Ih, falando em cachorro, o safado do Edésio vem me buscar daqui a pouco para a gente ir ao cinema. Eu tenho que comer rapidinho.
Adalberto: Olha, gente, a comida está na geladeira numas vasilhas de plástico laranja. São vários tipos de salada.
Lu: Está de sacanagem...
Adalberto: Não.
Lu: Salada no almoço de domingo, que a gente pode enfiar o pé na jaca?
Adalberto: Ah, e ovo de Whey Protein na Páscoa? Isso não é sacanagem?
Ane: Adal, você toma Whey Protein para ir para a academia.
Adalberto: Ane, eu nem tomo mais esse negócio. Maldito dia que eu fui com você àquela loja de suplementos comprar essa porcaria... Eu tomei esse troço, no máximo, umas três vezes. Depois, ficou encostado, estragou e eu jogeui fora.
Sara: Não é bom primo?
Adalberto: Não. É horrível. Estou falando...
Marjorie: Adal, as saladas são lindas. Eu adorei.
Ane: Eu também gostei, mas acho que falta alguma coisa para dar liga.
Lu: Gente, se tivesse arroz com feijão, para mim, já estava de bom tamanho.
Sara: Mas domingo comer arroz com feijão? Isso é comida de dia de semana.
Lu: Melhor do que salada com salada. Olha ali o prato da Marjorie. Nada com nada. Prefiro morrer de fome.
Adalberto: Não vai comer?
Lu: Eu como no shopping com o Edésio. Já era para ele estar aqui mesmo... Meu estômago aguenta mais um pouco.
Adalberto: Beleza.
Cinco minutos depois, nós ainda estávamos almoçando à mesa, com exceção da Lu, que assistia à televisão, quando o Edésio chegou.
Edésio: Está me achando com cara de palhaço?
Lu: Como assim?
Edésio: Eu estou te ligando há meia-hora, porque não estava achando esse merda de rua e você não atendia a bosta do celular.
Lu: Ih, amor, desculpa. Eu botei ele no vibra, ontem, quando estava com a tia Neide na igreja. A gente foi na adoração de Cristo, do Sábado de Aleluia.
Edésio: Você é uma imbecil.
Ele não ia ofender a minha prima na minha frente!
Adalberto: Vem cá, a banana que tu comeu estava estragada?
Edésio: Quem é você para falar assim comigo?
Adalberto: O dono desse apartamento e primo da Lu.
Edésio: Ah, é? Caguei para você.
Ane: É mas eu não caguei para você, não.
E com um golpe de mestre, a Ane deu com o ovo de Whey Protein na cabeça do Edésio, que caiu desmaiado.
Lu: Gente, o que eu faço com esse homem agora?
Marjorie: Mata! Estou brincando. Sei lá. Adal, dá uma ideia.
Adalberto: Vou chamar o zelador para levar o lixo embora.
Lu: Como assim, Adal? É sério.
Adalberto: Eu também estou falando sério.
O meu zelador deixou o Edésio deitado no capô do carro dele. Quando a gente desceu para tomar um chopinho no bar da rua paralela a minha, não havia nem sinal daquele sem vergonha.
Esse não se mete mais com a família Monteiro.
E, no final das contas, o meu presente foi muito bem-vindo.
Eu não comprei nada para elas, porque estavam todas em dieta. Fiquei com a imcumbência de fazer o almoço, que eu não fiz, claro. Comprei tudo num buffet baratinho da mãe de uma amiga minha.
No domingo, quando elas chegaram lá em casa, abri a porta com a maior expectativa do mundo e...
Adalberto: Ovo de Whey Protein...
Ane: Não gostou?
Adalberto: Não.
Aquilo era uma ignorância quase do meu tamanho e com metade do meu peso. Eu cabia lá dentro confortavelmente.
Ane: A ideia foi minha.
Adalberto: Porra, Ane...
Lu: Boa tarde, ingratidão.
Adalberto: Ingratidão nada.
Marjorie: Ingratidão, sim. Achei que a nossa presença fosse mais importante, que um ovo de Páscoa.
Claro que não!
Sara: Adal, quer que eu veja se tem como trocar?
Lu: Que trocar? Está maluca? Ele vive tomando esse negócio para ir para a academia... Está fazendo doce.
Adalberto: Não é doce. Eu só queria poder chutar o balde na Páscoa.
Ane: Da próxima vez, eu compro um Kinder Ovo.
Adalberto: E eu vou adorar.
Lu: Mas é para criança.
Adalberto: E daí? As besteiras que são feitas para as crianças são as melhores.
Marjorie: Isso é verdade.
Sara: Adal, o que a gente faz com esse ovo, então?
Adalberto: Coloca ali na sala, Sarita. Ele é tão grande que, pelo menos, serve para enfeitar.
Ane: Ah, seu cachorro!
Lu: Ih, falando em cachorro, o safado do Edésio vem me buscar daqui a pouco para a gente ir ao cinema. Eu tenho que comer rapidinho.
Adalberto: Olha, gente, a comida está na geladeira numas vasilhas de plástico laranja. São vários tipos de salada.
Lu: Está de sacanagem...
Adalberto: Não.
Lu: Salada no almoço de domingo, que a gente pode enfiar o pé na jaca?
Adalberto: Ah, e ovo de Whey Protein na Páscoa? Isso não é sacanagem?
Ane: Adal, você toma Whey Protein para ir para a academia.
Adalberto: Ane, eu nem tomo mais esse negócio. Maldito dia que eu fui com você àquela loja de suplementos comprar essa porcaria... Eu tomei esse troço, no máximo, umas três vezes. Depois, ficou encostado, estragou e eu jogeui fora.
Sara: Não é bom primo?
Adalberto: Não. É horrível. Estou falando...
Marjorie: Adal, as saladas são lindas. Eu adorei.
Ane: Eu também gostei, mas acho que falta alguma coisa para dar liga.
Lu: Gente, se tivesse arroz com feijão, para mim, já estava de bom tamanho.
Sara: Mas domingo comer arroz com feijão? Isso é comida de dia de semana.
Lu: Melhor do que salada com salada. Olha ali o prato da Marjorie. Nada com nada. Prefiro morrer de fome.
Adalberto: Não vai comer?
Lu: Eu como no shopping com o Edésio. Já era para ele estar aqui mesmo... Meu estômago aguenta mais um pouco.
Adalberto: Beleza.
Cinco minutos depois, nós ainda estávamos almoçando à mesa, com exceção da Lu, que assistia à televisão, quando o Edésio chegou.
Edésio: Está me achando com cara de palhaço?
Lu: Como assim?
Edésio: Eu estou te ligando há meia-hora, porque não estava achando esse merda de rua e você não atendia a bosta do celular.
Lu: Ih, amor, desculpa. Eu botei ele no vibra, ontem, quando estava com a tia Neide na igreja. A gente foi na adoração de Cristo, do Sábado de Aleluia.
Edésio: Você é uma imbecil.
Ele não ia ofender a minha prima na minha frente!
Adalberto: Vem cá, a banana que tu comeu estava estragada?
Edésio: Quem é você para falar assim comigo?
Adalberto: O dono desse apartamento e primo da Lu.
Edésio: Ah, é? Caguei para você.
Ane: É mas eu não caguei para você, não.
E com um golpe de mestre, a Ane deu com o ovo de Whey Protein na cabeça do Edésio, que caiu desmaiado.
Lu: Gente, o que eu faço com esse homem agora?
Marjorie: Mata! Estou brincando. Sei lá. Adal, dá uma ideia.
Adalberto: Vou chamar o zelador para levar o lixo embora.
Lu: Como assim, Adal? É sério.
Adalberto: Eu também estou falando sério.
O meu zelador deixou o Edésio deitado no capô do carro dele. Quando a gente desceu para tomar um chopinho no bar da rua paralela a minha, não havia nem sinal daquele sem vergonha.
Esse não se mete mais com a família Monteiro.
E, no final das contas, o meu presente foi muito bem-vindo.
sábado, 7 de abril de 2012
Primeiro de abril não passou despercebido
Domingo passado foi dia primeiro de abril, e eu fui almoçar com as minhas primas na casa da minha mãe. No caminho alertei a elas, que minha mãe odeia as brincadeiras da data.
Adalberto: Então, vocês, por favor, não vão ficar contando mentiras para a minha mãe.
Lu: Primeiro de abril sem uma mentirinha não é primeiro de abril.
Ane: Concordo.
Marjorie: Ai, gente, então vão comer num restaurante.
Adalberto: Falou a voz da sabedoria!
Já na mesa do almoço, com os meus pais, a Lu foi provocadora.
Lu: Tio Beto, o senhor não acha que as datas têm que ser celebradas, conforme a tradição?
Adalberto (pai): Acho.
E olhando para mim como se fosse me atirar com uma AR-15:
Lu: Muito obrigada.
Marjorie: A comida está tão gostosa, tia.
Neide: Gostou?
Marjorie: Adorei.
Ane: Está muito boa mesmo.
Marjorie: Esse arroz tem frango?
Frango, não! Eu não como ave por nada nesse mundo! Tenho trauma de infância e minha mãe sabe muito be disso!
Neide: Não, garota, isso é carne desfiada.
Ufa!
Lu: Ah, eu ia adorar se tivesse frango. Pelo menos, ia ter cena de humor INFANTIL aqui nessa mesa.
Adalberto: Sem graça!
Depois de mais dois horas, entre almoçar, comer sobremesa e tecer alguns comentários sobre vidas alheias, minhas primas decidiram ir embora. Eu já não aguentava mais ouvir tanta besteira. Meu pai, então... Estava dormindo sentado, tadinho.
Ane: Tia a senhora tem a receita dessa comida? Quero pedir para a minha empregada fazer.
Neide: Tenho mas está la no computador.
Ane: Me manda por e-mail?
Neide: Ih, minha filha, a internet daqui de casa está com problema. Vai lá e copia rapidinho.
Ane: Está bem.
Adalberto: Não! Eu tenho um pen drive aqui. Vai rápido, salva e pode tirar o pen drive sem segurança.
Marjorie: Pra que isso?
Adalberto: A vida é muito curta para se tirar pen drive de computador com segurança.
Lu: Maluco você!
Adalberto: Vou esperar vocês no carro. Tchau, mãe.
Neide: Tchau, meu filho. Vai com Deus.
Finalmente, no carro voltando para casa:
Adalberto: Nem acredito que vocês se comportaram direitinho e não contaram nenhuma mentira de primeiro de abril. Merecem uma maçã cada uma.
Lu: Ah, garoto, cala a boca. Vou entrar no Facebook agora pelo celular para contar alguma merda. Eu preciso mentir no Dia da Mentira. É mais forte do que eu.
Adalberto: Ah, é? E no Dia do Meio Ambiente? Você fica assim, toda ensandecida para plantar uma árvore.
Lu: Você é ridículo, sabia?
Ane: Ai, gente, por favor, vamos ficar de boquinha calada? Quero dormir.
Marjorie: Boa ideia. Também vou dormir.
Nem acreditei quando cheguei em casa, depois de rodar o Rio de Janeiro inteiro para deixar minhas primas em seus respectivos lares. Só queria a minha cama e mais nada.
Mas o telefone tinha que tocar, quando já estava pegando no sono.
Adalberto: Fala, Ane.
Ane: Adal, eu deixei o pen drive cair no banco do seu carro.
Adalberto: Ok. Amanhã, eu te mando a receita por e-mail.
Ane: Amanhã, não. O Astrovaldo vai vir jantar aqui comigo, e eu queria pedir para a empregada fazer a receita da tia Neide. Pega lá, agora, primo.
Depois de um segundo ponderando se o Astrovaldo merecia mesmo todo o meu esforço, decidi ir buscar a porra do pen drive. O Astrovaldo, definitivamente, não merecia o meu esforço. O problema é que a Ane ia me infernizar, enquanto eu não pegasse o bendito pen drive.
Liguei o computador, abri a receita e o meu olho bateu direto na palavra FRANGO. A porra da receita levava, sim, frango! A minha mãe mentiu descaradamente!
Mandei por e-mail para a Ane e, em seguida, liguei para a minha mãe.
Adalberto: Mãe, você me fez comer frango hoje? É isso mesmo? Mentiu para mim.
Neide: Meu filho, a proteína das aves é importante para a nossa saúde.
Adalberto: Mãe, caguei para essa proteína. Quero mais que ela se exploda!
Neide: De mais a mais, hoje é primeiro de abril. Não é pecado mentir para um filho no Dia da Mentira.
Desliguei o telefone com ódio mortal da minha mãe e fui para o banheiro correndo. Fiquei forçando o vômito a madrugada toda.
Logo a minha mãe...
Adalberto: Então, vocês, por favor, não vão ficar contando mentiras para a minha mãe.
Lu: Primeiro de abril sem uma mentirinha não é primeiro de abril.
Ane: Concordo.
Marjorie: Ai, gente, então vão comer num restaurante.
Adalberto: Falou a voz da sabedoria!
Já na mesa do almoço, com os meus pais, a Lu foi provocadora.
Lu: Tio Beto, o senhor não acha que as datas têm que ser celebradas, conforme a tradição?
Adalberto (pai): Acho.
E olhando para mim como se fosse me atirar com uma AR-15:
Lu: Muito obrigada.
Marjorie: A comida está tão gostosa, tia.
Neide: Gostou?
Marjorie: Adorei.
Ane: Está muito boa mesmo.
Marjorie: Esse arroz tem frango?
Frango, não! Eu não como ave por nada nesse mundo! Tenho trauma de infância e minha mãe sabe muito be disso!
Neide: Não, garota, isso é carne desfiada.
Ufa!
Lu: Ah, eu ia adorar se tivesse frango. Pelo menos, ia ter cena de humor INFANTIL aqui nessa mesa.
Adalberto: Sem graça!
Depois de mais dois horas, entre almoçar, comer sobremesa e tecer alguns comentários sobre vidas alheias, minhas primas decidiram ir embora. Eu já não aguentava mais ouvir tanta besteira. Meu pai, então... Estava dormindo sentado, tadinho.
Ane: Tia a senhora tem a receita dessa comida? Quero pedir para a minha empregada fazer.
Neide: Tenho mas está la no computador.
Ane: Me manda por e-mail?
Neide: Ih, minha filha, a internet daqui de casa está com problema. Vai lá e copia rapidinho.
Ane: Está bem.
Adalberto: Não! Eu tenho um pen drive aqui. Vai rápido, salva e pode tirar o pen drive sem segurança.
Marjorie: Pra que isso?
Adalberto: A vida é muito curta para se tirar pen drive de computador com segurança.
Lu: Maluco você!
Adalberto: Vou esperar vocês no carro. Tchau, mãe.
Neide: Tchau, meu filho. Vai com Deus.
Finalmente, no carro voltando para casa:
Adalberto: Nem acredito que vocês se comportaram direitinho e não contaram nenhuma mentira de primeiro de abril. Merecem uma maçã cada uma.
Lu: Ah, garoto, cala a boca. Vou entrar no Facebook agora pelo celular para contar alguma merda. Eu preciso mentir no Dia da Mentira. É mais forte do que eu.
Adalberto: Ah, é? E no Dia do Meio Ambiente? Você fica assim, toda ensandecida para plantar uma árvore.
Lu: Você é ridículo, sabia?
Ane: Ai, gente, por favor, vamos ficar de boquinha calada? Quero dormir.
Marjorie: Boa ideia. Também vou dormir.
Nem acreditei quando cheguei em casa, depois de rodar o Rio de Janeiro inteiro para deixar minhas primas em seus respectivos lares. Só queria a minha cama e mais nada.
Mas o telefone tinha que tocar, quando já estava pegando no sono.
Adalberto: Fala, Ane.
Ane: Adal, eu deixei o pen drive cair no banco do seu carro.
Adalberto: Ok. Amanhã, eu te mando a receita por e-mail.
Ane: Amanhã, não. O Astrovaldo vai vir jantar aqui comigo, e eu queria pedir para a empregada fazer a receita da tia Neide. Pega lá, agora, primo.
Depois de um segundo ponderando se o Astrovaldo merecia mesmo todo o meu esforço, decidi ir buscar a porra do pen drive. O Astrovaldo, definitivamente, não merecia o meu esforço. O problema é que a Ane ia me infernizar, enquanto eu não pegasse o bendito pen drive.
Liguei o computador, abri a receita e o meu olho bateu direto na palavra FRANGO. A porra da receita levava, sim, frango! A minha mãe mentiu descaradamente!
Mandei por e-mail para a Ane e, em seguida, liguei para a minha mãe.
Adalberto: Mãe, você me fez comer frango hoje? É isso mesmo? Mentiu para mim.
Neide: Meu filho, a proteína das aves é importante para a nossa saúde.
Adalberto: Mãe, caguei para essa proteína. Quero mais que ela se exploda!
Neide: De mais a mais, hoje é primeiro de abril. Não é pecado mentir para um filho no Dia da Mentira.
Desliguei o telefone com ódio mortal da minha mãe e fui para o banheiro correndo. Fiquei forçando o vômito a madrugada toda.
Logo a minha mãe...
terça-feira, 27 de março de 2012
O (quase) batismo dos trigêmeos da Sara - Tentativa 1
Ontem, depois de seis meses depois do nascimento dos trigêmeos da Sara, foi o dia do batismo. Estava marcado para às nove, mas ansioso que sou, cheguei uma hora mais cedo.
Meia-hora depois, chegou a Sara esbaforida, com o Oswaldo e os bebês.
Sara: Ai, primo, estou mega atrasada.
Adalberto: Sara, a igreja ainda não está aberta. O batismo vai começar daqui a meia-hora.
Sara: Então, eu preciso ir ao banheiro retocar a maquiagem, tirar a oleosidade do rosto. O pessoal da filmagem já deve estar chegando.
Foi ela falar e eles chegaram já filmando tudo.
Adalberto: Eles já estão filmando a gente mesmo ou é impressão minha.
Sara: Ai, que vergonha, Adal. Vou correr para o banheiro.
Oswaldo: A Sara pediu para o pessoal gravar desde a nossa chegada até o fim do batismo. Se solta, Adal, você está muito travado.
Se eu me soltasse, eu ia me cagar todo.
Adalberto: Eu estou solto.
Meu pai, minha mãe, minha irmã, o Eduardo e o Diego chegaram e dividiram comigo o foco do cinegrafista.
Neide: A igreja ainda está fechada?
Adalberto: Estranho. Faltam só dez minutos para começar...
Neide: Eu vou lá abrir.
Camila: Não, mãe, por favor.
Adalberto: É, mãe, não inventa de tomar esporro do padre.
Adalberto (pai): Eu vou aqui no bar ao lado tomar uma cachaça para poder aguentar a ladainha do padre.
Adalberto: Pai, o cara está filmando.
Meu pai não sabia onde enfiar a cabeça.
Adalberto (pai): Eu achei que ele estivesse testando a filmadora.
Camila: Eu também não sabia que estava filmando, não.
Neide: Eu também não sabia que estava filmando.
Adalberto: Mas está. A Sara pediu para ele fazer registros da gente aqui fora também.
E todos ficaram nitidamente sem graça.
Camila: A Sara é surreal.
Sara: Quem é surreal?
Camila: Ih, estava onde, mulher?
Sara: Retocando a maquiagem. Cadê as madrinhas desnaturadas do meu filho, hein?
Adalberto: Olha ali. Estão chegando.
Ane, Lu e Marjorie já chegaram brigando.
Neide: Que cara é essa, Marjorie?
Marjorie: Tia, essas duas... Só matando.
Lu: Ah, garota, cala a boca. Não marco mais nada contigo.
Marjorie: Nem eu com você.
Ane: A gente nem está atrasada.
Marjorie: Estamos, sim, o batismo estava marcado para meia-hora atrás.
Caraça! A gente nem se deu conta de que a hora tinha passado e ninguém abriu a igreja.
Eduardo: Ninguém vai abrir a igreja, não?
Sara: Oswaldo, vai lá ver isso.
Oswaldo: Eu, não. Vai você.
Adalberto: Deixa que eu vou.
Dez minutos depois, voltei com novidade.
Adalberto: Gente, tinha uma beata lá dentro fazendo faxina, que me disse que o padre viajou para um encontro com o Papa.
Sara: Como assim?
Ane: E a gente só fica sabendo disso agora?
Lu: Sacanagem.
Adalberto: Ela disse que o padre ligou para todas as mães, cancelando o batismo.
Neide: Mas, pelo visto, esqueceu da Sara. E a gente que se ferrou com isso.
Adalberto: Sara, você... Nada, deixa.
Marjorie: Vamos embora, gente. Eu tenho mil coisas para fazer. Só vim mesmo, porque eu sou madrinha.
Ane: Ainda não é. Não batizou.
Lu: Tia Neide posso voltar com a senhora?
Marjorie: Acho melhor mesmo.
Neide: Pode, minha filha.
Eduardo: Cadê o Diego?
Neide: Deve estar aprontando. Está muito quieto.
Lu: Está lá em cima daquela árvore, arrumando ideia de se arrebentar.
Eduardo: Vou lá bater nele.
Camila: Eduardo, fala com ele direito. A gente assistiu tanto à Supernanny, antes de ter esse garoto, mas não adiantou nada.
Adalberto: Gente, e o meu pai, hein?
Eduardo: Está lá fora bebendo até agora.
Ane: Tio Beto também esqueceu do batismo.
Lu: Esqueceu nada. Duvido que ele não está de conchavo com o padre. Tio Beto não é santo, não, gente.
Neide: Não é mesmo, minha filha. Nem te conto.
Ane: mas essa história de padre ter ido se encontrar com o Papa não me convenceu.
Marjorie: Esse padre é um filho da mãe!
Não é, não. Pela cara de sem graça da Sara e o olhar cúmplice do Oswaldo, eu já podia imaginar tudo: o padre ligou, mas como ela não atende número de celular que não conhece, ignorou a chamada. Com certeza, ela não tem o telefone do padre salvo e acabou não atendendo o pobre coitado, que levou a culpa.
Caramba, os caras da filmagem são muito sem noção! Continuaram filmando a discussão da minha família na porta da igreja.
Adalberto: Ei, vocês aí! Tem como dar uma paradinha na filmagem?
Que saco!
Meia-hora depois, chegou a Sara esbaforida, com o Oswaldo e os bebês.
Sara: Ai, primo, estou mega atrasada.
Adalberto: Sara, a igreja ainda não está aberta. O batismo vai começar daqui a meia-hora.
Sara: Então, eu preciso ir ao banheiro retocar a maquiagem, tirar a oleosidade do rosto. O pessoal da filmagem já deve estar chegando.
Foi ela falar e eles chegaram já filmando tudo.
Adalberto: Eles já estão filmando a gente mesmo ou é impressão minha.
Sara: Ai, que vergonha, Adal. Vou correr para o banheiro.
Oswaldo: A Sara pediu para o pessoal gravar desde a nossa chegada até o fim do batismo. Se solta, Adal, você está muito travado.
Se eu me soltasse, eu ia me cagar todo.
Adalberto: Eu estou solto.
Meu pai, minha mãe, minha irmã, o Eduardo e o Diego chegaram e dividiram comigo o foco do cinegrafista.
Neide: A igreja ainda está fechada?
Adalberto: Estranho. Faltam só dez minutos para começar...
Neide: Eu vou lá abrir.
Camila: Não, mãe, por favor.
Adalberto: É, mãe, não inventa de tomar esporro do padre.
Adalberto (pai): Eu vou aqui no bar ao lado tomar uma cachaça para poder aguentar a ladainha do padre.
Adalberto: Pai, o cara está filmando.
Meu pai não sabia onde enfiar a cabeça.
Adalberto (pai): Eu achei que ele estivesse testando a filmadora.
Camila: Eu também não sabia que estava filmando, não.
Neide: Eu também não sabia que estava filmando.
Adalberto: Mas está. A Sara pediu para ele fazer registros da gente aqui fora também.
E todos ficaram nitidamente sem graça.
Camila: A Sara é surreal.
Sara: Quem é surreal?
Camila: Ih, estava onde, mulher?
Sara: Retocando a maquiagem. Cadê as madrinhas desnaturadas do meu filho, hein?
Adalberto: Olha ali. Estão chegando.
Ane, Lu e Marjorie já chegaram brigando.
Neide: Que cara é essa, Marjorie?
Marjorie: Tia, essas duas... Só matando.
Lu: Ah, garota, cala a boca. Não marco mais nada contigo.
Marjorie: Nem eu com você.
Ane: A gente nem está atrasada.
Marjorie: Estamos, sim, o batismo estava marcado para meia-hora atrás.
Caraça! A gente nem se deu conta de que a hora tinha passado e ninguém abriu a igreja.
Eduardo: Ninguém vai abrir a igreja, não?
Sara: Oswaldo, vai lá ver isso.
Oswaldo: Eu, não. Vai você.
Adalberto: Deixa que eu vou.
Dez minutos depois, voltei com novidade.
Adalberto: Gente, tinha uma beata lá dentro fazendo faxina, que me disse que o padre viajou para um encontro com o Papa.
Sara: Como assim?
Ane: E a gente só fica sabendo disso agora?
Lu: Sacanagem.
Adalberto: Ela disse que o padre ligou para todas as mães, cancelando o batismo.
Neide: Mas, pelo visto, esqueceu da Sara. E a gente que se ferrou com isso.
Adalberto: Sara, você... Nada, deixa.
Marjorie: Vamos embora, gente. Eu tenho mil coisas para fazer. Só vim mesmo, porque eu sou madrinha.
Ane: Ainda não é. Não batizou.
Lu: Tia Neide posso voltar com a senhora?
Marjorie: Acho melhor mesmo.
Neide: Pode, minha filha.
Eduardo: Cadê o Diego?
Neide: Deve estar aprontando. Está muito quieto.
Lu: Está lá em cima daquela árvore, arrumando ideia de se arrebentar.
Eduardo: Vou lá bater nele.
Camila: Eduardo, fala com ele direito. A gente assistiu tanto à Supernanny, antes de ter esse garoto, mas não adiantou nada.
Adalberto: Gente, e o meu pai, hein?
Eduardo: Está lá fora bebendo até agora.
Ane: Tio Beto também esqueceu do batismo.
Lu: Esqueceu nada. Duvido que ele não está de conchavo com o padre. Tio Beto não é santo, não, gente.
Neide: Não é mesmo, minha filha. Nem te conto.
Ane: mas essa história de padre ter ido se encontrar com o Papa não me convenceu.
Marjorie: Esse padre é um filho da mãe!
Não é, não. Pela cara de sem graça da Sara e o olhar cúmplice do Oswaldo, eu já podia imaginar tudo: o padre ligou, mas como ela não atende número de celular que não conhece, ignorou a chamada. Com certeza, ela não tem o telefone do padre salvo e acabou não atendendo o pobre coitado, que levou a culpa.
Caramba, os caras da filmagem são muito sem noção! Continuaram filmando a discussão da minha família na porta da igreja.
Adalberto: Ei, vocês aí! Tem como dar uma paradinha na filmagem?
Que saco!
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