O batismo dos trigêmeos da Sara parece até novela. Na primeira tentativa, o padre faltou. Na segunda, os padrinhos. Agora, não tem como dar errado. Ane, Lu e Marjorie vieram jantar aqui em casa ontem e aproveitaram para dormir. A igreja é pertinho. Menos de dez minutos de carro. Fomos todos juntos para não ter problema de falta de padrinho.
Dessa vez, tirando os padrinhos, só a minha mãe foi. Meu pai, minha irmã e meu cunhado já haviam perdido toda a paciência para esse batismo nas duas tentativas anteriores.
O comentário na porta da igreja era sobre vestido. E eu garanto que era melhor ouvir isso do que ser surdo.
Ane: Eu não gosto daquele babado na manga.
Marjorie: Mas é muito cafona mesmo.
Lu: Eu ia vir de vestido curto e vocês não deixaram. Olha o daquela garota. Além de curto, é justíssimo. Não sei como ela está conseguindo respirar.
Neide: O vestido dela não é para esse tipo de ocasião. Será que ela vai batizar alguma criança? Eu não deixaria ela batizar filho meu com essa roupa. Um péssima influência.
Adalberto: Como assim péssima influência, mãe? Os bebês que estão aqui só sabem chorar. Não entendem nada.
Lu: Choram de tristeza, porque têm uma madrinha mais cafona que a outra.
Neide: Eles podem não entender agora, mas quando tiverem uma certa idade, eles vão ver as fotos do batismo.
Marjorie: Photoshop hoje em dia resolve tudo, tia. Se algum dia uma periguete batizar um filho meu, ela pode ir com a roupa que quiser. Mas no álbum de recordações, quem decide a roupa que ela vai vestir sou eu. E viva a tecnologia!
Lu e Ane: Viva!
Neide: Meninas, silêncio! A gente está na porta de uma igreja. Vocês parecem que estão numa feira livre.
Ane: Também, com o vestido estampado daquela sem noção que está chegando ali, igual a uma fruteira, parece mesmo que a gente está numa feira, tia.
Minha mãe que é péssima para disfarçar, quando olhou o vestido da tal mulher, não segurou o riso. Marjorie e Lu tentaram esconder que estavam rindo, mas a mulher percebeu.
Isso acionou a fúria da mulher do vestido estampado.
Mulher do vestido estampado: Qual é o problema de vocês, hein? Tem alguma palhaça aqui?
Neide: Não, moça, desculpa.
Lu: Palhaça, não. Mas uma feira livre em forma de gente, sim. Me vê uma penca de banana, por favor.
Mulher do vestido estampado: Eu vou dar na tua cara, sua folgada.
Ane: Para bater nela, vai ter que bater em mim também, sua colorida!
Marjorie: E se bater nelas, eu chamo a polícia. Eu não vou encostar os meus dedos em você. Nem nessa cortina cafona, que você está usando como vestido.
Mulher do vestido estampado: Então, espera aí, que eu vou chamar as madrinhas dos meus quíntuplos para pegar vocês três, suas vagabundas.
Ane: Caraca, a gente está ferrada. O mulher, além de cafona, é uma vaca parideira. Foi chamar um time de futebol para bater na gente.
Adalberto: Um time de futebol, não, porque faltariam jogadores. Mesmo se fosse futebol society.
Lu: Garoto, cala a boca e vamos embora daqui.
Adalberto: Eu, não. Vim aqui para batizar os meus três afilhadinhos e não saio daqui sem fazer isso.
Marjorie: Então, fica aí sozinho para enfrentar aquelas cinco baleias que estão vindo na nossa direção.
Peguei a minha mãe pelo braço e corri para o estacionamento.
Neide: Meu filho, a gente não pode ir embora assim.
Adalberto: Quer pagar para ver a fúria da mulher do vestido estampado?
Lu: Tia Neide, cala a boca e vamos embora. Corre!
Entramos no carro e deixamos para trás a terceira tentativa de batizar os trigêmeos e as madrinhas dos quíntuplos enfurecidas.
E, para variar, paramos num bar para tomar um chopinho. Bem longe daquela igreja, claro.
Ane: Sabe o que eu acho? Esse batismo não é para ser. Eu não quero mais ser madrinha da Lina. É a Lina a minha afilhada? Ih, caraca, nem sei mais se eu sou madrinha da Lina ou da Liana. Lu, você é madrinha de quem?
Lu: Não sei. É de uma dessas duas. Na hora, você pega uma, eu pego a outra e tudo se resolve.
Marjorie: O meu é fácil, porque é o Gero.
Adalberto: E o meu é mais fácil ainda, porque eu sou padrinho dos três. Desculpa aí.
Ane: Metido!
Neide: Gente, vamos ligar para a Sara? Ela deve estar na porta da igreja maluquinha, esperando vocês.
Marjorie: Vamos. Mas a gente fala o quê, tia?
Neide: Ué, que não tem como a gente ir. Vamos falar a verdade. As madrinhas dos quíntuplos não querem bater na gente? vamos contar isso para ela, então.
Adalberto: Então, liga aí, mãe, já que você deu a ideia.
Neide: Você é esperto, hein, garoto.
Adalberto: Esperto, não. Eu não ri de ninguém. Vim para cá em solidariedade a vocês. Se eu não tirasse vocês de lá, a essa hora, em vez do batismo dos trigêmeos, eu ia estar no enterro de vocês quatro.
Ane: Liga, tia!
Lu: É, tia, anda logo!
Neide: Vocês são folgadas, hein. Vou ligar mas é pela Sara. Eu não tenho culpa de ter rido do vestido daquela mulher. A Ane foi quem me mostrou a cafona. Ela que devia estar ligando para a ...
Sara: Alô.
Neide: Alô. Oi, Sara, tudo bem?
Sara: Tudo, tia.
Neide: Minha filhinha, a gente queria te explicar uma coisa. Mas a gente não queria que você ficasse chateada com a gente. A gente não teve culpa. Quer dizer, mais ou menos. Você já está aí na igreja?
Sara: Não.
Neide: Não?
Adalberto: Não?
Marjorie: Não?
Ane: Não?
Lu: Não?
Neide: Onde você está?
Sara: Em casa, tia, dormindo. Hoje é sábado, não é dia de missa. Missa é amanhã, domingo.
Neide: Ah, tá. É verdade. Olha, eu estou maluquinha. Sara, meu amor, desculpa, fiz confusão.
Sara: Aconteceu alguma coisa?
Neide: Não, está tudo bem.
Sara: Então, está bem, tia. Vou voltar a dormir. Estou muito cansada. As crianças choraram a noite toda e só agora que eu consegui pegar no sono.
Neide: Vai, sim, minha filha. Volta a dormir, sim. Depois a gente se fala com calma. Um beijo.
Marjorie: E aí, tia? Conta!
Neide: Gente, a Sara esqueceu do batismo.
Ane: E a senhora mandou muito bem em não ter lembrado a ela. Vou pedir mais uma rodada de chope só por causa disso. Isso precisa ser celebrado.
Neide: Isso o quê?
Ane: O lado atriz da senhora.
Adalberto: Ou você quer dizer mentirosa.
Lu: Atriz, mentirosa, qualquer coisa. O importante é que ela soube conduzir bem a situação.
Marjorie: E ela não mentiu. Ela só omitiu.
Ane: É. E se a Sara esqueceu o batismo dos próprios filhos, o problema é dela. Não nosso.
Lu: Nem da tia Neide.
Marjorie: Concordo.
Neide: Gente, vocês, por favor, não contem nada para ela. Vamos deixar assim. Todo mundo esqueceu, está bem?
Ane: Perfeito, tia. Agora, a Sara vai se crucificar, quando realizar que esqueceu do batismo dos próprios filhos.
Marjorie: Nada. De mais a mais, ela tem esse direito. Nós mesmos já esquecemos. Agora, foi a vez dela.
Adalberto: Olha, o chope chegou. Vamos brindar?
Ane: Um brinde ao talento artístico da tia Neide.
Lu: Um brinde ao esquecimento da Sara.
Neide: Um brinde aos trigêmeos, que não têm nada a ver com isso, e deviam estar agora sendo batizados, coitadinhos.
Marjorie: Um brinde à mulher do vestido cafona. Se não fosse por ela e por pessoas como ela, não haveria a distinção entre brega e chique.
Adalberto: Um brinde a mim, que livrei vocês da fúria das madrinhas dos quíntuplos.
E, no fim do dia, após muitas outras rodadas de chope e brindes como esses, nós fomos embora.
sábado, 28 de julho de 2012
sábado, 21 de julho de 2012
Espírito aventureiro até a página dois
Hoje, eu acordei com espírito aventureiro. Mas precisava de uma sugestão e uma companhia. Liguei para a Marjorie.
Marjorie: Oi, primo.
Adalberto: Jojô, queria fazer uma coisa radical hoje. Fujir da rotina de fim de semana.
Marjorie: Então, você ligou para a pessoa certa.
Adalberto: Como assim?
Marjorie: Eu estou esperando um amigo me buscar aqui em casa. A gente vai para a Região dos Lagos fazer rally nas dunas.
Caraca. Não sei se o nível do meu espírito aventureiro eliminava o meu cagaço para essa atividade.
Adalberto: Rally nas dunas? É isso mesmo que eu ouvi?
Marjorie: É, Adal. Vamos?
Adalberto: Rally nas dunas eu estou cansado de fazer.
Marjorie: Você? Mentira! Nunca me falou nada.
Adalberto: Eu achava que você não gostasse. Foi há muito tempo atrás.
E antes que eu me enrolasse com muita explicação falsa, cortei logo o assunto.
Adalberto: Amoreca, estão me interfonando. Deve ser o porteiro para dizer que eu esqueci o farol do carro aceso. Eu sempre faço isso. Depois, a gente se fala. Beijo. Ah, divirta-se.
Eu queria alguma coisa menos radical. E a Ane podia ter uma boa ideia.
Ane: Que surpresa boa você me ligando logo pela manhã de um sábado.
Adalberto: Pois é, acordei com uma vontade de fazer alguma coisa muio diferente. Tipo radical. Mas não muito.
Ane: Então, você ligou para a pessoa certa.
Medo.
Adalberto: É? O que você sugere?
Ane: Sugiro, não. Eu vou acompanhar um carinha que eu estou ficando numa escalada na Pedra da Gávea. Vamos?
E se eu cair naquelas pedras? De jeito nenhum!
Adalberto: Ah, fala sério. Escalada na Pedra da Gávea. Isso, para mim, já perdeu a graça.
Ane: Desde quando você já escalou a Pedra da Gávea, senhor Adalberto?
Adalberto: Ah, Ane, faça-me o favor, né? Isso tem tempo. Agora, deixa eu desligar, porque estão me interfonando. Deve ser o porteiro para dizer que eu esqueci o farol do carro aceso. Eu sempre faço isso. Depois, a gente se fala. Beijo. Ah, divirta-se.
Cruz credo! Eu ir fazer escalada na Pedra da Gávea? Só se for sob anestesia geral. A Lu devia ter uma sugestão mais pé no chão.
Lu: Oi, meu amor. Ligou na hora certa.
Adalberto: Jura? Por quê?
Lu: Tenho uma proposta para te fazer.
Adalberto: Então, faz. Hoje, eu estou realmente aceitando propostas. Se for radical, então, é comigo mesmo.
Lu: Cara, um amigo do carinha que eu estou pegando furou com a gente, e tem uma vaga para saltar de paraquedas. Partiu?
Putz! Não mesmo! E se o treco lá não abrir? Não, de jeito nenhum! Eu não sou louco de fazer uma coisa dessas comigo! O meu espírito aventureiro, definitivamente, vai só até a página dois.
Adalberto: Ah, Lu, saltar de paraquedas, para mim, perdeu a graça. Na época do colégio, a gente pulava direto, até que um amigo morreu. O paraquedas dele não abriu. Aí, eu fiquei meio impressionado com a essa cena. E, desde então, não consegui mais saltar. Eu lembro do meu amigo e fico travado.
E, assim, eu a convenci de que saltar de paraquedas não era a minha praia, apelando para a emoção.
Lu: Ai, Adal, que chato. Fiquei até com medo agora.
Caraca, também não era para melar o programa da garota. Tive que mandar aquele papo do "nosso destino já está traçado" para reencorajar a prima.
Adalberto: Lu, quando chega a nossa hora, a gente pode estar sentado no sofá vendo novela, que não tem jeito. O nosso destino já está traçado. Vai lá se divertir. Não perde essa oportunidade.
Lu: É verdade, primo. Eu vou, sim. Beijo!
A Sara não ia me decepcionar. Ela tem medo de tudo. Uma caminhada na orla, para ela, já é mais do que uma grande aventura.
Sara: Oi, Adal. Fala rápido que eu estou me arrumando para sair.
Adalberto: Ah, que pena. Ia te chamar para um programa radical.
Sara: É? Qual?
Adalberto: Não sei ainda. Ia te pedir uma sugestão. Hoje, eu acordei meio que querendo fazer alguma coisa diferente. Mas não muito diferente, sabe?
Sara: Sei. Que tal fazer uma trilha de cinco quilômetros em Petrópolis?
Jamais! Tenho pavor de trilha. Morro de medo daqueles bichos que a gente nunca viu na vida e, sobretudo, de cobra.
Adalberto: Ah, seria uma boa, hein, Sarita. Pena que você vai sair.
Sara: Adal, você não está entendendo. Eu estou me arrumando exatamente para uma trilha de cinco quilômetros em Petrópolis. A gente deve sair em uma hora daqui de casa. Tem vaga no carro. Vamos?
Adalberto: Como assim você vai fazer uma trilha de cinco quilômetros em Petrópolis? E os trigêmeos?
Sara: Vão ficar com a babá, ué.
Adalberto: E você vai se arriscar no meio das cobras? O Oswaldo está sabendo dessa sua loucura?
Sara: Claro. Foi ele que me chamou. Isso foi ideia de um amigo dele. Estamos todos indo, primo.
Adalberto: E você não está com medo?
Sara: Olha, Adal, se eu te falar que não estou com medo, eu vou estar mentindo. Mas você sabe, né? Quem não dá assistência perde para a concorrência. Eu não posso deixar o Oswaldo muito solto no fim de semana, não. Senão, já viu, né? De mais a mais, o nosso destino já está traçado. Quando chega a nosso hora, a gente pode estar sentando no sofá vendo novela, que não tem jeito.
Adalberto: É...
Sara: Então, Vamos?
Adalberto: Não. Quer dizer, lembrei que eu esqueci de lembrar de comprar um tênis de corrida. Não vai dar.
Nunca formulei uma oração tão ruim como essa.
Sara: O Oswaldo, de repente, tem um para te emprestar.
Adalberto: Deixa para lá. Não é para ser. Eu não esqueci de comprar o tênis à toa. Deve ser coisa do destino. Ih, Sarita, deixa eu desligar. Estão me interfonando. E, dessa vez, é sério mesmo.
Sara: Como assim é sério? Aconteceu alguma coisa?
Adalberto: Não, fica tranquila. Deve ser o porteiro para dizer que eu esqueci o farol do carro aceso. Eu sempre faço isso. Depois, a gente se fala. Beijo.
O que poderia ser?
Adalberto: Pronto.
Deucleciano: Seu Adalberto, aqui é da portaria.
Adalberto: Já sei: esqueci o farol do carro aceso.
Deucleciano: Não. O Ruy e a Marta, do 303, pediram para eu interfonar para o senhor, para convidar o senhor para um churrasquinho que eles estão fazendo aqui embaixo.
Adalberto: Ah, legal. Obrigado, Deucleciano. Já estou descendo.
E esse churrasquinho foi a minha aventura mais radical do sábado.
Marjorie: Oi, primo.
Adalberto: Jojô, queria fazer uma coisa radical hoje. Fujir da rotina de fim de semana.
Marjorie: Então, você ligou para a pessoa certa.
Adalberto: Como assim?
Marjorie: Eu estou esperando um amigo me buscar aqui em casa. A gente vai para a Região dos Lagos fazer rally nas dunas.
Caraca. Não sei se o nível do meu espírito aventureiro eliminava o meu cagaço para essa atividade.
Adalberto: Rally nas dunas? É isso mesmo que eu ouvi?
Marjorie: É, Adal. Vamos?
Adalberto: Rally nas dunas eu estou cansado de fazer.
Marjorie: Você? Mentira! Nunca me falou nada.
Adalberto: Eu achava que você não gostasse. Foi há muito tempo atrás.
E antes que eu me enrolasse com muita explicação falsa, cortei logo o assunto.
Adalberto: Amoreca, estão me interfonando. Deve ser o porteiro para dizer que eu esqueci o farol do carro aceso. Eu sempre faço isso. Depois, a gente se fala. Beijo. Ah, divirta-se.
Eu queria alguma coisa menos radical. E a Ane podia ter uma boa ideia.
Ane: Que surpresa boa você me ligando logo pela manhã de um sábado.
Adalberto: Pois é, acordei com uma vontade de fazer alguma coisa muio diferente. Tipo radical. Mas não muito.
Ane: Então, você ligou para a pessoa certa.
Medo.
Adalberto: É? O que você sugere?
Ane: Sugiro, não. Eu vou acompanhar um carinha que eu estou ficando numa escalada na Pedra da Gávea. Vamos?
E se eu cair naquelas pedras? De jeito nenhum!
Adalberto: Ah, fala sério. Escalada na Pedra da Gávea. Isso, para mim, já perdeu a graça.
Ane: Desde quando você já escalou a Pedra da Gávea, senhor Adalberto?
Adalberto: Ah, Ane, faça-me o favor, né? Isso tem tempo. Agora, deixa eu desligar, porque estão me interfonando. Deve ser o porteiro para dizer que eu esqueci o farol do carro aceso. Eu sempre faço isso. Depois, a gente se fala. Beijo. Ah, divirta-se.
Cruz credo! Eu ir fazer escalada na Pedra da Gávea? Só se for sob anestesia geral. A Lu devia ter uma sugestão mais pé no chão.
Lu: Oi, meu amor. Ligou na hora certa.
Adalberto: Jura? Por quê?
Lu: Tenho uma proposta para te fazer.
Adalberto: Então, faz. Hoje, eu estou realmente aceitando propostas. Se for radical, então, é comigo mesmo.
Lu: Cara, um amigo do carinha que eu estou pegando furou com a gente, e tem uma vaga para saltar de paraquedas. Partiu?
Putz! Não mesmo! E se o treco lá não abrir? Não, de jeito nenhum! Eu não sou louco de fazer uma coisa dessas comigo! O meu espírito aventureiro, definitivamente, vai só até a página dois.
Adalberto: Ah, Lu, saltar de paraquedas, para mim, perdeu a graça. Na época do colégio, a gente pulava direto, até que um amigo morreu. O paraquedas dele não abriu. Aí, eu fiquei meio impressionado com a essa cena. E, desde então, não consegui mais saltar. Eu lembro do meu amigo e fico travado.
E, assim, eu a convenci de que saltar de paraquedas não era a minha praia, apelando para a emoção.
Lu: Ai, Adal, que chato. Fiquei até com medo agora.
Caraca, também não era para melar o programa da garota. Tive que mandar aquele papo do "nosso destino já está traçado" para reencorajar a prima.
Adalberto: Lu, quando chega a nossa hora, a gente pode estar sentado no sofá vendo novela, que não tem jeito. O nosso destino já está traçado. Vai lá se divertir. Não perde essa oportunidade.
Lu: É verdade, primo. Eu vou, sim. Beijo!
A Sara não ia me decepcionar. Ela tem medo de tudo. Uma caminhada na orla, para ela, já é mais do que uma grande aventura.
Sara: Oi, Adal. Fala rápido que eu estou me arrumando para sair.
Adalberto: Ah, que pena. Ia te chamar para um programa radical.
Sara: É? Qual?
Adalberto: Não sei ainda. Ia te pedir uma sugestão. Hoje, eu acordei meio que querendo fazer alguma coisa diferente. Mas não muito diferente, sabe?
Sara: Sei. Que tal fazer uma trilha de cinco quilômetros em Petrópolis?
Jamais! Tenho pavor de trilha. Morro de medo daqueles bichos que a gente nunca viu na vida e, sobretudo, de cobra.
Adalberto: Ah, seria uma boa, hein, Sarita. Pena que você vai sair.
Sara: Adal, você não está entendendo. Eu estou me arrumando exatamente para uma trilha de cinco quilômetros em Petrópolis. A gente deve sair em uma hora daqui de casa. Tem vaga no carro. Vamos?
Adalberto: Como assim você vai fazer uma trilha de cinco quilômetros em Petrópolis? E os trigêmeos?
Sara: Vão ficar com a babá, ué.
Adalberto: E você vai se arriscar no meio das cobras? O Oswaldo está sabendo dessa sua loucura?
Sara: Claro. Foi ele que me chamou. Isso foi ideia de um amigo dele. Estamos todos indo, primo.
Adalberto: E você não está com medo?
Sara: Olha, Adal, se eu te falar que não estou com medo, eu vou estar mentindo. Mas você sabe, né? Quem não dá assistência perde para a concorrência. Eu não posso deixar o Oswaldo muito solto no fim de semana, não. Senão, já viu, né? De mais a mais, o nosso destino já está traçado. Quando chega a nosso hora, a gente pode estar sentando no sofá vendo novela, que não tem jeito.
Adalberto: É...
Sara: Então, Vamos?
Adalberto: Não. Quer dizer, lembrei que eu esqueci de lembrar de comprar um tênis de corrida. Não vai dar.
Nunca formulei uma oração tão ruim como essa.
Sara: O Oswaldo, de repente, tem um para te emprestar.
Adalberto: Deixa para lá. Não é para ser. Eu não esqueci de comprar o tênis à toa. Deve ser coisa do destino. Ih, Sarita, deixa eu desligar. Estão me interfonando. E, dessa vez, é sério mesmo.
Sara: Como assim é sério? Aconteceu alguma coisa?
Adalberto: Não, fica tranquila. Deve ser o porteiro para dizer que eu esqueci o farol do carro aceso. Eu sempre faço isso. Depois, a gente se fala. Beijo.
O que poderia ser?
Adalberto: Pronto.
Deucleciano: Seu Adalberto, aqui é da portaria.
Adalberto: Já sei: esqueci o farol do carro aceso.
Deucleciano: Não. O Ruy e a Marta, do 303, pediram para eu interfonar para o senhor, para convidar o senhor para um churrasquinho que eles estão fazendo aqui embaixo.
Adalberto: Ah, legal. Obrigado, Deucleciano. Já estou descendo.
E esse churrasquinho foi a minha aventura mais radical do sábado.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Deus salva Ane e Lu, após ficarem na mão por GPS e ex-namorado em Belford Roxo
Ontem, a Ane me ligou literalmente perdida.
Ane: Adal, eu estava indo para Vila Valqueire para conhecer um carinha da internet, mas vim parar em Belford Roxo.
Adalberto: Como assim? Por que isso?
Ane: Aquele GPS do Paraguai que eu comprei...
Adalberto: Eu já te falei para parar com essa mania de comprar tudo do mais barato. O barato, às vezes, sai muito caro.
Ane: É... E esse me saiu pela hora da morte. Eu estou num lugar muito sinistro.
Adalberto: Sério?
Ane: Sério, primo. Estou morrendo de medo, primo. Estou rodando por aqui a esmo, porque acho que se eu parar o carro nesse lugar que eu estou, vão levar até a minha calcinha.
Adalberto: Esse GPS de merda não fala português?
Ane: Diz no manual que sim. Mas é um portunhol muito confuso. Aí, preferi colocar no espanhol e me ferrei.
Adalberto: É por isso que eles vendem o produto barato. Economizaram no tradutor...
Ane: O seu carro já voltou do mecânico?
Adalberto: Já, sim. Voltou hoje.
Ane: Ai, primo, vou te pedir um favor, então, porque sozinha eu não vou conseguir sair daqui.
Ah, não! Ela ia pedir para ir lá Belford Roxo resgatá-la. Mas, para a minha sorte, o meu telefone convencional tocou. Essa era uma ótima desculpa para eu desligar e sair pela tangente.
Adalberto: Anita, vou atender o telefone daqui de casa. Estou esperando uma ligação importante de lá do trabalho.
Ane: Está bem. Eu espero.
Putz!
Adalberto: Alô.
Lu: Primo, eu acabei de terminar com o Idelfonso.
Adalberto: E aí?
Lu: E aí que eu estou um caco e queria te pedir um favor.
Adalberto: Fala, meu amor.
Lu: Você pode vir aqui em Belford Roxo me buscar, porque o cachorro do Idelfonso é tão cretino, que não vai nem me levar em casa? E eu não tenho um centavo aqui. Nem para a passagem de ônibus, primo.
Belfordo Roxo! Eu não estava acreditando! Deus existe! Antes que eu tivesse a brilhante de promover o encontro das duas, um milagre aconteceu: a Ane atropelou a Lu.
Não foi nada demais. A Lu estava atravessando a rua desatenta, falando ao celular comigo. E a Ane, que já é meio avoada, estava completamente desorientada, por estar num lugar perigoso e que ela não conhecia. Graças a isso, a Ane passou de raspão pela Lu, que caiu num buraco de lama. Fora o fato de ter ficado completamente suja, a Lu estava inteirinha.
Viu como é a vida? Uma estava indo conhecer um carinha da internet em Vila Valqueire, se perdeu, foi parar em Belford Roxo, num lugar perigoso e estava morrendo de medo. A outra perdeu o namorado, ficou na rua da amargura e não tinha como voltar para casa de Belford Roxo.
Uma precisava de ajuda para sair de lá e a outra, de um meio para sair de lá.
Uma atropelou a outra, por sorte não foi nada grave, e eu não precisei sair de casa.
Deus existe.
Ane: Adal, eu estava indo para Vila Valqueire para conhecer um carinha da internet, mas vim parar em Belford Roxo.
Adalberto: Como assim? Por que isso?
Ane: Aquele GPS do Paraguai que eu comprei...
Adalberto: Eu já te falei para parar com essa mania de comprar tudo do mais barato. O barato, às vezes, sai muito caro.
Ane: É... E esse me saiu pela hora da morte. Eu estou num lugar muito sinistro.
Adalberto: Sério?
Ane: Sério, primo. Estou morrendo de medo, primo. Estou rodando por aqui a esmo, porque acho que se eu parar o carro nesse lugar que eu estou, vão levar até a minha calcinha.
Adalberto: Esse GPS de merda não fala português?
Ane: Diz no manual que sim. Mas é um portunhol muito confuso. Aí, preferi colocar no espanhol e me ferrei.
Adalberto: É por isso que eles vendem o produto barato. Economizaram no tradutor...
Ane: O seu carro já voltou do mecânico?
Adalberto: Já, sim. Voltou hoje.
Ane: Ai, primo, vou te pedir um favor, então, porque sozinha eu não vou conseguir sair daqui.
Ah, não! Ela ia pedir para ir lá Belford Roxo resgatá-la. Mas, para a minha sorte, o meu telefone convencional tocou. Essa era uma ótima desculpa para eu desligar e sair pela tangente.
Adalberto: Anita, vou atender o telefone daqui de casa. Estou esperando uma ligação importante de lá do trabalho.
Ane: Está bem. Eu espero.
Putz!
Adalberto: Alô.
Lu: Primo, eu acabei de terminar com o Idelfonso.
Adalberto: E aí?
Lu: E aí que eu estou um caco e queria te pedir um favor.
Adalberto: Fala, meu amor.
Lu: Você pode vir aqui em Belford Roxo me buscar, porque o cachorro do Idelfonso é tão cretino, que não vai nem me levar em casa? E eu não tenho um centavo aqui. Nem para a passagem de ônibus, primo.
Belfordo Roxo! Eu não estava acreditando! Deus existe! Antes que eu tivesse a brilhante de promover o encontro das duas, um milagre aconteceu: a Ane atropelou a Lu.
Não foi nada demais. A Lu estava atravessando a rua desatenta, falando ao celular comigo. E a Ane, que já é meio avoada, estava completamente desorientada, por estar num lugar perigoso e que ela não conhecia. Graças a isso, a Ane passou de raspão pela Lu, que caiu num buraco de lama. Fora o fato de ter ficado completamente suja, a Lu estava inteirinha.
Viu como é a vida? Uma estava indo conhecer um carinha da internet em Vila Valqueire, se perdeu, foi parar em Belford Roxo, num lugar perigoso e estava morrendo de medo. A outra perdeu o namorado, ficou na rua da amargura e não tinha como voltar para casa de Belford Roxo.
Uma precisava de ajuda para sair de lá e a outra, de um meio para sair de lá.
Uma atropelou a outra, por sorte não foi nada grave, e eu não precisei sair de casa.
Deus existe.
sábado, 7 de julho de 2012
Meta de curto prazo acaba em filme com brigadeiro de panela
Quando eu anunciei que ficaria a sexta-feira em folga, na minha casa, todas as primas arrumaram espaço para me ver. A Sara deixou os filhos com a babá. A Marjorie trabalhou até tarde na quinta para ter a sexta-feira livre. A Ane pediu para o pai, que também é seu chefe, uma folga para resolver problemas. E a Lu pegou atestado médico com uma amiga nossa para não precisar ir ao salão onde trabalha. Politicamente corretas ou não, elas mandaram muito bem.
NENHUMA!
Decidimos ir andar de bicicleta na orla da Zona Sul. Esse programa era uma das nossas metas de curto prazo de fim de ano, que a gente nunca conseguia cumprir. E, dessa vez, eu acreditava que ia dar.
Marquei às oito na casa da Marjorie, no Leblon, com esperança de sair, no máximo, duas horas depois. Mas, com muita sorte, conseguimos sair ao meio-dia.
Sara: A Lu sempre se atrasa.
Lu: A Lu é o caramba!
Adalberto: Todas vocês se atrasaram.
Marjorie: Eu não me atrasei.
Adalberto: Se atrasou, sim. Quando eu cheguei, você ainda estava dormindo, sua cara de pau.
Ane: Gente, vamos logo. Eu já estou ficando com fome.
Lu: Calma aí. Vou fazer xixi.
Sara: Viu como é sempre ela o problema maior...
Adalberto: Sara, querida, chega de implicar. O importante é que a gente vai cumprir mais uma meta de curto prazo, que nós estabelecemos juntos.
Ane: Qual foi a outra meta de curto prazo, que a gente conseguiu cumprir, Adal?
NENHUMA!
Adalberto: Não me lembro, Ane. Gente, vamos. Aquela minha amiga do trabalho, a Kelly Marie, ficou de vir aqui para ir com a gente, mas como ela não chegou até agora e não é uma das primas, vai ficar na pista.
Marjorie: Falou e disse, primo. Vamos.
Marjorie: Falou e disse, primo. Vamos.
Começamos o percurso pelo Leblon, claro. Tudo parecia perfeito. O sol estava incrível, as primas tinham parado de brigar e a praia estava lotada. Nada podia estragar.
Ou quase nada, porque, depois de trezentos metros, a Sara encontrou uma vizinha do Méier e resolveu parar.
Lu: Ai, não acredito! Depois, sou eu o problema...
Adalberto: Lu, não começa. Deixa ela falar com a amiga.
Marjorie: É, Lu. Hoje o dia não é para briga. É para diversão. Espera um pouco.
Ane: Isso mesmo. Vamos deixar para brigar, quando a gente se apaixonar pelo mesmo homem.
Passados quinze minutos...
Marjorie: Adal, vamos chamar a Sara. Meu corpo já esfriou.
Fui interromper a palestra que a Sara devia estar dando para a vizinha.
Adalberto: Sarita, me dá licença um pouquinho. Vamos nessa? As meninas ainda estão esperando.
Sara: Ai, Adal, desculpa. Eu acho que eu vou voltar para casa com a Jurema. Ela veio ver a filha aqui na Zona Sul, mas já está voltando. Ela disse que não tem problema colocar minha bicicleta no carro dela. Você vai ficar chateado?
Chateado, não. IRADO!
Adalberto: Claro que não, meu amor. Beijo.
Ane: Que falta de consideração da Sara, hein...
Lu: Eu não falo nada.
Marjorie: É melhor.
Eu calado estava. Calado Fiquei. Continuamos o nosso percurso e, por muita falta de sorte, em menos de um quilômetro, uma estilista interrompeu a Marjorie para falar de trabalho.
Eu calado estava. Calado Fiquei. Continuamos o nosso percurso e, por muita falta de sorte, em menos de um quilômetro, uma estilista interrompeu a Marjorie para falar de trabalho.
Abigail: Amore, eu tenho que te mostrar umas fotos de uns modelos, que eu quero que você desenvolva lá para a minha oja.
Marjorie: Claro, Abgail. Quando você pode?
Abgail: Agora. Amanhã, vou para Nova York, para a formatura do meu afilhado, e volto daqui a vinte dias. Vou aproveitar para tirar férias.
Marjorie: Beleza. Adal, vou ter que ir.
Inacreditável ponto com!
Adalberto: Sem problemas, Jojô. Beijo.
Lu: Essa Abgail é sem noção, hein...
Ane: Cara de pau total.
A Marjorie também poderia ter dito um lindo não na cara da Abgail. Mas eu não quis pôr lenha na fogueira. Enquanto ainda tinha prima, o programa se mantinha.
Pena que até mais quinhentos metros.
Ane: Lu.
Lu: Fala.
Ane: Aquele ali não é o Chebabi?
Lu: Garota! É ele mesmo!
Chebabi é um cara que ficou com a Lu para chegar à Ane. Isso seria um motivo para uma Terceira Guerra Mundial entre as duas, se não fosse o fato de a Lu ter interesses escusos no primo do Chebabi, o Hitachi.
Ane: Vamos parar?
Lu: Vamos. Mas a primeira coisa que você vai fazer é perguntar pelo Hitachi. Senão, eu acabo com a tua graça.
Ane: Combinado.
Ane e Lu foram para a casa do Hitachi e, assim, o meu programa furado acabou. Voltei para a casa da Marjorie para deixar a bicicleta, peguei o meu carro e fui para casa ver filme e comer brigadeiro de panela.
Se eu soubesse, esperava a Kelly Marie...
Ane e Lu foram para a casa do Hitachi e, assim, o meu programa furado acabou. Voltei para a casa da Marjorie para deixar a bicicleta, peguei o meu carro e fui para casa ver filme e comer brigadeiro de panela.
Se eu soubesse, esperava a Kelly Marie...
sábado, 30 de junho de 2012
O (quase) batismo dos trigêmeos da Sara - Tentativa 2
Vim passar o fim de semana em Búzios com os meus amigos do colégio. A viagem foi programada de última hora. Eu estou meio sem grana, mas como eu achava que não tinha nada para fazer, decidi entrar de leve no cheque especial e vir me divertir com o pessoal. Até que uma ligação da Sara, hoje cedo, acabou com toda a graça.
Tive o ímpeto de dizer que não, que estava toda engarrafada, esburacada, destruída... Mas decidi que era melhor falar a verdade para não piorar as coisas.
Adalberto: Está, sim.
Sara: Beleza, então. Já, já a família tralalá chega aí. Beijo!
Sara: Adal, você já está chegando?
Tremi na base, mas despistei.
Adalberto: Eu? Chegando?
Sara: Ah, não vai me dizer que você também esqueceu do batismo dos seus afilhados?
Putz, era isso. Hoje era o dia da nova tentativa de batizar os trigêmeos da Sara. Na primeira, o padre faltou.
Adalberto: Lindona, eu estou num engarrafamento absurdo aqui na Linha Amarela.
Sara: Bom, pelo menos, você está vindo.
Adalberto: Como assim? Alguém esqueceu?
Nunca torci tanto para uma coisa dar errado...
Sara: A Marjorie, a Lu e a Ane. Está bom para você?
Ufa! Minhas primas me salvaram.
Adalberto: Como elas tiveram a capacidade disso?
Sara: A Marjorie viajou para fazer pesquisa de moda em Milão. Já a Ane e a Lu, viajaram para fazer pegação. Estou muito decepcionada com elas. Nunca mais olho na cara dessas meninas.
Adalberto: Como é que você vai ficar sem falar com as madrinhas dos seus filhos?
Sara: Elas não vão mais batizar as crianças. A tia Neide vai ser madrinha de todos os meus filhos com você.
Caramba, ela me ferrar se fizesse isso. Tentei salvar a minha cabeça.
Adalberto: Sara, a minha mãe já tem muitos afilhados. Ela não vai poder arcar com presentes bons para os meninos, não vai poder te ajudar a comprar coisas para as festas deles...
Sara: Sabe que eu não tinha pensado nisso?
Adalberto: Então, amore, remarca mais uma vez. A gente tem um crédito com você. Na primeira vez, nós fomos. Só agora que a gente esqueceu, mas não foi por mal.
Sara: Como assim, a gente esqueceu, Adal? Você também se inclui nessa?
Ups, mandei mal...
Adalberto: É... É que...
Sara: Bem que eu estava achando estranho a Linha Amarela engarrafada às sete horas da manhã de um sábado.
Adalberto: Mas eu estou na Linha Amarela.
Sara: Ah, está? Então me manda a sua localização pelo celular.
Adalberto: Sério isso?
Sara: Claro, meu bem. Depois do avanço da tecnologia, a gente não tem mais como mentir para ninguém. Me manda aí a sua localização para eu ver se você está falando a verdade.
Eu odeio esses celulares modernos com todas as forças que eu posso ter!
Sara: Claro, meu bem. Depois do avanço da tecnologia, a gente não tem mais como mentir para ninguém. Me manda aí a sua localização para eu ver se você está falando a verdade.
Eu odeio esses celulares modernos com todas as forças que eu posso ter!
Adalberto: Sarita, eu vim para Búzios com meus amigos do colégio.
Depois dessa, esperei o esporro.
Sara: Búzios? Que legal. Estou com uma saudade de Búzios. Nunca mais fui à Região dos Lagos. Só um minutinho, Adal.
Medo!
Sara: Adal.
Adalberto: Oi, amore.
Sara: Falei aqui com o Oswaldo, a tia Neide e o tio Beto, e decidimos ir todos passar o fim de semana com você aí, em Búzios. Tem vaga para a gente, né?
Adalberto: E os trigêmeos?
Sara: Eles vão, ué. Se o padrinho não vem até os afilhados, os afilhados vão até o padrinho.
Isso não podia ser verdade.
Sara: E olha: o Oswaldo está duro. Vamos ficar de seus gigolôs aí. Prepare o seu bolso, meu bem. Padrinho é para isso. Ó, a tia Neide está falando aqui que ela e o tio Beto também vão ficar na sua aba, hein... Até logo, primo. Quando a gente estiver chegando, eu te ligo. Ah, me fala uma coisa: a estrada está boa?
Sara: E olha: o Oswaldo está duro. Vamos ficar de seus gigolôs aí. Prepare o seu bolso, meu bem. Padrinho é para isso. Ó, a tia Neide está falando aqui que ela e o tio Beto também vão ficar na sua aba, hein... Até logo, primo. Quando a gente estiver chegando, eu te ligo. Ah, me fala uma coisa: a estrada está boa?
Tive o ímpeto de dizer que não, que estava toda engarrafada, esburacada, destruída... Mas decidi que era melhor falar a verdade para não piorar as coisas.
Adalberto: Está, sim.
Sara: Beleza, então. Já, já a família tralalá chega aí. Beijo!
E, assim, descobri que a minha entrada no cheque especial ia ser de leve. Mas em grande estilo.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Reunião com as primas acaba em pizza e cheiro de bosta
Ontem, depois de um tempinho tentando, consegui reunir as quatro primas lá em casa. Para variar, não tinha nada na dispensa além de sal nem na geladeira além de água. Tivemos, então, a brilhante ideia de pedir uma pizza.
Lu: Ai, tomara que não demore. Eu estou morrendo de fome.
Sara: E eu estou com uma sede danada.
Adalberto: Ué, tem água na geladeira.
Sara: Mas é sede de Coca, Adal.
Marjorie: Esse negócio de sede de Coca é muito engraçado. E o pior é que supernormal. Outro dia, um funcionário lá fábrica disse que estava morrendo de sede de Coca, aí eu perguntei para ele: e quando não existia Coca, como as pessoas faziam?
Ane: É mesmo. Imagina o mundo sem Coca, gente. Como é que devia ser?
Sara: Não consigo imaginar. Eu ia morrer
Adalberto: Não ia, não, Sarita. Sabe quando a gente sente uma vontade de comer alguma coisa que não sabe o que é? Deve ser de alguma coisa que não existe.
Lu: Cara, aquela tua amiga jornalista, a Flávia Monteiro, é mestre em falar isso. Outro dia, fui para a Lapa com ela, para um showzinho desses alternativos, que por sinal foi uma bosta. Aí, no fim de noite, mortas de fome, passamos numa loja de conveniência. Você acredita que dentre milhões de coisas para comer ela não quis nada? Disse que estava com fome de alguma coisa diferente.
Marjorie: Gente, isso acontece recorrentemente comigo.
Ane: Comigo também.
Adalberto: Com a minha mãe também.
Sara: Será que um dia essas coisas gostosas vão existir, assim como a Coca-Cola?
Adalberto: Ah, não dá para saber.
Marjorie: Muita coisa ainda vem por aí. Enquanto a gente viver, vai ter coisa nova surgindo.
Lu: Ai, eu queria pelo menos viver até lançarem no mercado um negócio gostoso, que eu comi num sonho que tive, mas não sei o que é exatamente.
Sara: Mas era parecido com o quê?
Lu: Não sei. Mas eu quero repetir. Era muito bom.
Ane: Ai, gente, é horrível ficar com vontade de alguma coisa que não existe. É como o homem perfeito.
Adalberto: Como assim, o homem perfeito não existe? E eu?
Ane: Ah, Adal, você não conta. Você já é primo.
Marjorie: E se fosse para ser de uma, ia ter confusão.
Adalberto: Por isso, que eu sou de todas.
Marjorie: Melhor assim.
Ane: Sabe o que eu acho disso tudo?
Adalberto: Disso tudo o quê?
A campainha tocou e eu fiquei morrendo de curiosidade em saber o que a Ane ia falar. Será que era de mim? Do homem perfeito? Da Coca-Cola? Ou das coisas que a gente sente vontade de comer mas não existem?
Lu: Deixa que eu abro.
Marjorie: Adal, eu vou pegar prato e talher na cozinha.
Ane: Eu te ajudo.
Sara: Eu vou lavar minhas mãos.
Em frações de segundo, uma avalanche levou todas as primas embora. A Lu se afeiçoou até demais pelo entregador de pizza e foi com ele para algum lugar que a minha imaginação até alcança, mas prefere se isentar.
Lu: Primo, não fica chateada comigo. Já que de homem perfeito só existe você, o entregador de pizza vai quebrar um galho para mim.
A Marjorie veio correndo da cozinha e a Sara do banheiro. Aliás, não sei como eles não deram um encontrão, de tão pequeno que é o meu apartamento.
Marjorie: Adal, ficou faltando um material para as meninas terminarem umas bolsas lá na fábrica. Tenho que ir em casa agora buscar, porque marquei com a cliente amanhã cedinho.
Sara: E o Oswaldo acabou de me ligar. Os trigêmeos resolveram chorar ao mesmo tempo e ele precisa dormir.
Adalberto: Ele falou se é alguma coisa séria?
Sara: Nada. Não sabe como é homem, quando vê criança chorando? Fica desesperado. Adal, você precisa dar umas aulinhas de como ser o homem perfeito para o Oswaldo.
Adalberto: E como você vai embora?
Sara: Eu pego um táxi. Não se incomoda comigo.
Ane: Não. Eu te levo. Aproveito e pego aquela blusinha que eu deixei para você diminuir a manga.
Adalberto: Ane, Ane! O que você queria falar naquela hora?
Ane: Que hora, garoto?
Adalberto: Naquela hora que você ia dizer o que acha disso tudo.
Ane: Disso tudo o quê, gente?
Adalberto: Daquilo tudo o que a gente estava falando... De Coca-Cola, de vontade de comer coisa que não existe, de homem perfeito... Quando o entregador de pizza chegou e interrompeu seu raciocínio.
Ane: Ai, Adal, sei lá. Eu tenho a Síndrome do Raciocínio Interrompido. Uma vez meu raciocínio interrompido, ele nunca mais se conclui.
Adalberto: Palhaça!
Ane: Devia ser alguma bobagem.
Adalberto: Tenta lembrar.
Sara: Não dá, primo. A não ser que ela não vá mais me levar. Eu estou com pressa.
Ane: Não, eu vou. Adal, eu tento lembrar no caminho e, qualquer coisa, te ligo.
Adalberto: Está bem.
E quando dei por mim, estava sozinho, com uma pizza tamanho família, sem ninguém para me acompanhar naquele desastre gastronômico.
Meia-hora depois, eu estava internado no banheiro com uma dor de barriga daquelas. Quando consegui me libertar do vaso, a minha amiga jornalista, da qual a Lu falou, chegou inesperadamente.
Adalberto: Flavinha! Que surpresa boa!
Flávia: Pois é, estava aqui perto tomar um chope com uma colega de trabalho e, agora, na hora de ir embora, decidi vir aqui te dar um beijinho,
Adalberto: Entra um pouquinho.
Flávia: Está bem. Mas só dois segundinhos, Adal. Estou morta de cansaço..
E quando eu mal havia fechado a porta, ela já queria ir embora.
Adalberto: Como assim, já quer ir embora?
Flávia: Eu falei que eram dois segundinhos, ué.
Na hora, não entendi nada.
Adalberto: Eu te levo até lá fora, então, sua maluquinha.
Flávia: Beleza.
Quando entrei em casa, entendi o porquê da minha amiga ter levado tão ao pé-da-letra os dois segundinhos. O ambiente estava empesteado de um cheiro de bosta, e eu só percebi isso porque fui para fora e voltei.
Coitada da Flávia. Ela descobriu da pior maneira que eu não sou o homem perfeito.
Adalberto: Flavinha! Que surpresa boa!
Flávia: Pois é, estava aqui perto tomar um chope com uma colega de trabalho e, agora, na hora de ir embora, decidi vir aqui te dar um beijinho,
Adalberto: Entra um pouquinho.
Flávia: Está bem. Mas só dois segundinhos, Adal. Estou morta de cansaço..
E quando eu mal havia fechado a porta, ela já queria ir embora.
Adalberto: Como assim, já quer ir embora?
Flávia: Eu falei que eram dois segundinhos, ué.
Na hora, não entendi nada.
Adalberto: Eu te levo até lá fora, então, sua maluquinha.
Flávia: Beleza.
Quando entrei em casa, entendi o porquê da minha amiga ter levado tão ao pé-da-letra os dois segundinhos. O ambiente estava empesteado de um cheiro de bosta, e eu só percebi isso porque fui para fora e voltei.
Coitada da Flávia. Ela descobriu da pior maneira que eu não sou o homem perfeito.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Ane vive uma semana intensa, com escalação de elenco para inglês ver e testes do sofá
Ontem, a Ane me ligou
para contar a boa nova.
Ane: Eu estou
namorando o Deco Real.
Adalberto: E você fala
como se eu conhecesse essa pessoa.
Ane: Adal, você não
conhece o Deco Real?
Adalberto: Não. Quem é
esse?
Ane: Ele é
simplesmente um produtor de elenco.
Adalberto: Ué, e daí?
Ane: E daí que ele
está fazendo a escalação da próxima novela das oito.
Adalberto: Ok. Mas o
que é que isso acrescenta para o seu relacionamento? Se fosse para a novela das
seis, das sete ou Malhação, você não namoraria ele?
Ane: Namoraria. Mas o
bom é que, em se tratando de novela das oito, o meu campo de atuação melhora.
Adalberto: Como assim,
Ane?
Ane: Meu bem, todo
ator sonha em fazer novela das oito.
Adalberto: Tudo bem.
Eu só não estou conseguindo entender a sua relação com isso.
Ane: A minha relação? Vem
aqui em casa daqui a uma hora que você vai ser a minha relação... Sexual com um
ator, que está vindo agora fazer teste comigo.
Adalberto: Ane, isso é
sério?
Ane: Claro que é. Eu
estou no paraíso, Adal.
Adalberto: E o Deco?
Ele sabe dessa sua escalação de elenco para inglês ver?
Ane: Claro que não.
Adalberto: Quantos
testes você já fez?
Ane: Tirando os de
hoje, já fiz trinta.
Adalberto: E em todos
você chegou aos finalmente?
Ane: Não! Eu não transei com
os trinta, não! Um tinha mau hálito e outro tinha cecê. Fiquei com nojo.
Adalberto: E com os
outros vinte e oito?
Ane: Ah, com eles,
sim. Eram todos gatos.
Adalberto: Ane, desde
quando isso começou?
Ane: Desde o meu
segundo dia de namoro. Na segunda-feira.
Adalberto: Ane, de
segunda até hoje você já transou com vinte e oito rapazes?
Ane: Tirando os de
hoje, sim.
Adalberto: Em quatro
dias você fez isso tudo?
Ane: E ainda tinha
espaço para mais. Adal, teste do sofá é o que há.
Adalberto: Ane, você
tem noção de que isso pode te dar o maior problema? O que você está dizendo
para esses rapazes?
Ane: Eu reprovo todos
eles. Aliás, isso é uma bosta. Queria ser produtora de elenco de verdade para
poder aproveitar alguns atores... Em todos os sentidos.
Adalberto: E você usa
o nome do Deco para promover esses testes?
Ane: Uso.
Adalberto: Garota!
Como é que você faz isso?! Está maluca?
Ane: Não.Eu vou nos cursos
de teatro, converso com os atores, mostro foto com o Deco, digo que estou
ajudando a ele a escolher o protagonista da novela das oito, eles acreditam e
vêm aqui. O bom é que todos, sem exceção, acham que é só me comer para ganhar o
papel.
Adalberto: Ane, como
você é suja!
Ane: Suja, não! Só
estou aproveitando uma oportunidade.
Adalberto: Meu Deus!
Você sabia que isso é uma... Bom, deixa para lá. Também vou aproveitar a minha
oportunidade de ficar calado. Vou voltar para o meu trabalho. Beijo.
Ane: Beijo, seu
caretão.
Qualquer coisa que eu
falasse para ela, ia entrar por um ouvido e sair pelo outro.
Hoje, ela me ligou
inconsolável.
Ane: Sabe quem
veio fazer teste hoje cedo comigo?
Adalberto: Não tenho a
menor ideia.
Ane: O filho do Deco.
Adalberto: Mentira.
Ane: Sério.
Adalberto: E aí?
Ane: Ele veio indicado
por uma amiga, nós transamos e agora, à noite, quando fui jantar com o pai
dele, fui surpreendida pela presença dele.
Adalberto: Jesus! E
aí?
Ane: Aí, que o Deco
descobriu que o filho fazia curso teatro sem ele saber e que a namorada dele
ficou com o seu próprio filho.
Adalberto: O garoto
contou?
Ane: Contou. Eu chutei
o pé dele por debaixo da mesa, quando ele começou a entrar no assunto, mas não
adiantou nada. Ele vomitou tudo para o pai.
Adalberto: E aí?
Ane: Aí, que Deco me xingou de todos os nomes, que você possa imaginar, levou o filho embora e me deixou no restaurante sozinha com uma conta assustadora para eu pagar. Se eu soubesse que a conta ia sobrar para mim, tinha chamado ele para tomar caldo de cana com pastel.
Adalberto: E agora?
Ane: Agora? Eu estou
sem o Deco, sem os testes de elenco e muito mal acostumada, né?
Adalberto: Como assim,
mal acostumada?
Ane: Era uma média de
sete por dia, Adal.
Adalberto: Ah, sim.
Entendi.
Pobrezinha...
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