terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mãe é tudo. E filho não vale nada

Ontem, à tarde, eu estava em casa deitado no sofá, pegando no sono, quando a minha mãe me ligou.

Adalberto: Alô.

Neide: Oi, meu filho, que voz é essa? Tá tudo bem?


Adalberto: Tá... É que eu tô com sono, aqui no sofá, ouvindo a televisão.

Neide: Ah, meu filho, queria te pedir um favor. Me leva no mercado rapidinho? É que eu tenho que comprar umas frutas pro lanche, que vai ter na igreja amanhã.

Adalberto: Mãe, me desculpe, mas vou ficar te devendo essa.

Neide: Poxa, que maldade! Eu faço tudo por você e pela tua irmã e, quando chega a minha vez, é sempre assim. Tô cansada de vocês.

Adalberto: Mas, mãe, só porque eu tô cansado e não quero te levar no mercado?

Neide: Não. Porque você nunca faz nada por mim!

Minha mãe é muito exagerada. Ela precisa parar de assistir novela mexicana urgentemente!

Adalberto: Eu não faço nada por você?

Neide: Não. Mas deixa estar... Vou ligar pro Edemésio. Ele, com certeza, vai me levar lá.

Adalberto: Se você já tinha certeza disso, por que não ligou pra ele antes, nãe?

Neide: Porque eu tenho filhos. Mas meus filhos não valem nada.

Adalberto: Mãe, é melhor você ir lá. Não quero brigar com você e tô cansado.

Neide: Tchau. E, se precisar de mim, você vai ver só o que eu vou fazer.

Adalberto: Beijo, te amo.

Pior que, depois disso, perdi o sono e senti uma fome de leão. Queria pedir uma pizza, mas, em pleno fim de mês, não tenho dez reais na minha conta.

Até que seria uma boa ir ao mercado com a minha mãe, hein... Mas eu não podia ligar pra ela, depois da nossa pseudobriga.

O telefone tocou, e eu tinha certeza que era ela, ligando pra me pedir desculpas. Atendi na pressa, sem ver que, na verdade, era a Marjorie que estava me ligando.

Adalberto: Fala, mãe linda!

Marjorie: Que mãe, garoto? Sou eu, Marjorie?

Adalberto: Oi, Jojô. Nem vi que era você. É que eu estava falando com a minha mãe, achei que fosse ela.

Marjorie: Ai, nem me fale em tia Neide. Tô fugindo dela.

Adalberto: Ela quer que você a leve no mercado também?

Marjorie: Não. Quem dera se fosse isso.

Adalberto: O que aconteceu?

Marjorie: Garoto, eu fiquei com o Edemésio.

Adalberto: Como assim? O Edemésio é seminarista da igreja dela. Você sabia disso, né?

Marjorie: Então, eu sabia. Mas não sabia que eles não podiam ficar com outras pessoas.

Adalberto: Claro que não. O cara tá estudando pra ser padre! Padres não podem casar, esqueceu?

Marjorie: Não. Mas eu não sabia que, enquanto o cara não virasse padre, não podia curtir a vida.

Adalberto: Mas pode curtir a vida. Contanto que não tenho sexo no meio.

Marjorie: Ai, eu quero me matar. Ele só me contou isso, depois que a parada acabou.

Adalberto: Ele não é bobo, né? Quando foi isso?

Marjorie: Hoje. Encontrei com ela na padaria, aí, ele veio aqui pra casa e só saiu agora. Foi pedir dispensa da igreja

Adalberto: Mentira! Minha mãe ia ligar pra ele agora. Vai ficar passada.

 Marjorie: Vai querer me matar.

Adalberto: Não sei se vai querer te matar, mas ela mistura as coisas, né? Por mais que ele tenha seguido uma vontade dele, ela vai achar que você influenciou. Ih, meu celular tá com chamada em espera. É ela. Vou atender aqui.

Marjorie: Me defende, primo.

Adalberto: Deixa comigo.

Atendi cheio de autoridade.

Adalberto: Fala, mãe.

Neide: Oi, meu filho, o Edemésio não vai poder me levar.

Adalberto: Ah, não. Por quê?

Neide: Então, tô arrasada com Edemésio. Ele não vale nada. Ai, meu filho, quebra um galho pra mim. Me leva no mercado. No caminho eu te conto.

Adalberto: Claro minha linda. Mas eu tenho uma sugestão melhor. A gente vai ao mercado e, depois, a gente conversa em algum lugar. Vamos conversar dignamente, sentados. Eu sinto falta disso.

Neide: Ótima ideia, filho. O que você sugere?

Adalberto: Ah, sei lá. Você que sabe.

Neide: Vamos, então, no churraquinho do Diógenes?

Adalberto: Ah, não, mãe. Vamos comer pizza?

Neide: Tá bom. Em quanto tempo você chega aqui?

Adalberto: Quinze minutos.

Mas, se dependesse da minha fome, eu me teletransportaria.

Minha mãe não conseguiu segurar e começou o desabafo já no carro. Descobri que o Edemésio não citou a Marjorie em momento algum. Até que o cara tem seu valor.

Na pizzaria, eu parecia uma draga. Só tive noção do tanto que comi, quando a conta chegou. Dei o golpe da carteira e minha mãe, a melhor do mundo, pagou sem reclamar. Só me deu um esporrinho, porque concluiu que, se eu esqueci a carteira em casa, provavelmente, teria esquecido a carteira de motorista junto.

Adalberto: Não, tá aqui comigo. Eu já deixo ela em cima da minha cômoda pra nunca esquecer, quando sair de casa.

Neide: Ah, tá...

Não sei se convenci. Mudei logo de assunto.

Adalberto: E agora? O que o Edemésio vai fazer?

Neide: Voltar pra cidade dele lá no Nordeste. Ele me disse que volta amanhã.

Adalberto: Ah, tá.

Tadinha da Marjorie. Perdeu o seminaristazinho.

Neide: Agora vê, né? O menino me enganou. Achei que era boa gente. Ainda bem que eu tenho os meus filhos.


Mãe é tudo. E filho não vale nada.

sábado, 5 de outubro de 2013

Primas celebram os 25 anos da Constituição Federal ou Viva España!

Eu estava tirando aquela soneca gostosa de depois do almoço, no sofá da sala, quando as quatro malucas invadiram a minha casa.

Marjorie: Primo!

Ane: Adal!

Sara: Acorda, Adalzinho.

Até que a Lu teve a brilhante ideia de jogar água em mim.

Adalberto: Ah! Eu vou morrer!

Lu: Calma, garoto! Vaso ruim não quebra assim, não.

Adalberto: O que é que tá acontecendo? Olha, eu tô cansado de tomar susto com vocês, chegando na minha casa sem me avisar. Podem me passando as chaves daqui do meu apartamento. Vou acabar com essa palhaçada.

Sara: Adal, hoje o dia não é pra brigar. É pra festejar.

Adalberto: Eu tô vendo... Por que vocês estão com esses chapéus de festa de criança? Hoje é o meu aniversário?

Ane: Não, calma, o seu é só no mês que vem. Hoje, é o aniversário da Constituição Federal.

Sara: Vinte e cinco anos.

Adalberto: E isso é motivo de festa?

Marjorie: E o que não é motivo de festa pra gente, primo? Com um dia nublado desses, nada pra fazer em casa, liguei pra Ane, pra perguntar se ela não queria me chamar pra fazer alguma coisa. Aí, a doida disse que não sabia de nada, mas que tinha visto no Jornal Hoje, que hoje é aniversário da Constituição Federal.

Ane: Não é um bom motivo pra gente se reunir? Fala a verdade, primo?

Adalberto: Sei lá.Vocês são mó fora da lei.

Lu: Fora da lei é você, que não levantou até agora pra dar um beijo na gente.

Adalberto: Eu estava dormindo. Acabei de almoçar. Estava tirando a minha sesta. Vamos comemorar a existência da sesta?

Sara: Como assim?

Adalberto: a gente finge que tá na Espanha, tira uma sesta agora e, quando a gente acordar, a gente conta um pro outro se sonhou, com o que sonhou, se foi pesadelo, se foi sonho bom, sonho louco. Vamos fazer isso? Viva España!

Lu: Que mané "viva España"?! Levanta daí, anda!

Adalberto: Ai, que saco.

Marjorie: Poxa, primo. Eu me despenquei do Leblon.

Lu: Eu, do Méier.

Ane: Eu, do Humaitá.

Sara: Eu, de Niterói.

Adalberto: Por que vocês não ficaram em casa? Era melhor. Menos trabalho.

Ane: Ai, Adal, você é um chato, hein. Meninas, vamos abrir os trabalhos. Preciso de uma cerveja.

Marjorie: Vamos esperar só mais uns dez minutinhos. Não estava muito gelada. Eu acabei de colocar no congelador. Com esse tempo frio, já, já ela vai ficar no ponto.

Lu: Olha só, eu quero comer o bolo, que a Marjorie comprou antes de tomar cerveja. Vamos cantar parabéns?

Sara: Vamos. Eu adoro cantar parabéns.

Adalberto: Gente, cantar parabéns pra Constituição?

Ane: Ué, só ela, que a gente conheça, tá fazendo aniversário hoje.

Marjorie: Primo, não discute com maluco. Vem cantar parabéns.

Lu: Se não vier, eu vou arremessar um pedaço de bolo na tua cara.

Ane: Lu, para com essas brincadeiras de mal gosto.

Lu: Cala a boca, garota! Não te perguntei nada.

Marjorie: Vem cá, o núcleo "baixo nível" das primas já começou a se manifestar cedo?

Ane: Você se acha a fina, né?

Marjorie: Não. Só não sou baixa como vocês.

Lu: Baixa é a tua avó.

Sara: A avó dela é a mesma que a tua, que é a mesma que a minha, que é a mesma que a da Ane. Sua burra!

Lu: Burra é você, sua imbecil. E a tua avó!

Sara: Imbecil é você. Não fala mal da minha avó.

Ane: Ah, Sara, vai cuidar do teu marido, vai. Porque, se ele é esperto, ele tá te botando um par de chifres agora.

Marjorie: Cala a boca, garota! Não se mete no meio de relação de casal, sua invejosa!

Lu: Invejosa é você, que adora dar lição de moral em todo mundo.

E enquanto o parabéns pelos vinte e cinco anos de um documento, que assegura os direitos dos indivíduos, não começava, eu voltei a dormir. Elas nem repararam em mim. Estavam tão preocupadas em desrespeitar as leis da boa família, que me deixaram em segundo plano.

Quando acordei, as quatro já tinham voltado a ser melhores amigas e estavam abrindo a quinta garrafa de cerveja.

Adalberto: Pô, nem me acordaram pra beber com vocês.

Lu: Pra quê? Pra você vir de ignorância com a gente?

Ane: A gente não gosta de ser mal tratada, não!

Marjorie: Pois é, primo, fiquei chateada com você.

Sara: É, poxa, deixei meu marido em casa pra vir pra cá, pra ser mal recebida.

Ane: Se ainda estiver com mau humor, é melhor voltar a dormir.

Lu: É mesmo. Vai comemorar a Espanha dormindo aí sozinho. Como é que é mesmo, que ele falou naquela hora?

Marjorie: Viva España!

Lu: Isso, viva España!

Ane, Lu, Marjorie e Sara: Viva Espanã.

Viva!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Lu é salva das garras de um imbecil, que não vale o nome bordado na calcinha

A Lu chegou ontem na minha casa no momento mais sagrado do dia.

Lu: Adal!

Adalberto: Ah, não, Lu, o que foi? Já falei pra vocês não me incomodarem na hora da novela das oito. Que saco! Vou acabar tomando essa chave de vocês.

Lu: Duvido você fazer isso com a Marjorie, a sua queridinha.

Adalberto: Para com esse negócio de queridinha. Isso não existe. Eu gosto das quatro por igual.

Lu: Eu não vou te atrapalhar. Só vim buscar aquela minha calcinha vermelha de renda, que eu deixei aqui.

Adalberto: A Ane dormiu aqui de ontem pra hoje, mas não tinha nada de roupa. Pegou umas coisas minhas, que obviamente ficaram largas nela e a sua calcinha.

Lu: Cara, eu vou matar a Ane! Essa garota acha que pode sair mexendo, assim, nas minhas coisas? Que ódio!

Adalberto: Calma. Pra que você precisa tanto daquela calcinha?

Lu: Porque nela está bordado o nome do Ariedson.

Adalberto: Você bordou?

Lu: Não. A Vera. Por isso que eu deixei aqui.

Adalberto: Gente, para de ficar explorando a Vera, com favores pessoais. Já falei com a Dona Ane pra parar com isso também. A mulher é minha diarista!

Lu: Eu deixei dez reais pra ela fazer isso pra mim. Não foi de graça, não.

Adalberto: Não foi. Mas o tempo que ela perdeu bordando Ariedson na sua calcinha, ela podia ter usado pra lavar uma louça.

Lu: E agora, primo? O que eu faço?

Adalberto: Eu que vou saber? Pra onde você tá indo?

Lu: Encontrar com ele no baile charme do Viaduto de Madureira. Mas eu prometi que ia com essa calcinha. Aliás, eu disse que já estava com a calcinha.

Adalberto: Por que você fez isso?

Lu: Porque, no fim de semana passado, ele teve crise de ciúmes lá no Cacique de Ramos, só porque o Astolfo veio falar comigo.

Adalberto: Astolfo filho da tia Benzenita?

Lu: Isso. Expliquei pro Ariedson que o Astolfo foi meu vizinho no Méier, que conheço ele desde molequinho, mas a tromba não baixou.

Adalberto: E onde a calcinha entra?

Lu: Sem graça! Você sabe onde ela entra. E entra cravada pra me deixar bem sexy.

Adalberto: Não, sério Mas o que a calcinha tem a ver com isso?

Lu: O Ariedson queria terminar comigo, por causa do Astolfo. E eu joguei essa caô, de que tinha mandado bordar uma calcinha com o nome dele. Aí, sabe como é que é homem, né? Ficou todo cheio de si e me perdoou.

Adalberto: Mas perdoou de que, se você não fez nada? Ou você estava mesmo dando mole pro Astolfo?

Lu: Claro que não, né? Bebeu?

Adalberto: Então! Você não fez nada de errado.

Lu: Eu sei, mas vai falar isso pro Ariedson. Ele é um poço de ignorância, meu bem.

Adalberto: E por que você tá pagando tanto pau pra esse cara?

Lu: Quer mesmo saber?

Adalberto: Não, brigado.

Lu: Ai, será que se eu ligar pra vaca da Ane ela passa aqui pra devolver a minha calcinha?

Adalberto: Ué, liga.

E foi o que ela fez.

Lu: Ane, sua cachorra, cadê a minha calcinha? O quê? No lixo. Eu vou acabar com a tua raça, sua desgraçada. Quem mandou você meter o nariz onde não foi chamada? Bem feito. Pra você aprender...

Adalberto: O que foi que aconteceu?

Lu: Ela foi encontrar com um carinha, que ela estava saindo, e ele ficou uma arara, quando foi tirar a calcinha dela e viu o nome do Ariedson. Rasgou a minha calcinha e jogou fora. Disse que, por pouco, não bateu na cara dela.

Adalberto: Se ele batesse, ele ia pra delegacia! Eu, hein! Esses homens que você e Ane têm saído ultimamente são muito intolerantes, sabia?

Lu: É mas eu gosto. Homem, pra mim, tem que ser assim mesmo. O ruim é quando a gente dá uma bola fora. E agora, que eu falei pro cara que estava com a calcinha com o nome dele? Se eu for me encontrar com ele com qualquer outra calcinha, ele vai pensar mil coisas. Vai achar que já saí com outro cara e tive que trocar de calcinha. Vai achar que era mentira minha pra segurar a relação... Ai, o que eu faço, primo?

Adalberto: Vai sem calcinha.

Lu: Nossa, ele me mata. Quer que eu morra?

Adalberto: Gente, ele é desse nível?

Lu: Tô te falando que o Ariedson é um bicho escroto, quando tá com raiva. O cara é um espírito de porco. Ai, primo, tô ficando nervosa.

Adalberto: Calma, já sei. A Vera hoje tá trabalhando aqui numa vizinha. Acho que tem uma calcinha da Marjorie aqui, que também é vermelha. Vou interfonar pra ela vir aqui bordar isso rapidinho.

Lu: Jura? Ai, Senhor, brigada! Brigada meu Pai!

Adalberto: Só um segundinho.

Lu ficou na sala me esperando, para variar, batendo seu salto agulha no chão intermitentemente. Só não roeu as unhas porque ela é vaidosa que só. Mas vontade ele teve.

Adalberto: Pronto. Ele vai vir pra cá. Disse que, em cinco minutos, acaba tudo o que tem pra fazer lá e vem.

Lu: Ai, que bom! Nem acredito, primo. te amo.

Adalberto: Viu como para tudo tem um jeito? Agora, bebe esse água aqui. Você estava muito nervosa. Botei um pouco de açúcar.

Lu: Ah, mas açúcar engorda!

Tive que enfiar o copo dentro da boca da Lu.

Adalberto: Bebe!

Lu: Ai, chega! Pronto, foi meio copo. Não posso ingerir mais nenhuma caloria por hoje, primo. O Ariedson não gosta de mulher banhuda, fora de forma.

Adalberto: Esse Ariedson é uma mala, hein...

Lu: Não fala assim do meu bebê. Ele vai ficar todo feliz, quando me vir com a calcinha com o nome dele.

E essas foram as últimas palavras proferidas pela Lu, antes de de apagar completamente. Nada como um bom sonífero para livrar uma prima minha de um idiota.

Ela passou o noite toda morgada no meu sofá, enquanto o Ariedson não parava de ligar. Depois que cancelei a trigésima chamada, ele mandou uma mensagem, chamando a Lu de vagabunda pra baixo e que era pra ela atravessar a rua, se um dia voltasse a cruzar com ele.

Ela acordou hoje, sem lembrar de nada. Ficou arrasada com a mensagem do Ariedson, mas respeitou a decisão do imbecil.

Melhor assim.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Marjorie, às vezes, é uma chata por ser muito legal

Outro dia, eu estava dormindo no sofá da sala da minha casa, com a televisão ligada, sonhando com a morte da bezerra, quando fui acordado por um extraterrestre.

Marjorie: Primo.

Adalberto: Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhh!

Marjorie: Calma, primo, sou eu, Marjorie!

Adalberto: Que susto! Por que você tá assim, toda descabelada?

Marjorie: Acabei de tomar porrada.

Adalberto: Como assim? O que é que aconteceu?

Marjorie: Sabe o Valdicleverson?

Adalberto: Claro. O carinha que a Lu te apresentou.

Marjorie: Ele tem namorada, tá?

Adalberto: Mentira. E como é que você descobriu?

Marjorie: No chopinho de aniversário da Karen, aquela modelo amiga minha, lá na Praça São Salvador.

Adalberto: Mas como é que foi? Ele foi com você, e ela apareceu por coincidência lá?

Marjorie: Não, ele não foi comigo. Ele disse que precisava cuidar da vozinha, que estava doente, aí, eu falei "beleza, eu vou mesmo assim, qualquer coisa, me liga". E você me ligou? Não. Nem ele. Mas esse mundo é uma bolinha de pingue-pongue, e a namorada dele é filha da babá, que cuida da Karen até hoje.

Adalberto: E aí? Você viu ele chegando com a mocreia?

Marjorie: Não. Quando eu o vi, ela não estava por perto. Aí, eu fui falar com ele super na boa, perguntei pela avó dele, ele disse que ela ainda estava mal e que só tinha ido ali, porque soube que eu estava lá e queria ver se eu estava me comportando bem, mas que já estava de saída.

Adalberto: Que cínico.

Marjorie: Pois é, achei ridícula e machista essa atitude dele, mas eu não queria discutir sobre isso ali, no meio da Praça São Salvador. Dei um beijo nele de despedida e, no mesmo segundo, a namorada dele surgiu e quase arrancou todos os meus fios de cabelo. Que força que tinha aquela menina! Precisou de uma três pessoas pra separar.

Adalberto: E ele?

Marjorie: Não fez nada. Ficou parado, olhando a confusão.

Adalberto: Você bateu nela, pelo menos?

Marjorie: Eu, não. Eu não sei bater. Só gritava "socorro". Mesmo assim, teve uma hora que ela tentou me enforcar, que eu fiquei sufocada, sem voz.

Adalberto: Meu Deus, tadinha da minha prima. Quero matar essa garota, que te bateu.

Marjorie: Menino, na hora, eu também só pensava nisso, mas, na boa, quem não vale nada é o Valdicleverson. Ok, ela errou por ter me batido, mas ela ali estava sendo traída, né? Eu até entendo um pouco.

Adalberto: Como assim entende? Você não tem que entender essa agressora. Você deu parte na polícia?

Marjorie: Não, primo, nem precisei. Quando finalmente conseguiram desgrudar ela de mim, ela arremessou uma garrafa de cerveja na minha direção, que acertou em cheio um PM.

Adalberto: Bem feito!

Marjorie: Aí, levaram ela para a delegacia.

Adalberto: Mas você não teve que ir para falar sobre a origem da briga?

Marjorie: Nada. Você acredita que os policiais nem viram a gente brigando? Pra eles, só aconteceu o arremesso de garrafa. E eu não quis colocar mais lenha na fogueira, sabe?

Adalberto: Coitada da minha bebê. Quer tomar um banho?

Marjorie: Não, primo. Só vou prender o cabelo. Eu esqueci que tinha uma reunião agora cedo aqui no Recreio. Por isso que passei aqui. Vim te mostrar o meu estado.

Adalberto: Você vai pra uma reunião virada?

Marjorie: Vou. Mas é com um estilista amigo. Não tem problema se eu chegar com essa cara de derrota. Ele já chegou bêbado.

Adalberto: Vai ter mais gente?

Marjorie: Não, só nós dois mesmo. Vai ser só uma conversa sobre o conceito da coleção nova dele. Eu vou fazer as bolsas.

Adalberto: Tá bom. Qualquer coisa, estou por aqui, tá?

Marjorie: Pois é, primo, queria te pedir um favor.

Adalberto: Você não pede, você manda.

Marjorie: Então, depois da confusão, eu achei um celular no chão. Aí, fui ligar pra pessoa "amor" e o Valdicleverson. Ou seja, esse aparelho é da namorada dele. Como eu não quero arrumar mais confusão, queria te pedir pra entregar pra ela lá na Tijuca. O Valdicleverson me passou o endereço. Quer anotar?

Adalberto: Claro que não! Tá maluca? Marjorie, você é boba assim, é? Eu só vou lá se for pra fazer ela engolir esse aparelho. Você quer que eu faça isso?

Marjorie: Não, deixa pra lá. Eu dou o meu jeito.

Adalberto: Não, eu não vou deixar você se expor dessa maneira. Já que você é boba e quer mesmo entregar essa porcaria pra garota que te agrediu, deixa que eu cuido disso. Eu mando pelos Correios, sei lá.

Marjorie: Pois é, eu ia fazer isso. Mas como você passa pela Tijuca pra ir pro trabalho, pensei que você podia deixar na portaria da menina. Fora que eu queria vir aqui te contar o bafão.

Adalberto: Tudo bem. Eu faço essa caridade.

Marjorie: Faz mesmo?

Nunca!

Adalberto: Claro. Preciso conquistar meu espacinho no céu. Vai lá pra sua reunião, anda.

Marjorie: Tá bom, brigada, meu lindo.

Adalberto: Imagina, prima. Beijo.

Só esperei ela sair pra pegar o meu martelo. Aquele celular ia sentir a dor que a namorada do Valdicleverson merecia.

E quando eu me preparava pra dar a primeira martelada, a porta se abriu. Me atrapalhei e acabei martelando a minha mão.

Adalberto: Aaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiii!

Marjorie: Minha intuição foi certeira. Não posso confiar mesmo em você, hein! Que maldade.

Foi assim que a minha prima falou comigo. Detalhe: tomou o celular da minha mão, sem pedir, e saiu batendo porta.

Que burra! É uma linda de coração. Mas é burra...

sábado, 28 de setembro de 2013

Ane não é uma mulher de palavra

Depois de muita insistência da Ane, eu e a Sara topamos fazer uma trilha. O ponto de encontro, foi na academia que ela malha.

Adalberto: Por que você trouxe a gente aqui para dentro?

Sara: O pessoal vai sair em cinco minutos.

Ane: Vim mostrar para vocês onde eu faço meu treinamento funcional. É aqui. A gente usa esses elásticos, essas bolas.

Sara: E não tem aparelho?

Ane: Não, o seu corpo funciona como um aparelho. E você usa o seu peso a seu favor. É assim que a gente ganha massa muscular.

Sara: Mas eu não tenho como usar o meu peso a meu favor, se eu não peso quase nada. Esse negócio de treinamento funcional não ia dar certo comigo.

Ane: Então, se for assim, eu vou ficar como a Gracyanne. Eu não quero isso para mim!

Sara: Não mesmo?

Ane: Ai, acho que quero, sim. Sei lá, será que vão pensar que eu sou muito fútil, se eu fosse malhadona, como a Gracyanne?

Sara: Não sei, talvez. 

Ane: O que você acha, Adal?

Adalberto: Ane, vamos deixar para pensar sobre essa questão superimportante depois. O pessoal já vai sair.

Ane: Ai, Adal, você vai ficar chateado, se eu não for mais?

Adalberto: Claro que sim! Cara, eu sabia que você não tinha trazido a gente aqui para dentro só para isso.

Ane: Fiquei com medo de dizer que não ia mais, e vocês fazerem um escândalo comigo na frente de todo mundo.

Adalberto: Ane, eu quero matar você. Eu saí do Recreio, fui buscar a Sara em Niterói e vim aqui para a Zona Sul só para isso.

Sara: Ah, Adal, valeu pelo passeio, pensa assim.

Adalberto: Passeio? Eu acordei às cinco horas da manhã para estar aqui a essa hora. Isso não é um passeio. É um castigo.

Ane: O Edilberto me ligou, pedindo para eu levar o café da manhã para a filha dele lá em Niterói. Ele não vai conseguir sair do trabalho a tempo. Vai dobrar, aí já viu, né? Sobrou para mim.

Adalberto: Ah, sim, poxa. Aí, tudo bem. A menina é criança, né?

Ane: É, ela tem nove anos.

Sara: Ela fica em casa sozinha?

Ane: Não. Está com uns amiguinhos na porta de onde vai acontecer o show do Justin Bieber.

Adalberto: Como assim? Eu não ouvi isso.

Ane: Ela é completamente fã do Justin Bieber e quer ser a primeira e entrar, quando abrirem so portões.

Adalberto: Ane, e você compactua com isso?

Ane: Eu, não. O Edilberto compactua com isso. Eu só vou na onda dele. Adal, homem, hoje em dia, está muito difícil. A gente tem que abaixar a cabeça para algumas coisas.

Sara: Gente, eu jamais deixaria filho meu fazer uma coisa dessas. Loucura isso. E como a menina está indo para a escola?

Ane: Ela não está indo. Já estava mal mesmo nos estudos, tudo indicava que ia repetir. Aí, o pai deixou ela abandonar. Mas no ano que vem ela volta. É bom que já volta com uma cabeça melhor.

Adalberto: Que cabeça melhor? Com um pai desses, essa garota tem tudo para ser uma perdida na vida. Quando que é esse show?

Ane: Daqui a dois meses e meio.

Sara: O quê? E essa criança vai ficar morando numa barraca durante esse tempo todo?

Ane: Vai, ué. Eu não vejo problema nenhum nisso. O pai dela deixou. A gente faria o mesmo na idade dela, se fosse o New Kids on the Block.

Sara: É verdade.

Adalberto: Gente, na boa, eu vou embora. Estou ficando com raiva disso. E, principalmente, estou com raiva de mim, que vim até aqui à toa. Você vem comigo, Sara?

Sara: Primo, eu tenho que ficar. Eu falei para o Oswaldo que eu ia fazer a trilha. Se eu for para outro lugar ou chegar em casa mais cedo, ele vai desconfiar de mim.

Adalberto: Mas a essa hora, o pessoal já saiu.

Sara: Eu sei mas eu fico esperando eles voltarem. Aí, eu me molho um pouco para fingir que suei e, depois, volto para casa.

Adalberto: Não acredito nisso.

Sara: Adal, é o que a Ane falou: homem, hoje em dia, está muito difícil. A gente tem que fazer certas coisas, mesmo não concordando com elas.

Adalberto: Tchau, gente.

Deixei as duas loucas sozinhas naquele lugar.

Ane: Prima, eu não vou poder esperar aqui com você. Você vai ficar chateada comigo?

Sara: Claro que não.

Ane: Então, eu vou lá.

Eis que surge o ator Eriberto Leão.

Eriberto: Dá licença. Vocês sabem se o pessoal, que ia fazer a trilha da Carlinha já saiu?

O mundo tinha parado para a Ane naquele momento. 

Ane: É... trilha? Pessoal? Carlinha? Quê? Você também malha aqui? Quer dizer... Ai, muita informação, desculpa. O que é que você falou?

Eriberto: É que eu vim fazer a trilha da Carlinha, a professora. Ela já foi com o pessoal?

Sara: Olha, pela hora, já, sim.

Eriberto: Que pena, acordei meio atrasado, mas achava que dava para chegar a tempo.

Sara: Olha, mas se você correr, acho que você alcança eles.

Eriberto: Boa ideia. Vou fazer isso, então. Obrigado, meninas.

Sara: Ei, moço. Você não é o Eriberto Leão?

Eriberto: Sou eu, sim.

Sara: Você se incomoda de me dar um autógrafo? Na verdade, para mim e para o meu marido. Se você colocar só o meu nome, o meu marido vai pensar besteira, vai achar que eu te pedi um autógrafo, porque estava querendo me oferecer para você. Ele morre de ciúmes de mim.

Nada... A Sara adora acreditar que tem um marido ciumento, coitada.

Eriberto: Qual são os nomes que eu coloco aqui, então?

Sara: Sara e Oswaldo. Mas coloca Oswaldo na frente para não dar problema.

Eriberto: Beleza. Toma o seu autógrafo.

Sara: Obrigada.

Eriberto: Agora, deixa eu ir lá. Vou correr para tentar alcançar o pessoal na trilha. Mas se não der, vou curtir a natureza sozinho mesmo. Tchau, meninas.

E quando ele ia fechar a porta, a Ane, que estava paralisada, resolveu dar sinal de vida.

Ane: Eriberto!

Eriberto: Oi.

Ane: Eu posso ir com você? Qualquer coisa, se a gente não encontrar o pessoal, a gente curte a natureza juntos.

Eriberto: Perfeito. Vamos nessa, então?

Sara: Ué, então, eu vou com vocês.

Ane: Tchau, prima.

Sara: Ane, mas e a filha do Edilberto?

Ane: Edilberto? Quem é Edilberto? Agora, eu só sei quem é Eriberto, meu amor. Beijo!

E bateu com a porta na cara da prima.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Beyoncezinha Sara fica à beira de um ataque de nervos, por causa do Rock in Rio

Ontem, fui para um bar em Nikity me encontrar com a Sara. Ela disse que precisava conversar comigo fora de casa, mas não podia ir para muito longe, por causa dos trigêmeos.

Adalberto: Que saudade de você, minha linda. Tudo bem?

Sara: Não. E com você?

Adalberto: Comigo, sim. Só um pouquinho cansado, porque fui a todos os shows do Rock in Rio.

Sara: Primo, nem me fale nesse negócio de Rock in Rio, que eu estou a ponto de fazer macumba para o Roberto Medina.

Adalberto: Como assim, Sara? Por que isso?

Sara: O meu casamento está acabando, por causa dessa maldição de evento.

Adalberto: O seu casamento está sempre acabando desde a lua-de-mel, quando você me ligou do Marrocos para me dizer que Oswaldo estava paquerando uma mulher de burca, lembra? Você é muito neurótica, amore.

Sara: Tudo bem, eu confesso que eu exagerava muito no começo, mas agora eu estou mais tranquila. Ele é que continua safado. Você acredita que ele ficou babando pela Beyoncé?

Adalberto: Acredito.

Sara: Como assim acredita?

Adalberto: O Brasil inteiro babou pela apresentação dela.

Sara: Mas o Oswaldo é diferente. O Oswaldo é cachorro, Adal. Aquilo não vale nada. Ele fala de um jeito, que parecia que estava desejando a mulher. E a safada ainda fez a coreografia do lelek para deixar o homem louco... Ainda bem que a gente viu tudo pela televisão. Imagina se a gente tivesse ido? Ele ia subir no palco, e eu ia voltar solteira para casa.

Adalberto: Sara, não exagera. Você está tendo a mesma atitude de todos os anos, durante a transmissão do carnaval. Só que, em vez das passistas e madrinhas de bateria, agora você está com ciúme dele com a Beyoncé.

Sara: Claro. Imagina se calha dele cruzar com essa mulher, se apaixonar e ir embora com ela para não sei onde.

Adalberto: Olha como você viaja...

Sara: Os meus filhos iam ficar sem pai. Ele ia querer viajar atrás dela nesses shows, eu conheço o Oswaldo, ele é deslumbrado. Ia adorar ter uma mulher famosa.

Adalberto: Será?

Sara: Lógico que sim. E se bobear, ainda ia levar os meus filhos com ele, alegando, sei lá, que tem condições melhores de criá-los. E, realmente, com a Beyoncé, ele pode dar vida de rei para os nossos trigêmeos.

Adalberto: Sara, acorda, para com ciúme doentio.

Sara: Ai, primo, eu queria que no mundo só existissem as gordas, as feias e as caolhas.

Adalberto: Para com isso! E o que seria do Brasil? A nossa mulher é aclamada pelo mundo todo. Se não fosse pela beleza da Helô Pinheiro, não existiria a linda "Garota de Ipanema", do Tom Jobim. E o cinema sem o charme Marilyn Monroe? Dá para imaginar?

Sara: Com essas, eu não vejo problema. Uma já morreu e a outra já está aposentada, não me mete mais medo. A regra das gordas, feias e caolhas podia passar a valer depois que eu nasci. O meu casamento seria muito mais tranquilo.

E por uma coincidência absurda, vi o Oswaldo vindo na nossa direção com a Helô Pinheiro. Ainda bem que a Sara estava de costas pare eles.

Sara: Você acha que eu estou errada?

Adalberto: Amore, preciso ir ao banheiro. Um segundinho.

Liguei para o Oswaldo.

Oswaldo: Oi, Adal.

Adalberto: Ô cara de pau, dá meia volta agora!

Oswaldo: Por quê?

Adalberto: Eu estou com a Sara num bar, aqui na rua que você está caminhando com a Helô Pinheiro. Se ela vir vocês dois e descobrir, que a Garota de Ipanema ainda não se aposentou, ela vai te matar.

Oswaldo: Mas eu não estou fazendo nada demais. Encontrei por coincidência com a tia Heloísa aqui perto e estava levando ela até um ponto de táxi. Minha avó morou no prédio dela, Adal. Já brinquei muito com a Ticiane.

Adalberto: Não interessa! Eu sei que você é um boboca e não faz nada de errado, mas esqueceu que a tua mulher é neurótica? Inventa alguma coisa para a tia Heloísa e vai embora para casa. Ouviu?

Oswaldo: Está bem, Adal. Pode deixar. Super-obrigado.

Adalberto: Olha só, eu sou legal com você, porque sei que você anda na linha com a minha prima. Mas se um dia...

Oswaldo: Nunca! Eu amo a minha mulher mais que tudo. Ela é a minha Beyoncezinha.

Que lindo.

Adalberto: Oswaldo, esquece esse negócio de Beyoncezinha por ora. Até porque a Sara é branca. Melhor chamar de "meu amor" mesmo. Depois eu te explico.

E assim eu livrei a minha prima de um ataque histérico gratuito.

A Helô Pinheiro não merecia. Mesmo não estando aposentada, ela já é uma senhora.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Mentirinha boba garante a presença da Marjorie no show da Beyoncé

A Marjorie chegou ontem na minha casa meio chorosa.

Adalberto: O que foi, meu amor?

Marjorie: Vim trazer os ingressos do Rock in Rio.

Adalberto: Por que isso? A gente não combinou de se encontrar amanhã e ir direto?

Marjorie: Eu não vou mais?

Adalberto: Como assim? A Lu vai dar na tua cara, se você não for. Ela vai deixar de sair com aquele gringo para ir ver a Bionça com a gente.

Marjorie: Adal, eu estou sem condições psicológicas.

Adalberto: É?

Marjorie: Estou.

Adalberto: Faz o seguinte, então: toma uma cartela de Rivotril, que, na hora, você vai ter condição psicológica! Oh, Marjorie, você não é disso! Está parecendo a Sara, a Ane. Elas são dramáticas. Estou te desconhecendo, hein!

Marjorie: O Sébilo terminou comigo, primo. É sério.

Adalberto: Nada que venha do Sébilo é sério para mim. A não ser que rima. Fora isso, esse cara é um idiota.

Marjorie: Eu investi tanto nessa relação.

Adalberto: Jojô, você conheceu o cara e, uma semana depois, ele foi fazer uma viagem sabática. O cara vai ficar um ano pulando de país para país. Você ia mesmo ficar esperando?

Marjorie: Ia.

Adalberto: Por que isso?

Marjorie: Por amor, a gente faz qualquer coisa.

Mulher é muito burra.

Adalberto: Prima, você não está sendo inteligente. Que amor? Que investimento em relação? Amor precisa de convivência. Qual a convivência que vocês têm?

Marjorie: A gente se falava todo dia por Skype.

Adalberto: Ele te prendia todo dia por Skype. Você parou de sair com a gente para ficar enfurnada em casa, conversando com o Sébilo. Isso era investir na relação? Ficar distante dos primos? Ou era a banda larga vazando mega, de tão veloz, que você deve ter colocado na sua casa.

Marjorie: Para! Eu quero chorar. E vim aqui atrás do ombro amigo do meu primo! Será que você não me entende?

Não. Mas me comovo sempre que minhas primas me procuram para ser consoladas.

Adalberto: Claro que te entendo, amor. Deita aqui no meu colo.

Marjorie: Ainda bem que eu tenho você, primo.

Adalberto: Posso te falar uma coisa?

Marjorie: Claro.

Adalberto: Eu vi bem umas fotos do Sébilo na Austrália beijando uma mulher.

E ela levantou do meu colo num impulso acelerado.

Marjorie: Mentira.

Claro que era mentira.

Adalberto: Eu estou falando sério.

Marjorie: E por que você não me falou isso antes? Eu não vi isso.

Adalberto: Ele te bloqueia em alguns álbuns, prima. Mas esqueceu de fazer isso comigo. Olha, eu não ia te contar, não, mas...

Marjorie: Não, foi ótimo você ter me contado isso, Adal.

Adalberto: E agora? O que você pensa em fazer?

Marjorie: Ir ao show da Beyoncé amanhã e dar mole para geral. Eu não sou palhaça. Não vou ficar em casa, chorando por quem não me merece. Obrigada, primo. Te amo.

Perfeito! Garanti o time completo no Rock in Rio.

Mandei bem na mentirinha boba.