Marjorie: Eu sei que o Auzeciso é legal. Mas eu sou muito mais.
Adalberto: E por que acabou?
Marjorie: Adal, ele só pensa em correr, nadar e pedalar.
Adalberto: É o que se pode esperar de um triatleta, ué.
Marjorie: Eu achei que ia me acostumar a essa vida. Mas tem várias outras coisas no pacote.
Adalberto: O quê?
Marjorie: Ah, por ser triatleta, ele vive fazendo dieta, dorme cedo, não bebe e não fuma.
Adalberto: O seu oposto.
Marjorie: Total. Se ele ainda dissesse que queria casar comigo, eu até aguentaria. Mas ele parece que está comigo para me fazer de personal acompanhante, sabe?
Adalberto: Jura?
Marjorie: Arram. Era eu que arrumava a mochila dele, eu que colocava água na garrafinha, eu que o acordava de manhã, eu que o ajudava a se alongar, eu que preparava aquelas comidinhas ruins com gordura zero, eu que lavava as roupas esportivas dele e ainda tinha que acompanhá-lo no triatlo. Foi demais para mim.
Adalberto: E como você fez para terminar com ele?
Marjorie: Pedi uma pizza portuguesa para nós dois, ontem, à noite.
Adalberto: E ele?
Marjorie: Ficou irado, me chamou de todos os nomes e saiu da minha casa batendo porta.
Adalberto: Por que isso?
Marjorie: Ele tinha um passeio ciclístico no dia seguinte e não queria comer nada pesado.
Adalberto: Pedisse uma pizza de rúcula com tomate seco.
Marjorie: Só se fosse espacial, sem a massa.
Adalberto: Mas pizza de rúcula com tomate seco sem massa não é pizza. É salada.
Marjorie: Eu sei. É só isso que ele come na vida dele. Ah, e soja. Muita soja.
Adalberto: Ele já te ligou depois desse episódio?
Marjorie: Não. Eu liguei para ele, disse um monte e falei para ele ir procurar uma preparadora física.
Adalberto: E agora?
Marjorie: Agora eu quero descansar. Esse relacionamento me deixou com muita preguiça.
Adalberto: Só isso?
Marjorie: Ai, sei lá, Adal. Também quero sair para dançar sem ter hora para ir embora, encher a cara e, depois, dormir. Mas dormir muito. Sem hora para acordar. Me acompanha?
Adalberto: É uma...
Marjorie: Para onde vamos, então?
Adalberto: Jojô, me fala uma coisa: você devolveu o aparelho de DVDokê para o Auzeciso?
Marjorie: Não. Por quê?
Adalberto: Que tal chamarmos as meninas e fazermos uma Night do Karaokê Derrota, como nos velhos tempos?
Marjorie: Ótima ideia, primo. Vou ligar agora para Ane, Lu e Sara. Chamo mais alguém?
Adalberto: Só quero vocês: as protagonistas da minha vida.
Marjorie: Assim que eu gosto.
Adalberto: Enquanto isso, vou à rua comprar uma coisinhas para gente comer.
Marjorie: Traz uma pizza, Adal.
Adalberto: Só se você chamar o Auzeciso.
Marjorie: Você não vale nada, garoto.
Adalberto: Eu sei que não.
Comemos muito, enchemos a cara e cantamos muito. Até a Sara, que não bebia há anos, resolveu ficar de pilequinho e soltou a franga. Acordei agora cheio de ressaca. Mas feliz. Nesse um mês que a Marjorie namorou o Auzeciso, eu senti muito a falta dela nas nossas farras. Ainda bem que tudo que é ruim dura pouco.
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